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As terras-raras ‘escondidas’ no Brasil podem valer trilhões, mas a falta de refinarias faz com que 90% do mercado continue dominado pela China

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/09/2025 às 12:35
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Brasil tem enormes reservas de terras-raras, mas sem refinarias vê a China dominar 90% do mercado e manter o monopólio da tecnologia do futuro.

O Brasil está sentado sobre uma riqueza capaz de redefinir seu papel na economia global: as terras-raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de carros elétricos, turbinas eólicas, satélites, mísseis, semicondutores e praticamente toda a cadeia da alta tecnologia moderna. Estima-se que os depósitos brasileiros possam valer trilhões de reais, mas a realidade é dura: o país não possui refinarias industriais capazes de transformar esse potencial em protagonismo.

Enquanto isso, a China segue controlando cerca de 90% do processamento mundial, mantendo um monopólio estratégico sobre a economia do futuro.

Brasil: gigante em reservas de terras-raras

De acordo com levantamentos geológicos, o Brasil possui uma das maiores reservas de terras-raras do mundo, com destaque para áreas como a Amazônia, Goiás, Bahia e Minas Gerais.

Os depósitos identificados poderiam colocar o país entre os grandes players globais desse mercado, ao lado de Austrália, EUA e China.

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No entanto, ter a reserva não basta. As terras-raras não são extraídas puras: elas estão misturadas em minérios complexos e exigem refinamento de alto nível para se tornarem utilizáveis na indústria tecnológica. É exatamente aí que o Brasil fica para trás.

O gargalo das refinarias

Atualmente, o Brasil exporta terras-raras em estado bruto ou em estágio inicial de beneficiamento. O problema é que o valor agregado está no refino, onde os elementos químicos são separados e transformados em compostos de alta pureza, prontos para baterias, ímãs e microchips.

Sem refinarias em escala industrial, o país acaba exportando barato e importando caro — um ciclo que repete o padrão histórico da mineração nacional, em que as riquezas saem do subsolo praticamente de graça e retornam em forma de produtos sofisticados a preços elevados.

O monopólio chinês

Enquanto o Brasil patina, a China consolidou um domínio quase absoluto sobre o setor. Hoje, 90% de todo o refino global de terras-raras está sob controle chinês.

Mais do que isso: Pequim usa essa posição estratégica como instrumento de poder geopolítico, já tendo restringido exportações em momentos de tensão diplomática.

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Esse monopólio significa que mesmo países com grandes reservas, como Brasil, EUA e Índia, continuam dependentes da indústria chinesa para acessar insumos críticos da transição energética e da tecnologia de ponta.

O impacto econômico e estratégico

Especialistas apontam que as terras-raras podem ser para o século XXI o que o petróleo foi no século XX. Sem elas, não há baterias para carros elétricos, não há celulares, não há satélites, não há turbinas eólicas. O Brasil poderia, em tese, usar suas reservas para se tornar protagonista da revolução energética e digital.

Mas a ausência de refinarias deixa o país na posição de fornecedor periférico. O resultado é um enorme desperdício de valor: bilhões deixam de ser captados em impostos, empregos industriais e cadeias produtivas de alta tecnologia.

Oportunidade ou risco de repetir a história

A questão das terras-raras é simbólica de um dilema maior: o Brasil quer ser apenas um exportador de commodities ou deseja se posicionar como potência tecnológica?

As terras-raras escondidas no Brasil podem valer trilhões, mas a falta de refinarias faz com que 90% do mercado continue dominado pela China
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Se nada mudar, o risco é repetir o passado do ouro, do café, da borracha e do minério de ferro — riquezas que saíram do país sem gerar desenvolvimento proporcional.

Para especialistas, o caminho é claro: investir em refino nacional, atrair tecnologia de ponta, estimular parcerias com universidades e empresas e transformar o potencial geológico em cadeias industriais completas. Só assim o país poderá disputar espaço com a China e capturar o valor estratégico de seus recursos.

O futuro em jogo

As terras-raras escondidas no subsolo brasileiro podem ser o passaporte para o país se projetar como potência da transição energética.

Mas, sem ação rápida, essa riqueza continuará a servir aos interesses estrangeiros, enquanto a China mantém firme seu monopólio global.

O que está em jogo não é apenas economia, mas soberania. Em um mundo cada vez mais dependente de tecnologia, quem controla os insumos críticos controla o futuro. E o Brasil, apesar de ter o tesouro, ainda assiste de fora ao jogo que poderia liderar.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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