Consumo de energia vira fator decisivo na escolha de geladeiras no Brasil, com diferenças que ultrapassam 200% entre modelos e impacto direto na conta de luz mensal.
Com a conta de luz sob pressão e reajustes frequentes nas distribuidoras, a eficiência energética virou um fator central na hora de escolher uma geladeira, sobretudo porque o aparelho funciona de forma ininterrupta, durante 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Em levantamento publicado pelo Canaltech com dados da plataforma WebPrice, a Samsung RT32K5A11S8 aparece como o modelo de menor consumo mensal entre os refrigeradores comparados, com 26,5 kWh/mês, o equivalente a R$ 20,67 usando a referência de R$ 0,78 por kWh.
A diferença para os aparelhos mais gastadores do mesmo recorte é ampla.
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Considerando os números divulgados nesse ranking, a distância entre a Samsung RT32 e a Tramontina Gourmet 94500/010, listada com 84,2 kWh/mês, chega a pouco mais de 217%, o que ajuda a explicar por que o consumo elétrico passou a pesar tanto quanto litragem, acabamento e funções extras na comparação entre modelos.
Geladeiras compactas: menor consumo e foco em eficiência
Entre os modelos de até 350 litros, a liderança ficou com a Samsung RT32, impulsionada pelo uso de compressor Digital Inverter, tecnologia que ajusta o funcionamento para evitar picos desnecessários e manter a temperatura interna com menor oscilação.

No mesmo grupo aparecem a Eos EcoIce EFE430D, com 33 kWh/mês, a Midea MD-RT468MTA011, com 34,8 kWh/mês, a Consul CRB39AB, com 36,6 kWh/mês, a Esmaltec RCD34, com 38,5 kWh/mês, e a HQ360, com 41,2 kWh/mês.
Na prática, essa faixa concentra aparelhos que costumam atender apartamentos menores, cozinhas compactas e escritórios, cenários em que a relação entre espaço interno e gasto mensal pesa mais do que recursos sofisticados de conectividade ou compartimentos premium.
Ainda assim, o intervalo entre o primeiro e o último colocado da categoria mostra que produtos visualmente parecidos podem gerar contas bastante diferentes ao longo do ano, mesmo quando pertencem ao mesmo segmento de tamanho.
Modelos médios: equilíbrio entre capacidade e economia
No grupo de 351 a 500 litros, o ranking divulgado coloca a Panasonic NR-BT41PD1X na frente, com 31 kWh/mês e custo estimado de R$ 24,18, à frente da Electrolux IF45, listada com 37 kWh/mês, da Brastemp BRM44HB, com 42 kWh/mês, da Continental TC41, com 45,6 kWh/mês, da TCL P470, com 46,1 kWh/mês, da Hisense RB43, com 46,9 kWh/mês, e da Philco PRF533ID, com 47,5 kWh/mês.
É nessa faixa que o consumidor normalmente tenta equilibrar capacidade útil, preço e impacto na conta de energia.
Há, porém, um ponto importante nesse trecho da comparação.
Em páginas de varejo e na ficha oficial da Panasonic para a linha BT41, o modelo NR-BT41PD1X/PD1W aparece com 39,4 kWh/mês e sem indicação de tecnologia Econavi, o que diverge do dado de 31 kWh/mês e da menção ao recurso publicada no ranking.
Situação semelhante ocorre com a Electrolux IF45, anunciada em varejistas com 42,4 kWh/mês, acima dos 37 kWh/mês informados no levantamento.
Geladeiras grandes: consumo maior acompanha o porte
Acima de 500 litros, a listagem coloca a Samsung RF23R62E3B1 na primeira posição, com 48 kWh/mês, seguida pela LG GM-B298NLNH, com 58 kWh/mês, e pela Gorenje ONRK193, com 61 kWh/mês.
Depois aparecem Elettromec 600L, com 64 kWh/mês, Tecno TR70, com 68 kWh/mês, Cuisinart Arkas 540L, com 71,2 kWh/mês, Evol JC-145, com 74 kWh/mês, Bertazzoni REF90X, com 78,5 kWh/mês, Invita I-FD-540, com 81 kWh/mês, e Tramontina 94500/010, com 84,2 kWh/mês.
Esse recorte deixa claro que acabamento premium e litragem elevada costumam cobrar uma conta adicional no fim do mês, ainda que alguns fabricantes tentem compensar isso com compressores mais eficientes e gerenciamento eletrônico de temperatura.
No caso da LG, por exemplo, varejistas consultados exibem consumo de 59 kWh/mês para a GM-B298NLNH, número próximo ao apresentado no ranking.
Enquanto isso, documentos internacionais da Samsung para a RF23R62E3B1 apontam 427 kWh por ano, unidade que não permite comparação direta sem confirmar a metodologia usada no mercado brasileiro.
Impacto na conta de luz varia entre capitais
Ao aplicar o consumo mensal de 26,5 kWh da Samsung RT32 às tarifas residenciais médias citadas no levantamento, o gasto mensal ficaria em R$ 22,71 em Manaus, R$ 19,13 em Fortaleza, R$ 19,69 em Brasília, R$ 17,78 em São Paulo e R$ 16,67 em Curitiba.
Esse cenário evidencia como a conta final depende não apenas do aparelho, mas também da área de concessão e dos reajustes autorizados pela Aneel.
Em São Paulo, por exemplo, a Enel informa que as tarifas homologadas em 2025 passaram a valer em julho daquele ano, reforçando que o custo por kWh muda com o tempo e precisa ser conferido na distribuidora local.
A leitura mais segura desse ranking, portanto, é usar os números como um ponto de partida para a pesquisa e cruzá-los com a etiqueta do Inmetro, a ficha técnica oficial e a tarifa efetivamente cobrada na conta de energia da residência.
Esse cuidado é ainda mais importante porque algumas das informações de consumo e de tecnologia publicadas no comparativo não coincidem integralmente com dados exibidos por fabricantes e varejistas para certos modelos de destaque, especialmente na categoria intermediária.


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