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Após anos travada na Justiça, Termelétrica Rio Grande ganha novo impulso com decisão do TRF4 e projeto de R$ 6 bilhões volta ao jogo prometendo mexer com empregos e investimentos no RS

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 17/12/2025 às 00:12
Após anos travada na Justiça, Termelétrica Rio Grande ganha novo impulso com decisão do TRF4 e projeto de R$ 6 bilhões volta ao jogo prometendo mexer com empregos e investimentos no RS
Foto: Projeto de R$ 6 bilhões volta ao jogo em Rio Grande com decisão do TRF4 e coloca a Aneel no centro do próximo capítulo da termelétrica a gás.
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Julgamento nesta terça reacendeu a disputa regulatória e a expectativa de investimentos bilionários, empregos e gás natural no Sul do RS com a retomada da Usina Termelétrica Rio Grande

A retomada do projeto da Usina Termelétrica Rio Grande (UTE) ganhou novo impulso nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, após decisão da 3ª Turma do TRF4 em Porto Alegre. O tribunal negou um recurso apresentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, relacionado à devolução da outorga do empreendimento.

Segundo o jornal A Hora do Sul, o relator desembargador federal Roger Raupp Rios declarou a nulidade do recurso e determinou que a agência reanalise o pedido de reconsideração apresentado pela Bolognesi Energia e pelo Grupo Cobra. A decisão ainda não encerra o caso, mas aumenta a pressão para que o tema volte a andar no âmbito administrativo.

Autoridades municipais e lideranças empresariais trataram o resultado como um “ponto de virada” para destravar um projeto considerado estratégico para a região Sul do Estado. A Prefeitura de Rio Grande afirmou que seguirá acompanhando os próximos passos e defendeu que a iniciativa pode melhorar as condições para investidores e infraestrutura local.

Decisão do TRF4 reabre caminho para a outorga da UTE Rio Grande

O centro da disputa é a validade e a devolução da outorga, além do pedido de transferência do projeto para o grupo espanhol Cobra, que pretende estruturar o empreendimento. De acordo com a Prefeitura de Rio Grande, a decisão do TRF4 estabeleceu que a Aneel deve analisar a possibilidade de transferência da outorga ao Grupo Cobra.

Apesar do avanço, lideranças locais destacam que o julgamento não equivale a uma autorização automática de obra. Em avaliações publicadas antes do julgamento, representantes empresariais lembraram que ainda pode haver recursos em instâncias superiores, o que mantém o tema no radar político e jurídico.

No entendimento de atores que acompanharam a sessão, o resultado serve como sinal para reabrir o debate regulatório e evitar que o investimento “caia no esquecimento”. O A Hora do Sul registrou a leitura de que o projeto segue vivo, mas dependerá de decisões administrativas e do posicionamento da Aneel.

O que muda para Aneel Bolognesi e o Grupo Cobra

O caso envolve, na prática, a obrigação de a agência voltar a examinar o histórico e os pedidos vinculados à outorga. Segundo o A Hora do Sul, a decisão determinou a reanálise do pedido de reconsideração interposto pela Bolognesi e pelo Grupo Cobra.

A Prefeitura de Rio Grande também reforçou que existem “limites” e etapas a serem ajustados, mas classificou o julgamento como um passo relevante para recolocar o projeto em condições de avançar. A gestão municipal relatou que participou do acompanhamento da sessão e manteve a promessa de vigilância sobre o processo.

Projeto de R$ 6 bilhões prevê usina a gás terminal de GNL e píer no Porto de Rio Grande

A termelétrica, descrita como um dos grandes investimentos privados cogitados para a região, é estimado em R$ 6 bilhões e prevê três frentes principais. Conforme diferentes relatos locais, o pacote inclui uma termelétrica movida a gás natural, um terminal de regaseificação de GNL e um píer para atracação de navios no Porto de Rio Grande.

Em reportagem anterior sobre o tema, o A Hora do Sul listou indicadores do projeto que ajudam a dimensionar seu porte. Entre os números citados estão capacidade instalada de cerca de 1.280 MW e demanda potencial de até 5,5 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, com ciclo combinado e eficiência estimada em 56%.

A mesma reportagem também apontou expectativas de impacto econômico na fase de construção, com menção a mais de três mil empregos diretos e cerca de mil indiretos, além de projeção de arrecadação fiscal de R$ 400 milhões. Esses números costumam ser usados por defensores do projeto como argumento para acelerar licenças e decisões regulatórias.

O histórico do impasse ajuda a explicar a euforia cautelosa de lideranças locais. O A Hora do Sul relembrou que a usina foi vencedora de um leilão em 2014, com previsão original de início do suprimento em 2019, mas a outorga foi extinta em 2017 após atrasos no cronograma.

Também segundo o jornal, após arquivamentos e idas e vindas administrativas, a Bolognesi obteve em 2024 decisão de primeira instância devolvendo a outorga e determinando que a Aneel avaliasse a proposta de transferência ao Grupo Cobra. A disputa agora entra em nova etapa com o efeito do julgamento desta terça em Porto Alegre.

Promessa de empregos e disputa sobre transição energética no Rio Grande do Sul

A narrativa de “projeto estratégico” aparece com frequência entre autoridades e empresários, tanto pela segurança energética quanto pelo potencial de atrair indústrias dependentes de gás e energia competitiva. Em reportagens locais, integrantes de entidades empresariais apontaram que a ausência de gás natural na metade sul do RS é vista como entrave para novos empreendimentos.

No Grupo Oceano, o presidente da Câmara do Comércio de Rio Grande, Rafael Ferreira, afirmou que a decisão traz esperança e pode ajudar a sensibilizar o corpo técnico da Aneel sobre a necessidade de retomada da outorga e transmissão do projeto ao Grupo Cobra. A mesma cobertura registrou que a implementação é apresentada como condição para viabilizar projetos industriais mais complexos e intensivos em energia.

Ao mesmo tempo, o tema costuma dividir opiniões quando entra no debate sobre transição energética e matriz elétrica. Defensores argumentam que o gás natural funciona como “energia de transição” e pode reduzir custos e emissões frente a fontes mais intensivas em carbono, enquanto críticos tendem a questionar dependência de fóssil e impactos ambientais e portuários associados ao terminal e ao tráfego de navios.

A disputa está longe de terminar, e é justamente isso que mantém o assunto quente. Você considera que uma termelétrica a gás é um passo pragmático para o desenvolvimento regional ou um atraso na transição energética? Deixe seu comentário e diga qual lado tem o argumento mais forte.

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Geovane Souza

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