M110A2 reaparece na Ucrânia após acordo com a Grécia e apoio da República Tcheca, e seu histórico nuclear volta ao debate com projéteis de 90 quilos.
O histórico nuclear do M110A2 é o detalhe que transforma um “canhão antigo” em um símbolo de outra era que, de repente, volta a fazer sentido no presente. Criado no auge da Guerra Fria, o sistema foi pensado para um cenário extremo: parar uma ofensiva soviética com destruição tática.
Agora, com o M110A2 reaparecendo na Ucrânia e operando contra a Rússia, o choque não está em tecnologia de ponta. Está na escala do impacto. São projéteis de 90 quilos, alcance de até 30 quilômetros e uma capacidade de “atirar, mover e atirar de novo” antes de virar alvo.
O que é o M110A2 e por que ele voltou
O M110A2 é descrito como o maior obuseiro autopropulsado que os Estados Unidos colocaram em campo. Na prática, é um canhão de artilharia montado sobre um veículo de esteiras, como um tanque, com foco em entregar fogo pesado.
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Durante décadas, muitos exércitos trataram esse tipo de arma como obsoleta. Só que a Ucrânia passou a olhar para ele de outra forma: um sistema antigo que ainda entrega destruição em volume, algo que pode pesar quando a guerra vira desgaste.
Projéteis de 90 quilos e alcance de até 30 quilômetros
O ponto mais direto do M110A2 é o peso do disparo. Ele lança projéteis de 90 quilos, quase o peso de uma pessoa adulta, a uma distância de até 30 quilômetros. O conjunto é movido por esteiras e tem motor de 405 cavalos, permitindo reposicionamento rápido depois do tiro.
Não é um sistema descrito como moderno ou “bonito”. A força dele está em outra lógica: impacto bruto e repetição, especialmente quando há munição suficiente para sustentar o ritmo.
O histórico nuclear que manteve o M110A2 relevante por décadas
O histórico nuclear do M110A2 é a principal razão apontada para sua longevidade. O sistema foi projetado para disparar ogivas nucleares táticas. Os Estados Unidos teriam fabricado 2.000 projéteis nucleares W-33 voltados especificamente para essa arma.
As estimativas citadas para esses projéteis chegam a até 40 quilotons, com comparação direta ao poder da bomba de Hiroshima, descrita como 15. Essa era a função original: se a União Soviética avançasse, o M110A2 seria uma resposta de destruição nuclear tática, lançada por um canhão sobre esteiras. Esse histórico nuclear não está sendo usado hoje, mas explica por que a arma sempre foi tratada como algo fora da curva.
Quando a Guerra Fria acabou, a história não terminou
O M110A2 foi aposentado nos anos 1990, mas os canos não viraram sucata. A trajetória descrita inclui um reaproveitamento surpreendente: os canos foram cortados, preenchidos com explosivos e usados como carcaça de uma bomba.
Esse reaproveitamento virou um novo capítulo do mesmo objeto e reforça a ideia de que, no caso do M110A2, o “fim” nunca é simples. O histórico nuclear começa a história, mas não é o único ponto que faz a arma reaparecer como peça simbólica.
De cano de obuseiro a bomba GBU-28, a “bunker buster”

O relato coloca os canos do M110A2 no centro da criação da GBU-28, uma bomba desenvolvida em duas semanas durante a Guerra do Golfo, quando os EUA buscavam uma forma de penetrar abrigos fortificados subterrâneos.
A GBU-28 é descrita como capaz de penetrar mais de 30 metros de terra ou 6 metros de concreto maciço. Duas teriam sido lançadas no conflito, com a segunda atingindo um abrigo iraquiano e detonando no interior. Depois, Israel teria comprado 100 dessas bombas, associadas por muitos à possibilidade de uso contra instalações nucleares do Irã. Esse trecho reforça o contraste: um mesmo projeto que carrega histórico nuclear também virou base de munição de penetração extrema.
Como 60 M110A2 saíram da Grécia e chegaram à Ucrânia
O caminho até a Ucrânia passa pela Grécia. O país teria 145 M110A2 em depósitos, sistemas dos anos 1980 que ficaram obsoletos com a modernização do arsenal para padrões da OTAN. A venda citada inclui 60 obuseiros e 150 mil projéteis, por 199 milhões de euros.
O argumento de custo aparece como ponto central: cada M110A2 teria saído por cerca de 520 mil euros, enquanto um tanque moderno pode custar de 5 a 10 milhões de euros. O acordo gerou debate interno, inclusive porque parte dessas armas estava em ilhas gregas no mar Egeu, perto da Turquia. Ainda assim, a cúpula militar grega teria classificado o M110A2 como “militarmente não necessário” e seguiu com a transferência.
A Iniciativa Tcheca e a logística que acelera entregas
A República Tcheca entra como peça logística. O relato descreve um programa chamado Iniciativa Tcheca, criado para comprar munição e armas em países terceiros e entregar diretamente à Ucrânia.
A escala apresentada é grande: cerca de 4,4 milhões de unidades de munição pesada entregues, vindas de 14 países. Também é citado que, no início da guerra, a Rússia disparava “dez para um” contra a Ucrânia e que essa desvantagem teria sido reduzida para “dois para um”. Nesse fluxo, os M110A2 chegaram acompanhados por munição variada, incluindo 50 mil projéteis explosivos, 40 mil com propulsão por foguete e 60 mil munições de fragmentação.
Por que uma arma antiga pode ganhar relevância em 2026
A lógica apresentada é de desgaste. A guerra “rápida” não aconteceu e a artilharia virou um dos centros do conflito. O texto descreve perdas grandes de sistemas russos e também metas ucranianas de ampliar pressão, com a ideia de que armas que entregam destruição em volume, de forma consistente, podem ser mais decisivas do que armas futuristas em número pequeno.
Nesse contexto, o M110A2 volta a ser útil por um motivo simples: muita munição, tiro pesado e reposicionamento. E o histórico nuclear funciona como uma camada extra de peso simbólico, porque lembra para que o sistema foi criado.
O que muda com drones, “atire e mova” e o golpe pesado
O relato também coloca drones como “olhos” que identificam posições e transmitem coordenadas em tempo real para a artilharia. Nesse quadro, o M110A2 aparece como o “golpe pesado”, operando ao lado de outros sistemas, com o objetivo de saturar posições e manter pressão constante.
Aqui, o detalhe é operacional, mas o resultado é estratégico: quando a artilharia consegue bater e mudar de posição rápido, o custo de responder cresce, e cada sistema antigo que volta ao campo amplia o volume total de fogo.
O que o histórico nuclear representa agora
O histórico nuclear do M110A2 não significa que a arma esteja sendo usada com ogivas nucleares. A própria narrativa reforça que, hoje, isso não está acontecendo e nem “precisa” acontecer para causar impacto. Mesmo assim, o histórico nuclear explica por que o M110 sempre foi tratado como algo mais do que um canhão comum, e por que sua volta chama atenção.
Se a guerra é feita de volume, logística e desgaste, uma arma antiga com histórico nuclear e munição abundante pode voltar a pesar, mesmo sem modernização.
Você acha que a volta de um sistema com histórico nuclear como o M110A2 é mais um símbolo da Guerra Fria reaparecendo, ou é um sinal de que artilharia “antiga” ainda decide muita coisa em guerras longas?

