Arqueólogos localizam artefato com até 3 mil anos em Parintins; descoberta pode revelar novos detalhes sobre antigos povos amazônicos.
Uma descoberta arqueológica realizada em Parintins, no interior do Amazonas, chamou a atenção de pesquisadores devido ao estado de conservação de uma peça produzida há aproximadamente 2 mil a 3 mil anos. Encontrado durante escavações em um sítio arqueológico situado na área histórica da cidade, o objeto poderá fornecer novas informações sobre populações que ocuparam a Amazônia em períodos antigos. O material foi localizado na quinta-feira (4), enterrado a cerca de 80 centímetros de profundidade.
Segundo publicado pelo g1, o vasilhame foi recuperado praticamente inteiro, condição considerada incomum em comparação a outros vestígios já encontrados na região. O artefato passará por análises especializadas em laboratório juntamente com outros materiais descobertos durante o projeto.
Descoberta se destaca entre achados de Parintins
As atividades arqueológicas desenvolvidas no sítio Companhia Têxtil de Parintins vêm revelando diferentes evidências históricas desde o início das escavações, realizadas no ano passado. Entretanto, o novo objeto despertou interesse especial dos pesquisadores por apresentar um nível de preservação raramente observado no local.
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De acordo com a arqueóloga Clarice Bianchezzi, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a relevância do achado está justamente na possibilidade de obter informações mais completas sobre a peça.
Em declaração aos pesquisadores, ela explicou que fragmentos semelhantes já haviam sido identificados anteriormente, mas destacou que este é o primeiro exemplar encontrado em condição muito mais próxima da original. Segundo a especialista, isso aumenta significativamente o potencial de estudos sobre o material.
O que o artefato pode revelar?
A análise do vasilhame poderá contribuir para a compreensão dos grupos humanos que viveram na região amazônica milhares de anos atrás.
Entre os aspectos que poderão ser investigados estão:
- Técnicas utilizadas na fabricação da cerâmica;
- Características culturais dos povos antigos;
- Formas de ocupação do território amazônico;
- Relações entre diferentes comunidades da região;
- Processos de expansão populacional ao longo do tempo.
Os especialistas acreditam que cada detalhe preservado na peça pode ajudar a reconstruir parte da história das sociedades que habitaram a Amazônia antes do período colonial.

Arqueólogos associam peça à tradição Pocó
Outra informação considerada importante pelos pesquisadores envolve a possível origem cultural do objeto.
Segundo a arqueóloga Helena Lima, vinculada ao Museu Emílio Goeldi, as características observadas na cerâmica indicam ligação com a chamada tradição Pocó. Esse conjunto de manifestações culturais esteve presente em diferentes áreas da Bacia Amazônica entre aproximadamente 2 mil e 3 mil anos atrás.
A pesquisadora ressaltou que essas populações participaram de um amplo processo de ocupação territorial na Amazônia. Conforme explicou, estudos desenvolvidos ao longo de mais de duas décadas mostram que esse tipo de cerâmica está relacionado à expansão de grupos humanos por diversas regiões amazônicas.
Parintins reúne dezenas de áreas arqueológicas
O novo achado reforça a importância de Parintins para os estudos históricos e arqueológicos da Amazônia.
Atualmente, o município possui 42 sítios arqueológicos já identificados e registrados pelos pesquisadores. Esses locais guardam vestígios que ajudam a compreender a presença humana na região ao longo dos séculos.
Além da produção de conhecimento científico, os trabalhos realizados nesses espaços também possuem papel relevante na formação de novos profissionais da área. As pesquisas permitem que estudantes e especialistas desenvolvam atividades de campo e ampliem a documentação do patrimônio arqueológico amazônico.
Próximas etapas da investigação
Após a retirada cuidadosa do solo, o artefato seguirá para procedimentos de catalogação e análise técnica. O mesmo processo será aplicado aos demais materiais encontrados durante as escavações.
Os estudos laboratoriais deverão examinar aspectos como composição, técnicas de produção e estado de conservação da peça. Essas informações poderão ser comparadas a outros registros arqueológicos da Amazônia.
Enquanto isso, as escavações continuam no sítio localizado na orla de Parintins. A expectativa dos pesquisadores é que novas descobertas ajudem a complementar o conhecimento sobre os antigos habitantes da região.
O vasilhame encontrado nesta semana representa um dos resultados mais expressivos já registrados no local. Para os arqueólogos envolvidos no projeto, a peça reforça o potencial científico de Parintins e demonstra que o subsolo amazônico ainda guarda importantes capítulos da história humana à espera de serem revelados.
Fonte: g1

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