Projeto aprovado na Câmara amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para produtores rurais e sinaliza uma mudança estrutural na política tributária do campo
Uma proposta legislativa de forte impacto econômico passou a movimentar o setor agropecuário brasileiro em 2025. Desde então, o texto abriu caminho para uma alteração profunda na tributação rural. O Projeto de Lei nº 1.196/2025, aprovado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara, amplia de forma significativa a isenção do Imposto de Renda para produtores rurais pessoas físicas.
Pelo texto aprovado, produtores que obtiverem resultado anual de até R$ 508.320 poderão ficar totalmente livres da cobrança do tributo. A medida foi apresentada como uma resposta direta à realidade econômica do campo. Essa realidade, historicamente, é marcada por instabilidade climática, oscilações de preços e custos elevados de produção.
Proposta reconhece particularidades da atividade agrícola
O projeto é de autoria do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES). Ele altera a Lei nº 7.713, de 1988, ao criar critérios específicos para a renda proveniente da atividade rural. O texto considera fatores estruturais do setor. Entre eles estão a imprevisibilidade de safras, a variação de receitas e os riscos naturais.
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Essas características diferenciam o agronegócio de outras atividades econômicas. Por isso, a proposta busca um tratamento tributário mais ajustado à realidade do produtor.
Além disso, um dos pontos centrais do projeto é a atualização anual do limite de isenção pelo IPCA. Com esse mecanismo, o valor máximo de renda isenta acompanha a inflação. Assim, evita-se a perda gradual do benefício ao longo do tempo.
Outro aspecto relevante está na forma de enquadramento da renda. Os valores isentos não serão classificados como renda elevada. Essa definição segue os parâmetros da Lei nº 9.250, de 1995. Com isso, são evitados impactos indiretos em outras faixas de tributação.
Alinhamento com mudanças recentes no Imposto de Renda
A proposta avança de forma alinhada a ajustes recentes na legislação tributária brasileira. Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei nº 1.087/2025. Esse texto promoveu mudanças no Imposto de Renda voltadas aos trabalhadores urbanos.
Nesse contexto, o PL 1.196/2025 busca equilibrar o tratamento tributário entre áreas urbanas e rurais. Ao mesmo tempo, reconhece o papel estratégico do agronegócio na economia nacional. O setor é essencial para a geração de renda, empregos e alimentos.
Relator defende justiça fiscal e estímulo ao setor
Relator da matéria, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou que o projeto aplica o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, a cobrança de impostos passa a refletir melhor a realidade financeira do produtor rural.
Segundo o parlamentar, reduzir o peso tributário do agro não representa privilégio. Para ele, trata-se de uma medida de justiça fiscal. De acordo com sua avaliação, a proposta oferece fôlego financeiro ao setor. Além disso, fortalece a competitividade e ajuda a manter a produção de alimentos e a geração de empregos.
Nogueira também destacou a importância da correção automática do valor de isenção. Sem atualização periódica, benefícios fiscais tendem a perder eficácia. Isso compromete seus efeitos ao longo dos anos.
Menos burocracia e mais eficiência produtiva
Outro ponto enfatizado no relatório é a simplificação tributária. Produtores enquadrados na faixa de isenção ficarão dispensados da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda.
Com essa mudança, há redução direta da burocracia. Também ocorre diminuição de custos administrativos. Ao mesmo tempo, o produtor pode concentrar mais esforços na atividade produtiva.
Tramitação no Congresso e próximos passos
Atualmente, o PL 1.196/2025 tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados. O texto seguirá para análise da Comissão de Finanças e Tributação. Em seguida, passará pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Caso seja aprovado nessas etapas, o projeto poderá ser encaminhado diretamente ao Senado Federal. Nesse cenário, não haverá necessidade de votação no plenário da Câmara. Isso tende a acelerar sua tramitação.
Diante desse avanço no Congresso, a ampliação da isenção do Imposto de Renda será suficiente para dar previsibilidade ao produtor rural ou novas mudanças tributárias ainda serão necessárias para fortalecer o agro brasileiro?
