Investigação do Greenpeace mostra como permissões sem mineração real ajudam a mascarar a origem do ouro extraído ilegalmente na floresta amazônica.
A exploração ilegal de ouro na Amazônia brasileira segue movimentando bilhões de dólares e desafiando a fiscalização federal.
Segundo investigação do Greenpeace, divulgada pela Reuters em maio de 2026, permissões minerárias emitidas para áreas sem atividade real vêm sendo usadas para dar aparência legal ao metal retirado de garimpos clandestinos.
O levantamento também aponta que o esquema continuou ativo mesmo após o reforço das operações do governo federal contra o garimpo ilegal desde 2023.
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O estudo mostra que autorizações de lavra sem sinais de extração funcionam como uma fachada documental.
Na prática, o ouro retirado de áreas irregulares pode entrar no mercado com aparência de origem legal.
De acordo com o Greenpeace, cerca de 26,8 toneladas de ouro foram comercializadas por meio dessas permissões entre 2018 e março de 2026.
Esse volume movimentou aproximadamente US$ 3,88 bilhões, conforme os dados citados na investigação.
Investigação revela uso de licenças sem mineração real
A apuração analisou 187 áreas florestais com autorizações emitidas pela Agência Nacional de Mineração.
Essas áreas ficam próximas a territórios indígenas e unidades de proteção ambiental na Amazônia brasileira.
No entanto, 98 áreas não apresentavam sinais de atividade mineradora, apesar da existência formal das permissões.
O levantamento indica que parte dessas licenças pode ter sido usada para justificar a venda de ouro extraído em outros locais.
Segundo o Greenpeace, esse mecanismo dificulta o rastreamento do metal e favorece a permanência do garimpo ilegal.
A prática cria uma camada documental que mascara a origem real do ouro.
Sobrevoos mostram contraste entre áreas licenciadas e garimpo ativo
Durante a apuração, equipes da Reuters sobrevoaram duas áreas incluídas no estudo.
Apesar das autorizações formais, os jornalistas não encontraram sinais de mineração nesses pontos.
Pouco depois, uma operação ilegal ativa foi identificada em área protegida a poucos minutos de voo.
Esse contraste reforçou as suspeitas sobre o uso de permissões sem lavra real.
Os registros também levantaram dúvidas sobre a capacidade de fiscalização em regiões remotas da floresta.
A presença de garimpos ilegais próximos a áreas protegidas ampliou a preocupação ambiental.
Territórios indígenas sofrem com rios contaminados e perda da fauna
Parte do material analisado aponta relação com áreas próximas a territórios indígenas.
Entre elas, aparecem regiões ligadas ao povo Kayapó, no estado do Pará.
Lideranças locais relatam impactos ambientais severos provocados pelo avanço do garimpo ilegal.
Segundo esses relatos, a contaminação dos rios e a perda da fauna afetam diretamente a alimentação das comunidades.
A pressão sobre áreas tradicionais ameaça a rotina de populações que dependem da floresta.
Dessa forma, o problema ultrapassa a esfera econômica e alcança dimensões sociais e ambientais.

Fiscalização enfrenta desafio em larga escala na Amazônia
A Agência Nacional de Mineração informou que acompanha os casos citados pelo Greenpeace.
O órgão também destacou que o grande volume de autorizações na Amazônia representa um desafio de fiscalização em larga escala.
Ainda assim, o Greenpeace afirma que permissões emitidas para áreas sem exploração facilitam a continuidade do garimpo ilegal.
O caso expõe uma fragilidade relevante no controle da cadeia do ouro.
Com quase US$ 4 bilhões movimentados e dezenas de áreas sem mineração real, a investigação mostra como documentos formais podem sustentar um mercado de origem questionada.
Afinal, se o ouro ilegal consegue circular com aparência de legalidade, como garantir que a riqueza retirada da Amazônia não continue financiando destruição ambiental?

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