Nova linha de crédito em preparação pelo governo Lula pode facilitar a compra e a substituição de motos usadas por entregadores de aplicativo, prevê exigência de vínculo mínimo com plataformas digitais, discute o uso de fundo garantidor para reduzir riscos aos bancos, avalia a cobrança de seguro nas operações e pode beneficiar até 1,2 milhão de trabalhadores que dependem diariamente da motocicleta para gerar renda em todo o país
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma nova linha de crédito voltada a entregadores de aplicativos que desejam comprar ou substituir motos. A medida, ainda em fase de ajustes finais em junho de 2026, deve oferecer condições facilitadas para motociclistas que prestam serviço a plataformas digitais, como o iFood.
Técnicos que acompanham as discussões afirmam que o trabalhador precisará comprovar vínculo com uma plataforma por, pelo menos, seis meses para acessar o financiamento. Dessa forma, o governo busca direcionar o crédito a profissionais que já atuam no setor de entregas e dependem da motocicleta como ferramenta de trabalho.
Crédito para entregadores deve exigir vínculo com plataformas
A proposta surge depois do programa Move Aplicativos, voltado a motoristas de aplicativo. Agora, o foco do Executivo passa a ser o motociclista entregador, que enfrenta custos constantes com manutenção, troca de veículo e renovação da ferramenta de trabalho.
-
SpaceX define ação a US$ 135 e mira IPO histórico de US$ 75 bilhões para estrear na Nasdaq com valor de mercado trilionário
-
Enquanto o mundo corre para minerar o lítio do Congo e do Chile, o Brasil senta sobre uma das maiores reservas e mal começou a explorar
-
Herdeiro trabalhou aos treze anos em fábrica de sorvete sem revelar ser filho do dono; hoje, aos vinte e cinco, lidera a marca de sorvete para consumo doméstico mais vendida do Nordeste, fatura quase R$ 300 milhões, tem 145 lojas e enfrenta multinacionais com sabores regionais
-
Fabricante gaúcha de fechaduras investe R$ 150 milhões para superar R$ 1 bilhão em faturamento, criar 200 empregos e dobrar armazenagem, enquanto escolhe Santa Catarina para instalar novo centro logístico e acelerar entregas no Sul do Brasil
A exigência de vínculo com uma plataforma também teria uma função operacional importante. O governo quer permitir que a parcela do empréstimo seja descontada diretamente da remuneração creditada na conta bancária do entregador.
Com isso, a operação poderia reduzir riscos para bancos e facilitar a aprovação do financiamento. Ainda assim, as instituições financeiras avaliam dificuldades na recuperação de motos em caso de inadimplência, diferentemente do que ocorre com carros.
Fundo garantidor pode reduzir juros do financiamento
Para reduzir os juros e compensar o risco de calote, o governo estuda usar recursos de um fundo garantidor. Entre as alternativas analisadas está o Fundo de Garantia de Operações, conhecido como FGO.
Esse mecanismo poderia cobrir eventuais perdas dos bancos e tornar o crédito mais viável para trabalhadores com renda variável. A cobrança de um seguro também está em discussão dentro do desenho da proposta.
O público potencial estimado pelos técnicos varia entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. Assim, a linha de crédito pode alcançar uma parcela expressiva dos profissionais que atuam nas entregas por aplicativo.
Motos elétricas também entram no plano do governo
O valor médio de uma motocicleta considerado nas discussões é de R$ 17,8 mil. Esse custo fica bem abaixo do teto de R$ 150 mil previsto no Move Aplicativos, programa criado para financiar veículos usados por motoristas de aplicativo.
Os recursos também poderão ser usados na compra de motos elétricas. Esses modelos custam, em média, entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, conforme os valores citados nas discussões internas.
A proposta não deve exigir que a fabricante seja nacional. Portanto, o financiamento poderá contemplar diferentes marcas e modelos, desde que o desenho final da linha de crédito mantenha essa possibilidade.
Anúncio ainda depende de ajustes finais
A medida ainda não foi lançada oficialmente. No entanto, segundo as informações em discussão no governo, Lula tem pressa para anunciar o financiamento ainda em junho de 2026.
A nova linha de crédito integra um conjunto de ações do Executivo em ano eleitoral. Embora o programa ainda dependa de definições técnicas, ele já aparece como uma das principais apostas para alcançar motociclistas que trabalham com entregas por aplicativo.
Com juros facilitados, possível uso do FGO, desconto direto na remuneração e abertura para motos elétricas, o crédito pode mudar a forma como entregadores financiam sua principal ferramenta de trabalho nos próximos meses?

Seja o primeiro a reagir!