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Após caso Itaú e ‘Big Brother’ de produtividade, Bradesco anuncia o fim do home office para cerca de 900 trabalhadores

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 09/12/2025 às 18:28 Atualizado em 09/12/2025 às 21:08
Bradesco encerra home office para 900 funcionários e amplia debate sobre retorno presencial e produtividade no setor financeiro brasileiro.
Bradesco encerra home office para 900 funcionários e amplia debate sobre retorno presencial e produtividade no setor financeiro brasileiro.
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Mudança no modelo de trabalho ocorre após pressões internas e decisões recentes de outros bancos, ampliando o debate sobre retorno presencial e monitoramento de produtividade no setor financeiro.

O Bradesco decidiu encerrar o regime de home office em duas áreas estratégicas e determinar o retorno ao trabalho 100% presencial de quase 900 funcionários a partir de janeiro de 2026.

A mudança ocorre no departamento de investimentos, com 844 bancários, e em uma diretoria da tesouraria, que reúne outros 50 trabalhadores, todos lotados na cidade de São Paulo e na região de Osasco, em meio ao intenso debate sobre controle de produtividade inaugurado pelo caso Itaú e pelo chamado “Big Brother de produtividade”.

Retorno aos escritórios no Bradesco

A decisão foi comunicada ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região em 4 de dezembro.

No caso de investimentos, o retorno está marcado para 2 de janeiro de 2026.

Já a tesouraria (mesa de clientes) tem previsão de volta integral ao presencial em 5 de janeiro de 2026, conforme informado pela instituição ao movimento sindical.

Segundo o sindicato, o banco informou que haverá estrutura física suficiente para receber todas as equipes e que a volta ao escritório deverá observar condições adequadas de trabalho.

A entidade afirma acompanhar o processo e insiste em que qualquer mudança de regime seja feita com atenção à saúde, segurança e organização do trabalho.

Ao mesmo tempo, o Bradesco reforça que mantém parte relevante de seu quadro em formato flexível.

Em nota, o banco afirma que cerca de 50% dos mais de 82 mil funcionários trabalham hoje em modelo híbrido e que a rotina de cada área é definida pelas respectivas lideranças, de acordo com as necessidades operacionais.

A instituição sustenta que “busca sempre um equilíbrio entre o presencial e o remoto, com foco na produtividade e no bem-estar das pessoas”.

Impacto no setor de investimentos e tesouraria

No setor de investimentos, os 844 empregados que hoje atuam de forma remota ou híbrida foram comunicados de que, a partir de janeiro, deverão comparecer diariamente aos escritórios.

A comunicação respeitou o prazo previsto na convenção coletiva para alterações de regime de trabalho, segundo o sindicato.

Na tesouraria, a mudança alcança uma das diretorias ligadas à mesa de clientes e envolverá cerca de 50 bancários.

Também nesse caso, o modelo presencial passa a ser regra, com início do novo formato em 5 de janeiro de 2026.

O Sindicato dos Bancários afirma que tem recebido relatos de preocupação com o impacto da mudança na rotina de quem reorganizou a vida pessoal em torno do teletrabalho.

A entidade destaca aspectos como deslocamento diário mais longo, custos adicionais e reorganização familiar para o cuidado com filhos e pessoas dependentes.

Mobilização dos trabalhadores e posicionamento do sindicato

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, classificou a decisão como um movimento de grande impacto na vida dos trabalhadores atingidos.

Segundo ela, muitos manifestaram indignação com o anúncio de volta integral ao presencial às vésperas do fim do ano.

Esta mudança causa impactos enormes na rotina e na qualidade de vida destes bancários, que de forma justa estão indignados com a mudança, uma péssima notícia neste final de ano para eles e suas famílias. O Sindicato quer ouvir estes bancários e, juntos, definir os próximos passos de um movimento de mobilização, que pressione o banco a negociar”, afirmou Neiva, em nota da entidade.

Para discutir o tema, o sindicato convocou uma plenária virtual com os trabalhadores impactados, marcada para 9 de dezembro, às 19h.

A expectativa é reunir bancários dos dois departamentos para colher relatos, alinhar reivindicações e deliberar sobre eventuais formas de pressão e negociação com a direção do banco.

A entidade afirma que pretende atuar para garantir que eventuais ajustes de jornada, readequações de espaço físico e condições de ergonomia sejam observados, bem como o respeito a casos específicos que possam exigir tratamento particularizado.

Caso Itaú reacende debate sobre monitoramento digital

O anúncio do Bradesco ocorre poucos meses depois da crise envolvendo o Itaú Unibanco, que demitiu cerca de mil funcionários em regime remoto ou híbrido após um processo de revisão de condutas associadas ao home office.

Na ocasião, o banco informou que os desligamentos decorreram de uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada”, sem detalhar a quantidade exata de trabalhadores dispensados.

Sindicatos e trabalhadores relataram o uso de ferramentas de monitoramento de atividade em computadores corporativos, com registros de períodos de “ociosidade” e inconsistências entre ponto eletrônico e uso efetivo dos sistemas internos.

A repercussão levou o episódio a ser associado ao “Big Brother de produtividade”, expressão usada para se referir a softwares que acompanham cliques, tempo de tela e engajamento em tarefas no ambiente digital.

Esse caso impulsionou o debate sobre os limites legais e éticos do controle patronal em regimes remoto e híbrido.

A discussão sobre o que configura baixa produtividade, como são produzidas as métricas de desempenho e de que forma o trabalhador é informado sobre a existência de monitoramento ganhou espaço nas mesas de negociação.

Nubank adota modelo híbrido progressivo

Outro ponto de pressão no debate sobre o futuro do trabalho no setor financeiro é a decisão do Nubank, que pôs fim ao modelo quase totalmente remoto adotado desde a pandemia.

A fintech comunicou a funcionários e ao sindicato que implementará um modelo híbrido estruturado a partir do segundo semestre de 2026.

Pelo cronograma divulgado pela empresa, o novo formato começa em 1º de julho de 2026, com pelo menos dois dias presenciais por semana nos escritórios.

A partir de 1º de janeiro de 2027, a exigência sobe para três dias de trabalho presencial, mantendo o restante da semana em regime remoto.

A mudança representa uma ruptura em relação ao arranjo anterior, que previa apenas uma semana de trabalho no escritório por trimestre para a maior parte da equipe.

O anúncio provocou reações internas e resultou em tensões entre trabalhadores e a direção.

Em meio a uma reunião com milhares de empregados para tratar do tema, 12 funcionários foram demitidos por justa causa, segundo relatos do sindicato e confirmação pública da empresa.

O Nubank afirma que os desligamentos se devem a comportamentos considerados incompatíveis com o código de conduta e reitera que não admite “desrespeito e violações de conduta”.

Entidades sindicais contestam eventuais episódios de retaliação e cobram que nenhum trabalhador seja punido apenas por manifestar descontentamento com mudanças que impactam diretamente a organização da vida pessoal e profissional.

Tendências no trabalho híbrido no setor financeiro

As decisões recentes de Bradesco, Itaú e Nubank ocorrem em um cenário em que o trabalho híbrido se consolidou em parte das grandes empresas brasileiras, mas ainda sem consenso sobre o equilíbrio ideal entre presença física e atuação remota.

Pesquisas de mercado mostram que, nos últimos anos, o híbrido passou a ser o modelo preferencial de muitas organizações, enquanto o home office integral permanece restrito a uma parcela menor das companhias.

No sistema financeiro, grandes bancos chegaram a anunciar compromissos públicos com a manutenção do trabalho remoto ou híbrido para parte do quadro após a pandemia.

No entanto, a combinação de pressão por produtividade, necessidade de coordenação operacional e cultura corporativa tem levado a uma revisão gradual desses compromissos em algumas instituições.

Ao decidir pelo fim do home office em investimentos e em parte da tesouraria, o Bradesco reforça essa tendência de reavaliação do modelo, mas insiste na busca por equilíbrio entre flexibilidade e presença física.

A forma como o banco conduzirá a transição, a resposta dos bancários na plenária convocada pelo sindicato e eventuais negociações sobre exceções ou adaptações tendem a indicar até que ponto o movimento será pontual ou poderá se espalhar para outras áreas nos próximos meses.

Nesse contexto, muitos trabalhadores se perguntam se o atual ciclo de mudanças representa apenas um ajuste fino após os anos de excepcionalidade da pandemia ou o início de um novo padrão de controle sobre jornadas, desempenho e presença física nas grandes instituições financeiras.

Qual será, afinal, o espaço real do home office no banco em que você trabalha nos próximos anos?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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