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Arqueólogos redescobrem possível Alexandria fundada por Alexandre no século 4 a.C. às margens do Rio Tigre, no Iraque, cidade portuária que prosperou por mais de 550 anos e desapareceu após mudança do curso do rio

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 12/02/2026 às 16:59 Atualizado em 12/02/2026 às 17:00
Arqueólogos redescobrem possível Alexandria fundada por Alexandre no século 4 a.C. às margens do Rio Tigre, no Iraque, cidade portuária que prosperou por mais de 550 anos e desapareceu após mudança do curso do rio
No sul do Iraque, equipe com apoio da Universidade de Constança identificou por drones e magnetometria uma cidade fundada no século 4 a.C., próxima à fronteira com o Irã, que pode ter sido uma Alexandria com muralha de 1 quilômetro e papel central no comércio antigo por mais de 550 anos.
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No sul do Iraque, equipe com apoio da Universidade de Constança identificou por drones e magnetometria uma cidade fundada no século 4 a.C., próxima à fronteira com o Irã, que pode ter sido uma Alexandria com muralha de 1 quilômetro e papel central no comércio antigo por mais de 550 anos.

Alexandre, o Grande, não ficou conhecido apenas por suas conquistas militares. Ele também fundou dezenas de cidades chamadas Alexandria, espalhadas por seu império.

A mais famosa está no Egito. Mas outras desapareceram, mudaram de nome ou ficaram esquecidas sob a areia e o tempo.

Agora, uma dessas cidades pode estar voltando ao mapa. E o cenário é o sul da Mesopotâmia, no atual Iraque.

O sítio de Jebel Khayabber e a muralha de 1 quilômetro que levantou suspeitas

O local já era conhecido desde a década de 1960. Em Jebel Khayabber, arqueólogos haviam identificado uma antiga muralha com cerca de 1 quilômetro de extensão e 8 metros de altura.

A hipótese de que ali estariam os restos de uma Alexandria sempre existiu, mas a região é de difícil acesso. O sítio fica a apenas 15 quilômetros da fronteira com o Irã.

Além disso, a área foi campo de batalha durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980. Por anos, isso dificultou novas investigações.

A muralha do sítio de Jebel Khayabber, no sul do Iraque, pode ser observada até hoje e representa os restos do que parece ter sido uma metrópole durante o reinado de Alexandre, o Grande

Drones e magnetômetro de césio revelaram uma cidade enorme sob o solo

Somente em 2014 expedições estrangeiras voltaram a atuar na região. Mesmo assim, os trabalhos foram limitados por questões de segurança, já que grupos extremistas ainda controlavam partes do norte do Iraque e da Síria.

Foi com o uso de drones e técnicas de geofísica que o cenário mudou. Os pesquisadores aplicaram mapeamento com magnetômetro de césio para analisar o subsolo.

O que apareceu impressionou a equipe. Surgiu o traçado de uma malha urbana organizada, com ruas, quarteirões, casas, templos, oficinas, portos, canais e sistemas de irrigação.

Alguns quarteirões identificados estão entre os maiores conhecidos da antiguidade.

Cidade portuária estratégica próxima ao antigo litoral do Golfo Pérsico

No século 4 a.C., quando teria sido fundada, a cidade ficava muito mais próxima do mar do que hoje.

Ela estava posicionada perto da confluência dos rios Tigre e Karun, em uma região que antes era litoral do Golfo Pérsico.

Essa localização estratégica sugere função portuária clara. A cidade conectava o mar aberto aos sistemas fluviais que levavam ao interior da Mesopotâmia.

Segundo os pesquisadores, a situação era semelhante à da famosa Alexandria no Nilo, no Egito.

Colunas do pátio peristilado do palácio

De Alexandria a Charax Spasinou, a metrópole que sobreviveu por mais de 550 anos

Mesmo após a morte de Alexandre, a cidade continuou relevante.

Inscrições da época romana mencionam uma cidade chamada Charax Spasinou ou Charax Maishan na mesma região.

A estimativa é de que tenha funcionado como um dos principais centros de comércio de longa distância da antiguidade por mais de 550 anos.

O auge ocorreu em um período pouco explorado pela pesquisa histórica, o que ajuda a explicar por que ficou tanto tempo fora do radar acadêmico.

Imagen de un distrito urbano con edificios residenciales y complejos de templos, obtenida mediante un magnetómetro de cesio.
Crédito: Stefan Hauser / Acceso abierto.

Mudança do curso do Rio Tigre pode ter decretado o fim no século 3 d.C.

O desaparecimento da cidade provavelmente ocorreu por volta do século 3 d.C.

A explicação mais aceita está ligada à mudança do curso do Rio Tigre para oeste.

Com isso, a cidade perdeu sua posição estratégica na margem do rio e deixou de ser um ponto-chave no comércio do norte do Golfo.

Sem acesso direto às rotas fluviais e marítimas, sua principal função desapareceu. E com ela, a própria metrópole.

A redescoberta dessa possível Alexandria mostra como mudanças naturais podem alterar o destino de grandes centros urbanos e revela que ainda existem capítulos inteiros da antiguidade esperando para serem revelados.

Você acredita que outras cidades fundadas por Alexandre ainda podem estar escondidas sob o solo do Oriente Médio? Deixe sua opinião nos comentários.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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