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Astronautas que voltaram do espaço perderam os calos dos pés, sentiram dor ao caminhar na gravidade e revelam adaptação bizarra que desafia missões longas a Marte

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 03/07/2026 às 14:39 Atualizado em 03/07/2026 às 14:44
Entenda por que astronautas voltam do espaço com perda de calos nos pés, dor ao caminhar e readaptação difícil após meses em órbita.
Entenda por que astronautas voltam do espaço com perda de calos nos pés, dor ao caminhar e readaptação difícil após meses em órbita.
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Longas permanências em microgravidade podem deixar os pés mais sensíveis, alterar o equilíbrio e dificultar a caminhada nos primeiros dias de volta à Terra. Relatos de astronautas e dados da NASA mostram como mudanças discretas do corpo pesam no planejamento de missões a Marte.

Astronautas submetidos a longos períodos em microgravidade podem voltar à Terra com os pés mais sensíveis, perda de calos na sola e dificuldade inicial para caminhar, uma adaptação pouco lembrada que ajuda a explicar os desafios físicos de missões espaciais prolongadas.

Fora da gravidade terrestre, a pressão contínua do corpo contra o chão deixa de existir, enquanto a locomoção na Estação Espacial Internacional passa a depender de apoios, barras e estruturas internas usadas para deslocamento em ambiente de flutuação.

O astronauta Scott Kelly, da NASA, relatou em uma sessão pública de perguntas e respostas que os calos dos pés “eventualmente caem” no espaço, deixando a sola muito macia, enquanto a parte superior fica mais áspera pelo uso de trilhos de apoio.

Embora pareça uma curiosidade isolada, o fenômeno mostra como o corpo humano se reorganiza quando tarefas básicas deixam de ser executadas sob a ação da gravidade, como ficar em pé, apoiar o próprio peso, caminhar em linha reta ou mudar de direção.

Por que os pés mudam no espaço

Na Terra, a pele da sola engrossa em resposta ao atrito e à carga mecânica da rotina, seja durante uma caminhada comum, uma corrida, uma subida de escada ou o simples ato de permanecer parado por alguns minutos.

Entenda por que astronautas voltam do espaço com perda de calos nos pés, dor ao caminhar e readaptação difícil após meses em órbita.
Entenda por que astronautas voltam do espaço com perda de calos nos pés, dor ao caminhar e readaptação difícil após meses em órbita.

Durante a permanência em órbita, esse estímulo praticamente desaparece, porque astronautas não caminham como fariam em solo terrestre e passam a impulsionar o corpo com as mãos, prender os pés em apoios ou flutuar entre módulos da estação.

No retorno, a gravidade volta a exigir sustentação imediata, e regiões que ficaram menos exigidas durante meses precisam reassumir rapidamente uma função essencial para a locomoção, a estabilidade e a percepção corporal.

Essa readaptação não se limita à pele dos pés, já que músculos, ossos, circulação e equilíbrio também sofrem ajustes durante o voo espacial e precisam de acompanhamento médico e físico depois do pouso.

Readaptação à gravidade depois de missões espaciais

Segundo a NASA, astronautas podem perder massa muscular mais rapidamente em microgravidade quando não seguem dieta e rotina adequadas de exercícios, além de sofrerem redução de densidade mineral óssea durante missões espaciais prolongadas.

A agência também informa que os fluidos corporais se deslocam em direção à cabeça nesse ambiente, uma alteração capaz de afetar os olhos e exigir contramedidas para reduzir riscos à saúde durante e depois do voo.

Por esse motivo, voltar à Terra costuma ser tratado como uma etapa da missão, e não como um detalhe posterior ao pouso, pois o corpo precisa combinar novamente informações dos pés, dos músculos, da visão e do ouvido interno.

Sensação de pernas pesadas, dificuldade inicial para andar e instabilidade ao ficar de pé fazem parte de um quadro mais amplo de recondicionamento físico, especialmente após permanências longas em órbita baixa.

Mesmo com equipamentos de treino na Estação Espacial Internacional, a ausência de carga natural sobre o corpo não é totalmente substituída, porque o organismo continua respondendo a um ambiente muito diferente daquele em que evoluiu.

O desafio físico das viagens a Marte

A discussão ganha outra dimensão quando deixa a órbita terrestre e passa a envolver viagens a Marte, onde astronautas poderiam chegar depois de meses em trânsito e precisar executar tarefas complexas logo após a chegada.

Entenda por que astronautas voltam do espaço com perda de calos nos pés, dor ao caminhar e readaptação difícil após meses em órbita.
Entenda por que astronautas voltam do espaço com perda de calos nos pés, dor ao caminhar e readaptação difícil após meses em órbita.

Kelly apresentou sua missão de longa duração na Estação Espacial Internacional como uma etapa ligada a futuras missões a Marte e além, reforçando que estudar os efeitos da permanência no espaço faz parte da preparação para explorações mais distantes.

Ainda que a gravidade marciana seja menor que a da Terra, ela exige apoio, deslocamento, controle de postura, uso de trajes, operação de ferramentas e resposta a imprevistos em um ambiente sem estrutura médica comparável à terrestre.

Com dor nos pés, sensibilidade na sola, perda de equilíbrio ou queda de desempenho muscular, um astronauta teria menos margem para erro durante atividades críticas, especialmente em uma missão sem retorno rápido e sem equipe externa para assumir funções essenciais.

Microgravidade afeta mais do que músculos e ossos

A rotina de exercícios ajuda a reduzir parte dos danos físicos, mas não elimina todos os efeitos da microgravidade, já que o corpo economiza estruturas e respostas que deixam de ser usadas com a mesma intensidade durante meses.

Nesse contexto, a perda dos calos funciona como um sinal visível de uma transformação maior, pois mostra que até uma adaptação simples da pele depende diretamente do contato contínuo com o solo e da necessidade de sustentar peso.

Raciocínio semelhante vale para sistemas menos aparentes, como músculos profundos, mecanismos de equilíbrio e resposta cardiovascular, que também precisam voltar a atuar em um ambiente onde cada movimento recupera direção, peso e resistência.

A exploração espacial costuma ser associada a foguetes, escudos térmicos, cápsulas e sistemas de navegação, mas a viabilidade de uma missão tripulada também depende da capacidade de manter pessoas aptas para caminhar, trabalhar e reagir ao chegar ao destino.

Quando uma simples caminhada volta a exigir esforço, equilíbrio e tolerância à dor depois de meses em órbita, a pergunta para futuras missões fica inevitável: como preparar astronautas para pisar em Marte e trabalhar com segurança logo após uma viagem tão longa?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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