Um Chevette adaptado com motor de motocicleta e sistema de transmissão incomum viralizou nas redes sociais ao combinar soluções artesanais, reaproveitamento de peças e questionamentos sobre funcionamento, desempenho e legalização, chamando atenção para os limites técnicos e legais de modificações automotivas no Brasil.
Um Chevette adaptado para rodar com motor de motocicleta e um conjunto de transmissão que, segundo o criador, soma 30 marchas, ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos meses.
O projeto é atribuído a Fagner, proprietário da oficina Fagner Motos Preparações, localizada em Camboriú (SC), que afirma ter unido componentes de carro e moto para tornar o veículo funcional.
De acordo com o responsável pela adaptação, o automóvel recebeu um motor de Honda CG Titan 150 e passou a operar com dois câmbios ao mesmo tempo: o original do Chevette e o da motocicleta.
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A combinação chamou atenção pelo caráter incomum e pela quantidade de relações de marcha alegadas, o que contribuiu para a viralização do conteúdo.
Como funciona o sistema de transmissão adaptado
Segundo o relato do dono, o motor transmite o movimento para dois sistemas de câmbio interligados, permitindo diferentes combinações de engrenagens.
A lógica descrita é que cada marcha do câmbio do Chevette pode ser utilizada em conjunto com as marchas do câmbio da moto, multiplicando as possibilidades de relação.
Com base nessa configuração, Fagner afirma que o carro passou a contar com 30 combinações, sendo cinco marchas a ré e as demais voltadas ao deslocamento para frente.
Os números, no entanto, são apresentados pelo próprio criador, sem divulgação pública de testes técnicos independentes ou medições certificadas.
Além da adaptação da transmissão, o proprietário relata ter realizado modificações internas no motor, como alterações em comando e cabeçote, além do aumento da cilindrada.
Segundo ele, a capacidade teria chegado a 190 cm³, o que ajudaria a lidar com o peso do veículo.
Ainda conforme as informações divulgadas pelo dono, o Chevette alcançaria até 100 km/h e teria consumo de até 36 km/l, sempre de acordo com medições próprias.
Origem do projeto e uso no dia a dia
O responsável pela adaptação afirma que a motivação inicial não foi criar um projeto experimental ou de exibição.
Ele relata que, durante uma mudança para uma cidade do interior, precisava de um veículo para circular em vias sem pavimentação, evitando o desgaste de outro carro.
Nesse contexto, Fagner diz ter recebido um Chevette sem motor como parte do pagamento por um serviço prestado.
Como já possuía uma CG Titan, optou por adaptar a mecânica da moto ao automóvel, buscando maior espaço interno e alguma comodidade nos deslocamentos diários.
Em declarações reproduzidas em entrevistas, o proprietário também comenta que o projeto foi desenvolvido de forma artesanal.
“Tudo é feito de forma caseira.
No meu carro, aproveitei peças que sobraram tanto do Chevette quanto da moto”, afirmou, ao explicar que não houve produção em série nem uso de soluções industriais.
Questionado sobre a possibilidade de repetir a modificação para clientes, ele declarou que consideraria o trabalho.
Ao mesmo tempo, ressaltou que cada caso exigiria adaptações específicas, dadas as particularidades desse tipo de conversão.
O que a legislação prevê para carros modificados
No Brasil, alterações estruturais em veículos, especialmente quando envolvem troca de motor e câmbio, estão sujeitas a regras específicas de homologação e regularização.
A Secretaria Nacional de Trânsito prevê a emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT) para veículos que passam por processos de fabricação artesanal ou transformações profundas.
De acordo com normas do Conselho Nacional de Trânsito, veículos fabricados ou modificados de forma unitária devem atender a requisitos de segurança e construção veicular.
O processo costuma exigir projeto técnico assinado por engenheiro habilitado, além de análises que permitem a criação de código específico de marca, modelo e versão para registro no Renavam.
Especialistas em direito de trânsito apontam que, sem esse conjunto de documentos e aprovações, o veículo não pode circular legalmente em vias públicas.
O cumprimento das exigências é fundamental para viabilizar o licenciamento junto aos Detrans estaduais.
Repercussão e informações ainda não confirmadas
A adaptação do Chevette ganhou destaque principalmente pelo caráter incomum da solução mecânica e pela criatividade envolvida no reaproveitamento de componentes.
Ao mesmo tempo, parte das informações divulgadas permanece baseada apenas em declarações do próprio criador, sem confirmação por laudos técnicos independentes.
Entre os pontos que ainda não têm validação pública estão os dados de consumo, velocidade máxima e o funcionamento detalhado do sistema de transmissão em uso contínuo.
Com a repercussão do caso e as questões técnicas envolvidas, o episódio reacende o debate sobre até onde adaptações artesanais podem avançar sem conflito com as exigências legais e de segurança para circulação em vias públicas.


O cara pega estrada de barro sem um mínimo de asfalto e estão preocupado com o licenciamento do carro ao invés da condição deplorável da via. Isso é Brasil 🇧🇷
Toda inovação pode ser bem vinda se for pra melhor, mas deve ser submetida a testes.
A força do motor não é compatível com o peso do carro, funciona mas sem nenhuma força, projeto pé de galinha 🐔🐣