O TomUS é um tomógrafo de mama por ultrassom criado na USP, usa ondas sonoras sem radiação e água morna para formar imagens em cortes, mas ainda passa por validação clínica antes de qualquer uso amplo em hospitais e pode fortalecer a tecnologia médica nacional.
Em 26 de novembro de 2025, pesquisadores da USP apresentaram o TomUS, um tomógrafo de mama por ultrassom criado no Brasil. O protótipo usa ondas sonoras no lugar da radiação, forma imagens em cortes e entrou na fase de validação clínica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.
A informação foi publicada pelo Jornal da USP, veículo de comunicação da Universidade de São Paulo. O projeto nasceu no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto e reúne conhecimento, projeto e processamento de imagens desenvolvidos no país.
O TomUS não é um aparelho disponível para uso geral na rede de saúde. Ele é um protótipo de pesquisa, criado para demonstrar uma técnica, e ainda precisa ser comparado aos exames já utilizados antes de se transformar em uma ferramenta de atendimento.
-
Adeus máquina de lavar comum: Xiaomi surpreende e lança lava e seca ultra-slim com 30+ programas, vapor higiênico, secagem inteligente, lavagem rápida de 15 minutos, controle por app, tambor ampliado e design feito para armários planejados
-
Enquanto grandes redes 5G costumam chegar prontas de poucos fabricantes estrangeiros, Brasil entrega primeira unidade de rádio criada no país, supera 1,5 Gbps em laboratório e testa um caminho para conectar equipamentos de empresas diferentes
-
Geladeira mais econômica do Brasil pertence à marca conhecida dos brasileiros, consome apenas 26,5 kWh por mês, custa cerca de R$ 20,67 para funcionar e supera rivais que gastam até 217% mais energia
-
NASA prepara três pequenos satélites para seguir tempestades tropicais por cima das nuvens, registrar o nascimento de chuvas intensas em poucos segundos e mostrar o que acontece onde aviões e pessoas não conseguem entrar
Na prática, o avanço coloca a engenharia brasileira em uma área onde o país depende de equipamentos comprados prontos no exterior. A pesquisa pode abrir caminho para novas soluções locais, mas não muda o atendimento de pacientes agora.
Como o tomógrafo de mama por ultrassom transforma ondas em imagens
O ultrassom trabalha com ondas sonoras. Elas atravessam o corpo, retornam ao aparelho e viram informações que ajudam a construir imagens de estruturas internas.

No tomógrafo de mama por ultrassom, esses sinais são reunidos de muitos pontos. Um programa de computador organiza os dados e monta uma imagem em volume, chamada de imagem tridimensional, que pode ser vista por partes.
Tomografia é isso: uma forma de observar o tecido como se ele pudesse ser dividido em fatias virtuais. O médico pode olhar cada profundidade sem precisar fazer cortes no corpo.
A ultrassonografia comum gera imagens em duas dimensões e depende mais dos movimentos de quem realiza o exame. O TomUS foi construído para automatizar a varredura e registrar o tecido mamário por vários ângulos.
Água morna e braço robótico fazem parte do exame
No exame, a paciente fica de bruços em uma maca com uma abertura para posicionar a mama. A região fica imersa em água morna, que ajuda as ondas sonoras a se propagarem pelo tecido.
O sistema não usa compressão da mama. Também não há contato direto com os transdutores, peças que emitem e recebem as ondas sonoras usadas para formar a imagem.
Um braço robótico faz a varredura completa em múltiplos ângulos. O processo é automatizado, o que busca reduzir diferenças causadas pela forma como cada profissional movimenta o aparelho.
A coleta das informações dura cerca de cinco minutos. Depois, um programa transforma esses dados em imagens que mostram o interior do tecido em diferentes profundidades.
Imagens em cortes mostram o tecido de vários ângulos
As imagens produzidas pelo TomUS permitem observar a mama em cortes. Para entender melhor, pense em um pão fatiado: cada parte revela uma profundidade diferente sem que seja necessário mexer no restante.
Esse tipo de imagem pode ajudar o médico a navegar pelo volume do tecido. A avaliação, porém, ainda depende de estudos clínicos que mostrem como o equipamento se comporta em situações reais.

O sistema também permite reunir os arquivos em um banco de dados em nuvem, para que radiologistas analisem as imagens a distância. Essa possibilidade faz parte do modelo de uso estudado pelos pesquisadores.
O ponto importante é que a imagem tridimensional não representa, por si só, um diagnóstico. Ela oferece uma nova forma de visualizar o tecido, que ainda precisa ser avaliada ao lado de métodos já conhecidos.
Validação clínica define os limites do TomUS antes do uso hospitalar
Jornal da USP, veículo de comunicação da Universidade de São Paulo, detalhou que o TomUS entrou em testes no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. A etapa inclui análise comparativa com métodos tradicionais e estudo do desempenho para diagnóstico.
Os testes iniciais envolveram modelos físicos, que imitam estruturas do corpo, e voluntárias saudáveis. Agora, a fase clínica precisa mostrar até onde o equipamento pode ir e em quais situações ele poderá ser usado.
Jorge Elias Junior, professor da área de radiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, destacou uma das perguntas que os testes precisam responder: “Precisamos saber, na prática clínica, qual é a menor lesão que o equipamento consegue detectar.”
Lesões e tumores não aparecem sempre da mesma forma. A equipe ainda precisa verificar, no atendimento real, quais são os limites do equipamento e em quais situações ele poderá ser usado.
Protótipo não substitui a mamografia nem a ultrassonografia comum
O TomUS não substitui automaticamente a mamografia, a ultrassonografia comum ou outros exames já usados. Ele está em fase de testes e sua possível aplicação depende dos resultados da validação clínica.
A diferença entre uma máquina criada para pesquisa e um equipamento de uso hospitalar é grande. O protótipo mostra que o projeto funciona, mas a adoção em hospitais exige comprovação de desempenho, segurança e utilidade na rotina médica.
A pesquisa abre uma possibilidade, mas a decisão sobre uso amplo só pode vir depois de testes e comparações com os métodos que já fazem parte do atendimento.
Tecnologia nacional pode reduzir a dependência de aparelhos importados
A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo de Inovação e Instrumentação Médica e Ultrassom, ligado ao Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. O trabalho inclui o desenho do aparelho, os protocolos de geração de imagens e o processamento dos dados.
Em novembro de 2025, os equipamentos de ultrassom para diagnóstico usados no país eram importados. O TomUS foi construído como uma alternativa de pesquisa que mantém, no Brasil, o conhecimento necessário para adaptar e aperfeiçoar o sistema.
Isso não significa que o custo do atendimento cairá de imediato. Também não significa que hospitais receberão o aparelho em pouco tempo. O impacto mais direto, por enquanto, é ampliar a capacidade brasileira de criar ferramentas para a área da saúde.
O desenvolvimento de um equipamento médico nacional pode facilitar a criação de novos protocolos de imagem e outras aplicações baseadas em ultrassom. Cada uma dessas etapas ainda exige testes próprios antes de chegar às pessoas.
Da bancada da USP ao desafio de virar um equipamento de saúde
O grupo responsável pelo TomUS prepara a criação de uma empresa de base tecnológica em parceria com o Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto. A iniciativa reúne engenheiros, físicos e profissionais da computação formados no próprio laboratório.
O objetivo é continuar o aperfeiçoamento do protótipo e aproximar a pesquisa da rede pública e privada de saúde. Esse caminho envolve novas avaliações clínicas, desenvolvimento técnico e a definição do melhor uso para o sistema.
O TomUS mostra que a universidade brasileira consegue construir uma solução complexa, que combina ultrassom, automação e programas de computador. A parte decisiva agora é transformar esse resultado de laboratório em uma ferramenta segura, útil e validada.
A importância da pesquisa está menos em prometer uma mudança imediata e mais em criar autonomia. Quando o conhecimento fica no país, universidades e profissionais podem desenvolver melhorias sem depender apenas de máquinas prontas vindas de fora.
O tomógrafo de mama por ultrassom criado na USP já reúne ondas sonoras, água morna, varredura automática e imagens em cortes em um único protótipo. A tecnologia ainda está em validação clínica e não substitui os exames disponíveis para as pacientes.
O próximo passo é provar, com comparações clínicas, quando o TomUS pode ser útil e quais limites ele terá. Esse processo define se uma pesquisa de laboratório poderá chegar aos hospitais de forma responsável.
O que o Brasil precisa fazer para levar pesquisas como o TomUS do laboratório aos hospitais com segurança? Comente e compartilhe esta publicação.
