Missão Egito-Espanha encontra em Oxyrhynchus papiro com Catálogo das Naus do Livro II da Ilíada de Homero costurado dentro de múmia de 1.600 anos
Arqueólogos abriram em Al-Bahnasa Iliada Homero uma tumba romana com 16 múmias de língua de ouro. Dentro de uma delas, encontraram o primeiro texto literário grego já achado em prática funerária da história.
O texto era um trecho da Ilíada de Homero. Especificamente, o Catálogo das Naus, do Livro II do poema épico.
A descoberta foi anunciada em 18 de abril de 2026. Segundo o Archaeology Magazine, a múmia tem cerca de 1.600 anos.
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Conforme reportou a Jerusalem Post, o achado vem de uma campanha de escavação da Universidade de Barcelona e do Instituto del Próximo Oriente Antiguo.
Por isso, a missão é binacional Egito-Espanha. O sítio se chama Al-Bahnasa, antiga cidade Oxyrhynchus na província de Minya.
De fato, Oxyrhynchus é berço da papirologia mundial. Já forneceu mais de 500 mil fragmentos de papiro desde 1898. Nenhum tinha esse tipo de uso.

O que é o papiro da Al-Bahnasa Iliada Homero e por que é único
O texto encontrado em Al-Bahnasa Iliada Homero é fragmento da Ilíada. Mais especificamente do Livro II, parte conhecida como Catálogo das Naus.
O Catálogo das Naus lista os contingentes gregos que partiram para a Guerra de Troia. É uma das passagens mais famosas da literatura ocidental.
Conforme reportou a Heritage Daily, o papiro foi encontrado costurado ao abdome da múmia. Não estava enrolado nem livre.
Por isso, o ineditismo é total. Antes, papiros encontrados em múmias eram apenas textos mágicos, hinos rituais ou fórmulas de proteção.
Em paralelo, a Ilíada é texto literário secular. Conforme análise da Universidade de Barcelona, a presença do poema épico em contexto funerário é “sem precedentes na história da arqueologia”.
Dessa forma, a descoberta reescreve a compreensão sobre práticas funerárias greco-romanas no Egito.
De fato, o texto foi identificado pela papiróloga Leah Mascia. Conforme reportou o ScienceAlert, a confirmação textual veio do filólogo clássico Ignasi-Xavier Adiego.

Por que a Ilíada estava dentro de uma múmia romana
A pergunta principal sobre Al-Bahnasa Iliada Homero ainda não tem resposta definitiva. Pesquisadores discutem possíveis significados do achado.
Uma hipótese é proteção. Conforme análise do EurekAlert, Ignasi-Xavier Adiego sugere que pode ser “marca de identificação do especialista responsável pelo embalsamamento”.
Por isso, o papiro talvez fosse “assinatura” profissional do embalsamador. Ele teria deixado um texto erudito conhecido como prova de qualidade.
Em paralelo, outra hipótese é função ritual. A Ilíada pode ter sido vista como texto protetor mesmo sendo secular.
Conforme análise da Finestre sull’Arte, há tradição de transformar literatura em ritual em culturas mediterrâneas.
De fato, a múmia data de período romano tardio. Foi quando o cristianismo começou a se espalhar pelo Egito.
Dessa forma, é possível que o papiro reflita resistência cultural. Manter Homero em prática funerária seria forma de afirmar identidade pagã.
Contexto histórico: Oxyrhynchus, capital da papirologia mundial
O sítio de Al-Bahnasa Iliada Homero é conhecido por arqueólogos como Oxyrhynchus. A cidade foi importante centro greco-romano no Egito.
Conforme detalhamento da Wikipedia, a região fica no Egito Médio, à margem do Bahr Yussef.
Em 1898, arqueólogos britânicos Bernard Grenfell e Arthur Hunt iniciaram escavações sistemáticas. Achavam pilhas de papiros descartados ao redor da cidade.
Por isso, Oxyrhynchus virou um dos maiores depósitos de papiros antigos do mundo. Centenas de milhares de fragmentos foram catalogados desde então.
Em paralelo, outros achados monumentais saíram do sítio. Conforme a Wikipedia Oxyrhynchus Papyri, foram identificados fragmentos do Antigo Testamento, comédias gregas e poemas de Safo.
De fato, Oxyrhynchus é o sítio que mais devolveu textos literários gregos clássicos ao mundo moderno. Cada nova campanha revela algo inédito.
- Localização: Al-Bahnasa, Minya Governorate, Egito
- Antiguidade da múmia: ~1.600 anos (Império Romano tardio)
- Total de múmias: 16 com línguas de ouro
- Texto identificado: Ilíada Livro II, Catálogo das Naus
- Anúncio: 18 de abril de 2026
- Missão: Universidade de Barcelona + Instituto del Próximo Oriente Antiguo
- Papiróloga: Leah Mascia (leitura inicial)
- Filólogo: Ignasi-Xavier Adiego (confirmação)
Quem eram os mortos da tumba de Al-Bahnasa
A tumba de Al-Bahnasa Iliada Homero abrigava 16 múmias. Cada uma tinha língua de ouro selada na boca.
Conforme análise da Biblical Archaeology Society, línguas de ouro são marca de elite social no Egito greco-romano.
Por isso, esses mortos eram pessoas importantes. Provavelmente sacerdotes, comerciantes ricos ou administradores romanos.
Em paralelo, a função da língua de ouro era falar com Osíris no além. A divindade exigia que os mortos “falassem” sua inocência durante o julgamento final.
Conforme a Ancient Origins, há centenas de múmias com línguas de ouro já catalogadas no Egito.
De fato, o que torna esta tumba especial não é a língua de ouro. É a inserção da Ilíada no abdome de uma das múmias.

O que vem depois da descoberta de Al-Bahnasa
A missão Al-Bahnasa Iliada Homero continua. Conforme cronograma da Universidade de Barcelona, há série de palestras públicas até 11 de maio de 2026.
Por isso, mais detalhes técnicos do achado serão revelados nas próximas semanas. A Faculdade de Filologia da UB hospeda os eventos.
Em paralelo, a campanha de escavação continua. Outras 24 tumbas da mesma necrópole ainda não foram abertas.
Conforme a SciTech Daily, há expectativa de mais papiros literários nas próximas múmias. Isso pode confirmar ou desmentir as hipóteses atuais.
De fato, se mais textos literários forem encontrados em múmias da mesma época, a teoria da identificação profissional ganha força. Se forem só textos rituais, a função do papiro homérico era única.
Para outra cobertura arqueológica recente do Click Petróleo e Gás, vale ler a cobertura sobre a câmara secreta da Pirâmide de Quéops.
Para outro caso similar de descoberta de papiros antigos, vale conferir a cobertura sobre achados paleontológicos brasileiros do Click Petróleo e Gás.

O impacto cultural da descoberta nas próximas décadas
A descoberta de Al-Bahnasa Iliada Homero vai impactar a academia mundial. Conforme análise do New Criterion, Homero continua influenciando culturas 2.700 anos depois.
Por isso, o achado tem dimensão simbólica. Mostra como textos literários transcendem religião e fronteiras.
Em paralelo, a comunidade clássica europeia pode revisar manuais. Conforme a Wikipedia Catalogue of Ships, o Livro II da Ilíada é uma das passagens mais estudadas.
De fato, qualquer variação textual no fragmento de Al-Bahnasa pode mudar versões aceitas. Os manuscritos da Ilíada têm pequenas diferenças entre si.
Dessa forma, papiros antigos como esse são uma janela para o “original”. Cada novo fragmento contribui para a reconstrução crítica do texto.
Vale notar que ainda há trabalho de catalogação completa pela frente. As 24 tumbas adicionais podem alterar a interpretação atual.
Apesar disso, o ineditismo histórico está garantido. O Egito devolveu ao mundo a primeira evidência conhecida de Ilíada usada em ritual funerário greco-romano.


E fantástico, jogarem luz sobre esses achados , magnífico saber de pessoas que se ocupam a essa descoberta!
Obrigado, Vilma — Sereno e a equipe da Universidade de Chicago são referência no Sahara há décadas.
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