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Pescadores filipinos puxam do mar um drone submarino chinês de 3,6 metros com marcações em mandarim perto de Palawan, e a Guarda Costeira vê no objeto outra peça da corrida silenciosa para mapear rotas de submarinos no Mar do Sul da China

Escrito por Ana Alice
Publicado em 09/06/2026 às 23:54
Atualizado em 09/06/2026 às 23:56
Drone submarino chinês achado perto de Palawan revela disputa por dados oceânicos e rotas estratégicas no Mar do Sul da China. (Imagem: Ilustrativa)
Drone submarino chinês achado perto de Palawan revela disputa por dados oceânicos e rotas estratégicas no Mar do Sul da China. (Imagem: Ilustrativa)
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Achado por pescadores em Palawan, um drone submarino com marcações chinesas reacende dúvidas sobre pesquisa oceanográfica, segurança marítima e coleta de dados em uma das áreas mais disputadas do Mar do Sul da China.

Pescadores filipinos encontraram em 28 de setembro de 2025 um veículo submarino autônomo de cerca de 3,6 metros em águas de Linapacan, na província de Palawan, no oeste das Filipinas.

O equipamento foi entregue à Guarda Costeira filipina no mesmo dia e passou a ser analisado por equipes técnicas, segundo comunicado da Philippine Coast Guard divulgado pela Philippine Information Agency.

O objeto tinha inscrições em chinês e sensores compatíveis com medições oceanográficas, de acordo com a avaliação preliminar das autoridades filipinas.

A Guarda Costeira informou que o caso será examinado em coordenação com órgãos de segurança nacional, porque equipamentos desse tipo podem coletar dados físicos do mar em áreas consideradas sensíveis.

Embora veículos submarinos autônomos sejam usados em pesquisas científicas, a presença de um equipamento não autorizado em uma região disputada passou a ser tratada por Manila como tema de segurança marítima.

A leitura feita pelas autoridades filipinas é que o achado se soma a ocorrências anteriores envolvendo objetos semelhantes em diferentes pontos do arquipélago.

O dispositivo recolhido em Palawan foi descrito como um AUV, sigla em inglês para autonomous underwater vehicle.

Esse tipo de veículo pode navegar abaixo da superfície sem tripulação, seguir rotas programadas e registrar informações sobre o ambiente marinho.

Segundo a Guarda Costeira filipina, a análise inicial identificou um sensor CTD, instrumento usado para medir condutividade, temperatura e profundidade.

O equipamento também tinha uma inscrição em chinês associada a um “sensor de salinidade da água do mar”, além de número de série e sinais de corrosão.

Drone submarino encontrado nas Filipinas

Na oceanografia, dados de salinidade, temperatura e profundidade ajudam a entender como a água se comporta em diferentes camadas do oceano.

Essas medições permitem mapear correntes, massas d’água, variações ambientais e mudanças físicas que não aparecem na superfície.

O Woods Hole Oceanographic Institution, referência internacional em ciências marinhas, define o CTD como uma ferramenta central para determinar propriedades físicas da água do mar.

O instrumento registra informações usadas para calcular temperatura, salinidade e densidade ao longo da coluna d’água.

Em áreas de disputa marítima, esses mesmos dados também podem ter aplicação militar, segundo especialistas em acústica submarina.

Temperatura, salinidade e pressão influenciam a velocidade e a propagação do som na água, fatores relevantes para navegação, detecção e operação de submarinos.

Essa relação explica por que equipamentos aparentemente científicos despertam atenção de autoridades navais.

Em operações submarinas, conhecer as condições físicas do mar pode ajudar a interpretar sinais acústicos, planejar deslocamentos e reduzir incertezas em rotas abaixo da superfície.

A Guarda Costeira filipina afirmou que unidades recuperadas anteriormente tinham capacidade de processar, armazenar e transmitir dados de forma autônoma.

Em um dos casos, segundo o órgão, foram identificadas comunicações criptografadas com a China continental durante a operação.

Mar do Sul da China e disputa por dados submarinos

O drone de Palawan não foi apresentado pelas autoridades filipinas como um episódio isolado.

De acordo com a Guarda Costeira, pelo menos cinco drones de origem chinesa foram recuperados entre julho de 2022 e dezembro de 2024 em diferentes áreas das Filipinas, conforme informou o porta-voz Jay Tarriela ao USNI News.

Entre os locais citados estão áreas próximas a Misamis Oriental, Masbate e o Estreito de Luzon, passagem marítima estratégica entre Taiwan e o norte das Filipinas.

A Marinha filipina já havia exibido parte desses equipamentos em abril de 2025 e atribuído a eles possível uso em mapeamento de águas filipinas.

A Guarda Costeira também mencionou indícios técnicos encontrados em recuperações anteriores, como cartões SIM chineses, transmissores por satélite e componentes vinculados a empresas sediadas na China.

Esses elementos ainda dependem de análise caso a caso, mas ajudam a explicar por que Manila trata os achados como parte de uma possível atividade não autorizada em suas águas.

O almirante Ronnie Gil Gavan, comandante da Guarda Costeira filipina, afirmou que a ação dos pescadores foi importante para que o objeto fosse reportado às autoridades.

Segundo ele, o episódio mostra a necessidade de manter a população costeira atenta a atividades não autorizadas no mar.

Em áreas afastadas, pescadores podem ser os primeiros a localizar objetos incomuns, como boias, sensores, drones e peças metálicas.

Quando esses itens são recolhidos e entregues a órgãos oficiais, podem fornecer informações sobre rotas, origem de componentes, capacidade técnica e eventual coleta de dados.

Palawan e a tensão marítima no Pacífico

Palawan fica voltada para o Mar do Sul da China, região marcada por disputas territoriais e pela presença de embarcações militares, pesqueiras e de pesquisa.

A área reúne rotas comerciais, zonas de pesca, possíveis reservas de energia e corredores usados na navegação civil e militar.

A China reivindica grande parte do Mar do Sul da China por meio de uma linha em seus mapas conhecida internacionalmente como “linha dos nove traços” ou, em versões mais recentes, “linha dos dez traços”.

Essa reivindicação se sobrepõe a áreas também reivindicadas ou patrulhadas por países do Sudeste Asiático, incluindo Filipinas, Vietnã, Malásia e Brunei.

Em 2016, um tribunal arbitral constituído sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar concluiu, em caso movido pelas Filipinas, que não havia base legal para direitos históricos chineses sobre áreas marítimas dentro da chamada “linha dos nove traços” quando esses direitos ultrapassassem os limites previstos pela Convenção.

A China rejeitou a arbitragem e não participou do processo.

A Convenção da ONU sobre o Direito do Mar também estabelece que a pesquisa científica marinha na zona econômica exclusiva e na plataforma continental de um Estado costeiro deve ocorrer com consentimento desse Estado.

Esse ponto é usado por Manila para contestar atividades de pesquisa não autorizadas em áreas sob sua jurisdição marítima.

Como um drone submarino coleta informações

Veículos submarinos autônomos têm usos reconhecidos em ciência e tecnologia marinha.

Eles podem mapear o fundo do mar, medir correntes, acompanhar ecossistemas, investigar naufrágios e coletar dados em locais onde navios tripulados têm acesso limitado.

O contexto em que esses equipamentos operam, no entanto, altera a forma como os dados são interpretados.

Em uma região com disputa territorial e presença militar, informações sobre profundidade, temperatura, salinidade e relevo submarino podem interessar tanto a pesquisadores quanto a forças navais.

A analista Rocio Gatdula, especialista em economia de defesa baseada em Washington, disse ao USNI News que os objetivos chineses podem incluir o mapeamento da topografia submarina filipina para apoiar operações navais e submarinas, além da coleta de dados com valor militar, navegacional e de recursos.

A Guarda Costeira filipina informou que o equipamento encontrado em Palawan será submetido a exames técnicos e forenses para determinar origem, características operacionais e eventuais riscos.

Até a conclusão da análise, a identificação pública se baseia nas marcações, nos sensores e na semelhança com dispositivos recuperados anteriormente.

A tecnologia por trás dos sensores oceânicos

A tecnologia envolvida nesse tipo de caso nem sempre tem aparência sofisticada.

Um drone submarino pode ter formato semelhante ao de um tubo metálico alongado, com sensores e partes externas que não indicam, à primeira vista, a quantidade de dados que o equipamento pode armazenar.

Ainda assim, cada medição pode ter utilidade técnica.

A condutividade permite estimar salinidade.

A pressão ajuda a calcular profundidade.

A temperatura revela camadas térmicas.

Combinadas, essas informações formam um perfil físico do oceano e ajudam a entender como a água varia de uma região para outra.

Especialistas em acústica submarina apontam que esse tipo de perfil também auxilia no estudo da propagação do som abaixo da superfície.

Como sinais acústicos são essenciais para sistemas de navegação e detecção no mar, dados ambientais podem ter relevância em operações navais.

O caso de Palawan mostra como equipamentos de pesquisa podem ganhar significado diferente quando aparecem em áreas disputadas.

Para cientistas, os sensores ajudam a descrever o oceano.

Para governos, a mesma coleta pode levantar dúvidas sobre autorização, finalidade e controle de informações sensíveis.

A investigação filipina ainda não concluiu publicamente o histórico operacional do drone recolhido pelos pescadores.

Mesmo assim, o episódio reforçou o debate sobre a presença de veículos não tripulados em águas estratégicas e sobre a dificuldade de monitorar atividades que ocorrem longe da superfície.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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