Rádio 5G criado no Brasil atinge mais de 1,5 Gbps em laboratório, permite testes com arquitetura aberta e ajuda o país a desenvolver equipamentos capazes de conversar com sistemas de empresas diferentes, sem indicar que a tecnologia já esteja disponível nas redes comerciais.
O Brasil entregou uma unidade de rádio 5G criada no país durante a segunda fase do OpenRAN@Brasil. Nos testes iniciais feitos em laboratório, o equipamento alcançou velocidade acima de 1,5 Gbps.
A entrega reúne a RNP, o CPQD, o Instituto Eldorado e o Inatel em um trabalho voltado ao desenvolvimento de partes importantes das redes 5G. As informações foram divulgadas em 1º de julho de 2026 por Mobile Time, plataforma brasileira de conteúdo sobre a indústria móvel.
O rádio foi criado para um ambiente de testes, onde pesquisadores podem avaliar se as peças da rede funcionam juntas antes de qualquer uso mais amplo.
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A unidade de rádio 5G é a parte que leva o sinal até o celular
A Unidade de Rádio Aberta, conhecida pela sigla O RU, é a peça que transmite e recebe sinais entre a rede móvel e os aparelhos dos usuários. É ela que participa da troca de dados entre a antena e o celular.
Essa unidade não representa toda a rede 5G. Ela trabalha junto com outros equipamentos e programas que organizam a conexão, controlam o tráfego de dados e mantêm a comunicação funcionando.

Na prática, a criação de uma unidade de rádio nacional permite que instituições brasileiras estudem uma parte importante da infraestrutura que faz o 5G chegar aos dispositivos.
Arquitetura aberta permite unir peças de empresas diferentes
Em muitas redes móveis, equipamentos e programas chegam como um conjunto fechado, criado para funcionar dentro da estrutura de um único fornecedor. Isso pode limitar a combinação de soluções desenvolvidas por empresas diferentes.
A arquitetura aberta muda essa lógica ao criar regras técnicas para que cada parte da rede possa conversar com outras peças compatíveis. Assim, a unidade de rádio 5G pode ser integrada a sistemas criados por mais de uma empresa.
Isso não significa que qualquer equipamento pode ser ligado sem cuidado. As partes precisam passar por testes de integração, que mostram se a troca de informações ocorre de forma segura e estável.
Para o Brasil, esse modelo abre espaço para mais pesquisas, novos testes locais e desenvolvimento de tecnologia voltada às redes móveis abertas.
Velocidade acima de 1,5 Gbps ainda não representa 5G comercial
A marca acima de 1,5 Gbps foi registrada em ambiente de laboratório. Esse número mostra a capacidade de transmissão obtida durante as primeiras avaliações do equipamento.
O resultado é importante para a pesquisa, mas não deve ser confundido com a velocidade que consumidores receberão no celular. A unidade de rádio ainda faz parte de um protótipo que precisa ser integrado e validado dentro do ambiente de testes.
Por isso, não existe indicação de que o rádio 5G criado no Brasil já esteja substituindo equipamentos usados por operadoras. A etapa atual trata de desenvolvimento, testes e aperfeiçoamento técnico.
RNP encerrou a segunda fase com participação de CPQD, Instituto Eldorado e Inatel
A segunda fase do OpenRAN@Brasil foi encerrada em 24 de junho de 2026, com a apresentação dos resultados do desenvolvimento da Unidade de Rádio Aberta nacional. A RNP, entidade que coordena o programa OpenRAN@Brasil no país, registrou a conclusão desse ciclo de pesquisa e desenvolvimento.
Michelle Wangham, diretora adjunta de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da RNP, afirmou: “Chegamos ao fim da Fase 2 com um resultado concreto e mostramos que o Brasil pode desenvolver tecnologias de hardware e software para Open RAN”.
O trabalho reuniu diferentes áreas, como peças físicas do equipamento, programas de gerenciamento, processamento de sinais, simulações e estudos de segurança digital. A integração desses elementos formou um protótipo funcional para as próximas etapas de validação.
Terceira fase prevê levar os testes para outras regiões do país
A terceira fase do OpenRAN@Brasil prevê ampliar o ambiente de testes para outras regiões do Brasil. Também está prevista a integração da unidade de rádio ao espaço de experimentação usado pelo programa.

Esse ambiente permite desenvolver, conectar e validar tecnologias antes que elas sejam usadas em uma situação mais próxima de uma rede real. Pesquisadores, empresas e instituições poderão testar novas soluções ligadas à arquitetura aberta.
O objetivo é aumentar a capacidade brasileira de criar, avaliar e integrar partes das redes 5G, sem apresentar o protótipo como produto pronto para uso comercial.
A entrega da unidade de rádio mostra que o Brasil já reúne instituições capazes de desenvolver componentes para redes móveis abertas. O principal avanço está no conhecimento criado dentro do país e na possibilidade de testar equipamentos compatíveis com sistemas de empresas diferentes.
Para quem usa celular, não há mudança imediata no sinal, no plano de internet ou na cobertura das operadoras. O impacto está na construção de alternativas para que o país compreenda e desenvolva tecnologias que hoje fazem parte da base das comunicações móveis.
Você acredita que o Brasil deve investir mais em equipamentos próprios para redes 5G, mesmo antes de eles chegarem ao uso diário? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.
