Seu Chiquinho Matias mantém tradições do interior há mais de 50 anos em residência construída em 1920, desafiando a modernidade com água de cacimba e fogão a lenha
A rotina de Francisco Matias, conhecido como Seu Chiquinho, contrasta com o ritmo acelerado dos tempos modernos. Aos 80 anos, ele vive sozinho em uma casa de taipa de 105 anos no município de Hidrolândia, interior do Ceará, preservando costumes que remontam ao início do século XX.
A residência, construída em 1920 pelas mãos de seu pai, Antônio Matias, permanece de pé como testemunho silencioso da arquitetura tradicional sertaneja. Segundo Seu Chiquinho, a estrutura mantém-se firme apesar dos anos, embora necessite de reparos após quase três décadas sem a presença dos pais.
O sertanejo nasceu e cresceu no mesmo local onde vive atualmente. Suas lembranças mais antigas remontam aos cinco anos de idade, quando já ajudava a tangear o gado da família.
-
Uma gari que ganha R$ 2,1 mil por mês deixou o celular de lado por alguns minutos e voltou com um Pix de R$ 203 mil caído na conta por engano, um valor que, segundo ela mesma, nem trabalhando cem anos conseguiria juntar
-
R$ 5 mil espalhados pela rua, uma carteira perdida e uma decisão honesta: o caso em Goiás que emocionou até quem Só leu a história
-
Inconformado em ver gente dormindo na rua, um homem chamado Ryan Donais passou a construir pequenas casas móveis para que moradores em situação de rua escapem do frio, cada uma com cama, água corrente, eletricidade e aquecimento
-
ET no Paraná? Após vídeos intrigantes, sons misteriosos na mata e teorias que dominaram as redes sociais, FAB revela o que seus radares registraram e aumenta o mistério sobre suposto OVNI visto em Campo Largo
A trajetória do morador inclui duas temporadas no Rio de Janeiro, onde passou cerca de um ano em cada ocasião. No entanto, a vida urbana não o seduziu. “Não gostei muito do Rio de Janeiro não”, revelou em entrevista ao canal Felipe Sena, que documentou sua rotina.
Casa centenária preserva estrutura original no interior cearense
A construção que abriga Seu Chiquinho data de 1920, ano em que seu pai contraiu matrimônio com Dona Francisca Simões, conhecida como Dona Chiquinha Simões. A técnica de taipa, tradicional no Nordeste brasileiro, consiste em paredes de barro compactado que proporcionam isolamento térmico natural.
De acordo com estudos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), as casas de taipa foram predominantes na arquitetura popular nordestina até meados do século XX. A durabilidade dessas construções, quando bem mantidas, pode ultrapassar um século.
Seu Chiquinho destaca que a casa mantém temperatura agradável mesmo no inverno sertanejo. Ele reuniu pedras próximas à propriedade e planeja utilizar 18 sacos de cimento para reformar a estrutura, preservando a essência original da residência.
Tradições sertanejas resistem ao tempo na rotina diária
A vida de Francisco Matias segue ritmos que poucos brasileiros ainda conhecem. Ele busca água em cacimba toda semana, armazenando o líquido em tambores transportados por carroça. A água, cristalina e natural, é guardada em potes de barro dentro da casa.
O fogão a lenha permanece como única fonte para preparar alimentos. “Pego aquela lenha de manhã, gosto de ver aquele fogo alto de lenha no fogão”, conta o sertanejo, que aprecia o café matinal e a tapioca preparados da forma tradicional.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 2,3% dos domicílios rurais no Nordeste ainda utilizam lenha como principal fonte de energia para cozinhar, conforme levantamento de 2019. A prática de Seu Chiquinho representa um estilo de vida cada vez mais raro.
Após o café da manhã, ele dedica duas a três horas ao trabalho no terreno. A propriedade se estende até as margens do Rio Feitos, que passa pelo povoado de Irajá. Suas atividades incluem limpar o mato, consertar cercas e preparar pequenas áreas para plantio.
Memórias de família marcam trajetória no sertão
Seu Chiquinho é o único filho homem vivo de uma família de dez irmãos – sete mulheres e três homens. Seu irmão mais velho, José Simões Peres, conhecido como Seu Zequinha, foi vereador em Hidrolândia entre as décadas de 1960 e 1980.
Os pais faleceram há aproximadamente 28 anos, com intervalo de cinco anos entre uma morte e outra. Desde então, Francisco mantém a casa como herança familiar. Algumas irmãs residem em Brasília e Sobral.
O sertanejo permaneceu solteiro após o término de um noivado na juventude. “Quase me casei, mas não deu certo. A noiva casou com outro”, revelou sem ressentimentos.
Depois de retornar definitivamente do Rio de Janeiro aos 30 anos, Seu Chiquinho permanece na propriedade há cinco décadas. A rotina incluía visitas dominicais ao povoado de Irajá, costume que diminuiu com o avançar da idade.
Filosofia de vida simples guia octogenário no interior
Francisco Matias demonstra aceitação serena da passagem do tempo. “Eu me considero um velho mesmo”, afirma sem melancolia, complementando que se sente sempre bem e nunca teve grandes reclamações sobre a saúde.
Para ele, a longevidade se deve à alimentação natural e ao estilo de vida ativo. O trabalho diário na terra, mesmo aos 80 anos, mantém-no ocupado e satisfeito. “Depois do café, às 8 horas saio à beira do rio”, descreve sobre sua rotina matinal.
A espiritualidade permeia suas reflexões sobre a vida. Segundo suas palavras, Deus representa “um grande e maior espírito universal, mais forte, mais poderoso” que governa a natureza. Ele aceita a mortalidade com tranquilidade, desejando apenas que a vida se complete de forma natural.
Apesar de morar sozinho, Seu Chiquinho recebe visitas diariamente. “Sempre não falta uma pessoa meia hora, pedacinho de tempo por aqui”, conta, demonstrando que a solidão geográfica não significa isolamento social.
A história de Francisco Matias representa um Brasil que resiste silenciosamente nas entrelinhas da modernização. Sua rotina, documentada pelo canal Felipe Sena, viralizou nas redes sociais e despertou curiosidade sobre modos de vida tradicionais que ainda persistem no sertão nordestino.
E você, conseguiria viver sem as facilidades modernas como Seu Chiquinho Matias? Deixe seu comentário compartilhando sua opinião sobre esse estilo de vida tradicional, seria uma forma de resistência cultural ou apenas nostalgia de tempos passados? Participe da discussão!


No, es lindo vivir en el campo, pero con las comodidades modernas, especialmente Internet.
Uno que esta acostumbrado com familia diría que triste la vida asi
Vivir aislada sola me da miedo. Aunque se que donde esté Dios está conmigo. Dios siempre le cuide y le mantenga con salud y buena energía para seguir haciendo lo que hace