Aneel estima aumento de 7% na conta de luz em 2025; energia sobe acima da inflação com impacto da bandeira tarifária e da bandeira amarela.
Os consumidores devem preparar o orçamento para uma alta expressiva: a conta de luz pode subir 7% em 2025, segundo projeção divulgada pela Aneel nesta sexta-feira (05/12/2025).
A estimativa, que vale para todo o país, supera a inflação prevista para o período e ocorre em um momento em que a bandeira tarifária está na cor amarela, encarecendo a energia para todos os brasileiros.
O aumento, explica a agência, decorre principalmente do crescimento dos custos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e de uma devolução menor do tributo PIS/Cofins, originalmente estimada para reduzir tarifas.
-
Pesquisador da USP cria tese para atrair fundos internacionais para o setor de energia elétrica do país
-
Trafigura recebe autorização da ANEEL para comercializar energia elétrica no Brasil e amplia atuação no maior mercado de energia da América Latina
-
Painéis solares móveis prometeram dividir espaço com lavouras de milho, mas a sombra de 20% a 25% reduziu a produção em média 7,7% e abriu uma nova disputa entre energia e alimento
-
Mais de 80 milhões de quilômetros de fios precisam ser trocados até 2040: a transição energética não depende só de painéis e carros elétricos, mas de uma corrida colossal por cobre, alumínio, transformadores e reciclagem de cabos antigos
Com isso, a Aneel responde à pergunta que mais preocupa consumidores: por que a conta de luz vai ficar mais cara? A autarquia atribui o efeito tarifário ao comportamento dos encargos setoriais e aos ajustes regulatórios que impactam diretamente o bolso do consumidor.
Inflação menor, mas energia mais cara: projeção da Aneel supera IPCA e IGP-M
Embora a tarifa de energia deva avançar 7%, os principais indicadores inflacionários do país apontam para números mais modestos.
De acordo com o boletim InfoTarifa 2025, da própria Aneel, o IGP-M — conhecido como “inflação do aluguel” — deve registrar recuo de 0,5% no período. Já o IPCA, índice oficial de inflação, deve subir 4,4%, ainda abaixo do reajuste tarifário.
Essa diferença mostra que a pressão na conta de luz não está ligada apenas à inflação clássica, mas principalmente aos encargos que financiam políticas públicas do setor elétrico e ao comportamento das bandeiras tarifárias ao longo do ano.
CDE cresce e pressiona a conta de luz em 2025
A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) é o principal fator que puxará as tarifas para cima.
Segundo a Aneel, os valores necessários para cobrir subsídios, políticas de universalização do acesso à energia e incentivos para determinados segmentos ficaram mais altos do que o previsto anteriormente.
Além disso, a agência afirma que “a devolução realizada do tributo PIS/COFINS foi inferior ao anteriormente estimado”, o que impede uma redução adicional na tarifa média.
Na prática, isso significa que parte do alívio esperado para os consumidores não se concretizou.
Bandeira tarifária amarela: conta sobe menos que em novembro, mas segue mais cara
Desde dezembro, as contas passaram para a bandeira tarifária amarela, com cobrança menor do que no mês anterior, quando estava ativada a bandeira vermelha patamar 1.
A bandeira atual gera custo extra de R$ 1,885 a cada 100 kW/h, bem abaixo dos R$ 4,46 cobrados anteriormente na bandeira vermelho.
Mesmo assim, o sistema de bandeiras permanece como um dos fatores que influenciam diretamente a conta de luz, funcionando como um alerta para períodos de maior custo de geração de energia.
O que esperar para 2025
Com inflação controlada, mas pressões crescentes nos encargos do setor elétrico, o consumidor deve enfrentar um cenário desafiador em 2025.
A expectativa da Aneel é de que o reajuste médio fique acima das projeções econômicas gerais, reforçando a importância de uso consciente da energia e acompanhamento das mudanças na bandeira tarifária.
Enquanto isso, o mercado observa com atenção os próximos boletins da agência, que podem ajustar — para cima ou para baixo — as projeções divulgadas.
