No sul do Iraque, equipe com apoio da Universidade de Constança identificou por drones e magnetometria uma cidade fundada no século 4 a.C., próxima à fronteira com o Irã, que pode ter sido uma Alexandria com muralha de 1 quilômetro e papel central no comércio antigo por mais de 550 anos.
Alexandre, o Grande, não ficou conhecido apenas por suas conquistas militares. Ele também fundou dezenas de cidades chamadas Alexandria, espalhadas por seu império.
A mais famosa está no Egito. Mas outras desapareceram, mudaram de nome ou ficaram esquecidas sob a areia e o tempo.
Agora, uma dessas cidades pode estar voltando ao mapa. E o cenário é o sul da Mesopotâmia, no atual Iraque.
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O sítio de Jebel Khayabber e a muralha de 1 quilômetro que levantou suspeitas
O local já era conhecido desde a década de 1960. Em Jebel Khayabber, arqueólogos haviam identificado uma antiga muralha com cerca de 1 quilômetro de extensão e 8 metros de altura.
A hipótese de que ali estariam os restos de uma Alexandria sempre existiu, mas a região é de difícil acesso. O sítio fica a apenas 15 quilômetros da fronteira com o Irã.
Além disso, a área foi campo de batalha durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980. Por anos, isso dificultou novas investigações.

Drones e magnetômetro de césio revelaram uma cidade enorme sob o solo
Somente em 2014 expedições estrangeiras voltaram a atuar na região. Mesmo assim, os trabalhos foram limitados por questões de segurança, já que grupos extremistas ainda controlavam partes do norte do Iraque e da Síria.
Foi com o uso de drones e técnicas de geofísica que o cenário mudou. Os pesquisadores aplicaram mapeamento com magnetômetro de césio para analisar o subsolo.
O que apareceu impressionou a equipe. Surgiu o traçado de uma malha urbana organizada, com ruas, quarteirões, casas, templos, oficinas, portos, canais e sistemas de irrigação.
Alguns quarteirões identificados estão entre os maiores conhecidos da antiguidade.
Cidade portuária estratégica próxima ao antigo litoral do Golfo Pérsico
No século 4 a.C., quando teria sido fundada, a cidade ficava muito mais próxima do mar do que hoje.
Ela estava posicionada perto da confluência dos rios Tigre e Karun, em uma região que antes era litoral do Golfo Pérsico.
Essa localização estratégica sugere função portuária clara. A cidade conectava o mar aberto aos sistemas fluviais que levavam ao interior da Mesopotâmia.
Segundo os pesquisadores, a situação era semelhante à da famosa Alexandria no Nilo, no Egito.

De Alexandria a Charax Spasinou, a metrópole que sobreviveu por mais de 550 anos
Mesmo após a morte de Alexandre, a cidade continuou relevante.
Inscrições da época romana mencionam uma cidade chamada Charax Spasinou ou Charax Maishan na mesma região.
A estimativa é de que tenha funcionado como um dos principais centros de comércio de longa distância da antiguidade por mais de 550 anos.
O auge ocorreu em um período pouco explorado pela pesquisa histórica, o que ajuda a explicar por que ficou tanto tempo fora do radar acadêmico.

Crédito: Stefan Hauser / Acceso abierto.
Mudança do curso do Rio Tigre pode ter decretado o fim no século 3 d.C.
O desaparecimento da cidade provavelmente ocorreu por volta do século 3 d.C.
A explicação mais aceita está ligada à mudança do curso do Rio Tigre para oeste.
Com isso, a cidade perdeu sua posição estratégica na margem do rio e deixou de ser um ponto-chave no comércio do norte do Golfo.
Sem acesso direto às rotas fluviais e marítimas, sua principal função desapareceu. E com ela, a própria metrópole.
A redescoberta dessa possível Alexandria mostra como mudanças naturais podem alterar o destino de grandes centros urbanos e revela que ainda existem capítulos inteiros da antiguidade esperando para serem revelados.
Você acredita que outras cidades fundadas por Alexandre ainda podem estar escondidas sob o solo do Oriente Médio? Deixe sua opinião nos comentários.
