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Arma criada para enfrentar o Exército Soviético reaparece na Ucrânia, volta ao campo contra a Rússia com projéteis de 90 quilos, histórico nuclear e poder brutal que pode mudar o rumo da guerra

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Escrito por Carla Teles Publicado em 14/04/2026 às 20:32 Atualizado em 15/04/2026 às 20:37
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M110 na Ucrânia: histórico nuclear, Grécia e República Tcheca explicam por que o obuseiro voltou e o que muda na guerra.
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M110A2 reaparece na Ucrânia após acordo com a Grécia e apoio da República Tcheca, e seu histórico nuclear volta ao debate com projéteis de 90 quilos.

O histórico nuclear do M110A2 é o detalhe que transforma um “canhão antigo” em um símbolo de outra era que, de repente, volta a fazer sentido no presente. Criado no auge da Guerra Fria, o sistema foi pensado para um cenário extremo: parar uma ofensiva soviética com destruição tática.

Agora, com o M110A2 reaparecendo na Ucrânia e operando contra a Rússia, o choque não está em tecnologia de ponta. Está na escala do impacto. São projéteis de 90 quilos, alcance de até 30 quilômetros e uma capacidade de “atirar, mover e atirar de novo” antes de virar alvo.

O que é o M110A2 e por que ele voltou

O M110A2 é descrito como o maior obuseiro autopropulsado que os Estados Unidos colocaram em campo. Na prática, é um canhão de artilharia montado sobre um veículo de esteiras, como um tanque, com foco em entregar fogo pesado.

Durante décadas, muitos exércitos trataram esse tipo de arma como obsoleta. Só que a Ucrânia passou a olhar para ele de outra forma: um sistema antigo que ainda entrega destruição em volume, algo que pode pesar quando a guerra vira desgaste.

Projéteis de 90 quilos e alcance de até 30 quilômetros

O ponto mais direto do M110A2 é o peso do disparo. Ele lança projéteis de 90 quilos, quase o peso de uma pessoa adulta, a uma distância de até 30 quilômetros. O conjunto é movido por esteiras e tem motor de 405 cavalos, permitindo reposicionamento rápido depois do tiro.

Não é um sistema descrito como moderno ou “bonito”. A força dele está em outra lógica: impacto bruto e repetição, especialmente quando há munição suficiente para sustentar o ritmo.

O histórico nuclear que manteve o M110A2 relevante por décadas

O histórico nuclear do M110A2 é a principal razão apontada para sua longevidade. O sistema foi projetado para disparar ogivas nucleares táticas. Os Estados Unidos teriam fabricado 2.000 projéteis nucleares W-33 voltados especificamente para essa arma.

As estimativas citadas para esses projéteis chegam a até 40 quilotons, com comparação direta ao poder da bomba de Hiroshima, descrita como 15. Essa era a função original: se a União Soviética avançasse, o M110A2 seria uma resposta de destruição nuclear tática, lançada por um canhão sobre esteiras. Esse histórico nuclear não está sendo usado hoje, mas explica por que a arma sempre foi tratada como algo fora da curva.

Quando a Guerra Fria acabou, a história não terminou

O M110A2 foi aposentado nos anos 1990, mas os canos não viraram sucata. A trajetória descrita inclui um reaproveitamento surpreendente: os canos foram cortados, preenchidos com explosivos e usados como carcaça de uma bomba.

Esse reaproveitamento virou um novo capítulo do mesmo objeto e reforça a ideia de que, no caso do M110A2, o “fim” nunca é simples. O histórico nuclear começa a história, mas não é o único ponto que faz a arma reaparecer como peça simbólica.

De cano de obuseiro a bomba GBU-28, a “bunker buster”

M110 na Ucrânia: histórico nuclear, Grécia e República Tcheca explicam por que o obuseiro voltou e o que muda na guerra.

O relato coloca os canos do M110A2 no centro da criação da GBU-28, uma bomba desenvolvida em duas semanas durante a Guerra do Golfo, quando os EUA buscavam uma forma de penetrar abrigos fortificados subterrâneos.

A GBU-28 é descrita como capaz de penetrar mais de 30 metros de terra ou 6 metros de concreto maciço. Duas teriam sido lançadas no conflito, com a segunda atingindo um abrigo iraquiano e detonando no interior. Depois, Israel teria comprado 100 dessas bombas, associadas por muitos à possibilidade de uso contra instalações nucleares do Irã. Esse trecho reforça o contraste: um mesmo projeto que carrega histórico nuclear também virou base de munição de penetração extrema.

Como 60 M110A2 saíram da Grécia e chegaram à Ucrânia

O caminho até a Ucrânia passa pela Grécia. O país teria 145 M110A2 em depósitos, sistemas dos anos 1980 que ficaram obsoletos com a modernização do arsenal para padrões da OTAN. A venda citada inclui 60 obuseiros e 150 mil projéteis, por 199 milhões de euros.

O argumento de custo aparece como ponto central: cada M110A2 teria saído por cerca de 520 mil euros, enquanto um tanque moderno pode custar de 5 a 10 milhões de euros. O acordo gerou debate interno, inclusive porque parte dessas armas estava em ilhas gregas no mar Egeu, perto da Turquia. Ainda assim, a cúpula militar grega teria classificado o M110A2 como “militarmente não necessário” e seguiu com a transferência.

A Iniciativa Tcheca e a logística que acelera entregas

A República Tcheca entra como peça logística. O relato descreve um programa chamado Iniciativa Tcheca, criado para comprar munição e armas em países terceiros e entregar diretamente à Ucrânia.

A escala apresentada é grande: cerca de 4,4 milhões de unidades de munição pesada entregues, vindas de 14 países. Também é citado que, no início da guerra, a Rússia disparava “dez para um” contra a Ucrânia e que essa desvantagem teria sido reduzida para “dois para um”. Nesse fluxo, os M110A2 chegaram acompanhados por munição variada, incluindo 50 mil projéteis explosivos, 40 mil com propulsão por foguete e 60 mil munições de fragmentação.

Por que uma arma antiga pode ganhar relevância em 2026

A lógica apresentada é de desgaste. A guerra “rápida” não aconteceu e a artilharia virou um dos centros do conflito. O texto descreve perdas grandes de sistemas russos e também metas ucranianas de ampliar pressão, com a ideia de que armas que entregam destruição em volume, de forma consistente, podem ser mais decisivas do que armas futuristas em número pequeno.

Nesse contexto, o M110A2 volta a ser útil por um motivo simples: muita munição, tiro pesado e reposicionamento. E o histórico nuclear funciona como uma camada extra de peso simbólico, porque lembra para que o sistema foi criado.

O que muda com drones, “atire e mova” e o golpe pesado

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O relato também coloca drones como “olhos” que identificam posições e transmitem coordenadas em tempo real para a artilharia. Nesse quadro, o M110A2 aparece como o “golpe pesado”, operando ao lado de outros sistemas, com o objetivo de saturar posições e manter pressão constante.

Aqui, o detalhe é operacional, mas o resultado é estratégico: quando a artilharia consegue bater e mudar de posição rápido, o custo de responder cresce, e cada sistema antigo que volta ao campo amplia o volume total de fogo.

O que o histórico nuclear representa agora

O histórico nuclear do M110A2 não significa que a arma esteja sendo usada com ogivas nucleares. A própria narrativa reforça que, hoje, isso não está acontecendo e nem “precisa” acontecer para causar impacto. Mesmo assim, o histórico nuclear explica por que o M110 sempre foi tratado como algo mais do que um canhão comum, e por que sua volta chama atenção.

Se a guerra é feita de volume, logística e desgaste, uma arma antiga com histórico nuclear e munição abundante pode voltar a pesar, mesmo sem modernização.

Você acha que a volta de um sistema com histórico nuclear como o M110A2 é mais um símbolo da Guerra Fria reaparecendo, ou é um sinal de que artilharia “antiga” ainda decide muita coisa em guerras longas?

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Carla Teles

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