A agricultura orgânica avança de forma desigual entre Dinamarca e Brasil, destacando políticas, certificações, mercado e desafios estruturais
A agricultura orgânica surge no centro de discussões sobre sistemas alimentares diante de dados do IPCC que indicam intensificação da crise climática, segundo uma matéria publicada.
Um estudo analisou Dinamarca e Brasil e revelou trajetórias contrastantes no setor, mesmo com ambos possuindo condições favoráveis ao cultivo sustentável.
A investigação utilizou matriz SWOT e quadrantes para avaliar políticas públicas, organização social e dinâmica de mercado.
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Os resultados mostram que a Dinamarca estruturou um ambiente colaborativo desde os anos 1980, enquanto o Brasil ainda enfrenta limitações que reduzem a escala da produção.
Esses contrastes ajudam a compreender por que os dois países avançam em velocidades tão diferentes dentro do mesmo segmento.
Políticas públicas para produção sustentável
Na Dinamarca, o avanço ocorreu de forma contínua ao longo de décadas, sustentado por cooperação entre governo, agricultores e varejo.
Em 2023, o país destinou 303 mil hectares ao cultivo e registrou consumo per capita de 362 euros. A criação da Associação Nacional de Agricultura Orgânica, somada a certificações, formação técnica e incentivos fiscais, consolidou a base para expansão.
Campanhas nacionais, compras governamentais e crédito específico reforçaram o acesso, fortalecendo o selo “Økologisk” como referência para consumidores.
Certificação de produtos orgânicos na Europa
É notório a relevância da agricultura orgânica na estratégia dinamarquesa. Entre 2015 e 2021, houve aumento de 63% no número de propriedades certificadas, apoiado pela integração entre varejo e políticas alimentares.
Supermercados passaram a ofertar produtos orgânicos com valores mais acessíveis ainda nos anos 1990, ampliando o mercado interno.
Nos anos 2000, planos nacionais integraram políticas agrícolas e ambientais, elevando o país ao papel de referência.
Já no Brasil, persistem desafios como crédito restrito, baixa assistência técnica e ausência de monitoramento nacional.
Mercado consumidor de alimentos naturais
No Brasil, o cenário segue direção oposta. Dos mais de 351 milhões de hectares de área agrícola, apenas cerca de 1 milhão (0,4%) é dedicado ao cultivo orgânico.
O consumo anual é de € 4 por habitante, concentrado nas classes média e alta. A comercialização depende de circuitos curtos, como feiras locais, dificultando escala.
A agricultura orgânica aparece como tema central para entender como entraves estruturais, como concentração fundiária e falta de dados, limitam o avanço mesmo com amplo potencial produtivo.
A assistência técnica para pequenos produtores surge como ponto crucial. Programas como Pronaf, PAA e PNAE abriram caminhos, mas ainda não competem em volume com o modelo convencional.
A transição agroecológica no Brasil demanda políticas estáveis, crédito adequado e campanhas de consumo.
Pesquisadores da Unicamp e da Embrapa apontam que identificar barreiras pode facilitar mudanças e permitir que experiências internacionais inspirem adaptações locais.
O estudo também destaca que ampliar o monitoramento nacional e fortalecer iniciativas de organização social pode melhorar o ambiente produtivo.
Além disso, a demanda crescente por alimentos mais saudáveis contribui para abrir novas oportunidades em diversas regiões do país.
A agricultura orgânica é tratada como oportunidade diante da diversidade agrícola brasileira e do grande número de agricultores familiares que podem integrar o setor, ampliando perspectivas produtivas futuras significativamente.

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