Reajustes anunciados pela Apple em 25 de junho atingem MacBooks, iPads, HomePod e Apple TV após forte alta nos custos de memória e armazenamento
Segundo a empresa, o avanço dos data centers de inteligência artificial elevou rapidamente a demanda por componentes utilizados em computadores, tablets e outros eletrônicos.
A companhia afirmou que conseguiu absorver os gastos durante algum tempo. A pressão sobre os custos, porém, levou ao reajuste de diferentes produtos.
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O iPhone não foi incluído nas mudanças anunciadas pela fabricante. O aparelho permanece como a principal fonte de receita da empresa.
MacBook Neo fica US$ 100 mais caro poucos meses após o lançamento
O MacBook Neo, modelo mais barato da Apple, passou de US$ 599 para US$ 699.
Lançado em março de 2026, o notebook foi desenvolvido para competir com computadores acessíveis equipados com Windows e com os Chromebooks.
O novo preço retirou a vantagem de US$ 100 que o aparelho mantinha sobre o Dell XPS 13.
Lançado no mês anterior, o modelo da Dell também custa US$ 699 e disputa diretamente o mesmo público.
A mudança ainda colocou o MacBook Neo acima do preço de alguns Chromebooks comercializados por Lenovo e Asus.
Apple aplica reajustes de até US$ 300 em MacBooks e iPads
Os valores publicados no site da Apple mostram aumentos em modelos básicos e configurações mais avançadas.
Entre os principais reajustes anunciados estão:
- MacBook Neo: de US$ 599 para US$ 699;
- MacBook Air com 512 GB: de US$ 1.099 para US$ 1.299;
- MacBook Pro com 1 TB: de US$ 1.699 para US$ 1.999;
- iPad Air com 128 GB: de US$ 599 para US$ 749.
Os aumentos chegam a US$ 300, conforme a configuração escolhida pelo consumidor.
A Apple também elevou os preços das duas versões do HomePod e do dispositivo de transmissão Apple TV.
Os novos valores desses aparelhos, entretanto, não foram detalhados pela companhia no anúncio.
As ações da Apple recuavam 0,7% nas negociações de pré-abertura da bolsa após a divulgação dos reajustes.
Tim Cook já havia alertado sobre custos maiores com memória
A Apple informou, em abril de 2026, que seus estoques ajudaram a manter a margem de lucro acima das expectativas do mercado.
O alerta sobre os custos, contudo, já havia sido apresentado aos investidores.
Durante uma conferência com analistas no fim de abril, o CEO Tim Cook declarou que a empresa esperava despesas significativamente maiores com memória.
O executivo também afirmou que o impacto desses componentes aumentaria progressivamente sobre os negócios da fabricante.
A companhia confirmou, em junho, que chegou ao ponto de não conseguir mais absorver integralmente a elevação dos gastos.
Inteligência artificial dispara procura por chips de memória
A expansão da inteligência artificial tem provocado uma forte corrida por chips utilizados em servidores e data centers.
Fabricantes de memória, como a Micron, passaram a priorizar encomendas ligadas ao setor de IA, incluindo pedidos de empresas como a Nvidia.
A estratégia impulsionou os resultados das fabricantes. A oferta destinada a computadores, tablets e smartphones, por outro lado, foi reduzida.
O desequilíbrio obrigou empresas de eletrônicos a repassarem parte dos custos adicionais aos consumidores.
A Micron anunciou, na quarta-feira, 24 de junho, US$ 22 bilhões em compromissos de longo prazo com clientes interessados em garantir o fornecimento.
Preço da memória DRAM sobe até 98% em 2026
Dados da consultoria TrendForce mostram que os preços da memória DRAM avançaram até 98% no primeiro trimestre de 2026.
A projeção para o trimestre atual indica uma nova alta entre 58% e 63%.
A DRAM está presente em praticamente todos os dispositivos eletrônicos modernos. Qualquer aumento expressivo pode afetar diretamente os custos de produção.
Especialistas passaram a chamar o fenômeno de “RAMageddon”, em referência à velocidade e à intensidade dos reajustes.
A construção acelerada de data centers voltados à inteligência artificial aparece como um dos principais motores dessa pressão.
Mercado de smartphones e computadores pode encolher
A consultoria IDC estima que o mercado mundial de smartphones poderá registrar queda de quase 14% em 2026.
O resultado representaria a maior retração anual já observada no segmento.
As vendas globais de computadores, por sua vez, deverão diminuir 11,3% no mesmo período.
Preços mais altos podem limitar a procura por novos aparelhos, especialmente entre consumidores que buscavam modelos de entrada.
Ben Bajarin, CEO da Creative Strategies, avalia que o mercado de memória continuará estruturalmente desafiador no futuro próximo.
O reajuste promovido por uma empresa com uma cadeia de suprimentos eficiente aumenta a preocupação sobre o restante da indústria.
Aumento da Apple pode antecipar reajustes em outras marcas
A decisão da Apple reforça que os efeitos do avanço da inteligência artificial não estão restritos às grandes empresas de tecnologia.
Consumidores de notebooks, tablets e outros eletrônicos já começam a sentir os reflexos da corrida global por componentes.
Outros fabricantes poderão adotar reajustes semelhantes caso a oferta de memória permaneça limitada e os custos continuem subindo.
A Apple declarou que reconhece que a mudança não representa uma notícia bem-vinda. A empresa também afirmou que trabalha para encontrar soluções.
Na sua opinião, outras fabricantes também aumentarão os preços de notebooks, tablets e smartphones por causa da inteligência artificial? Deixe seu comentário!
