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Aquecedor solar avança a 26,7 milhões m² no Brasil e ameaça chuveiro elétrico em residências do Sul e Sudeste

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 19/05/2026 às 09:00 Atualizado em 19/05/2026 às 09:03
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.
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O parque brasileiro de aquecedor solar chegou a 26,7 milhões de metros quadrados de coletores instalados em residências, condomínios, hotéis e indústrias.

O dado é da Pesquisa de Produção e Vendas 2025 da ABRASOL, publicada em março de 2026.

Em 2024, foram instalados 258.767 novos sistemas, na maior expansão do segmento. O Brasil ocupa a quinta posição no ranking mundial, atrás de China, Turquia, Índia e Estados Unidos, segundo a Agência Internacional de Energia.

Aquecedor solar de placas planas no telhado de residência brasileira
Sistema de aquecedor solar de placas planas com boiler de 200 litros instalado em residência brasileira. Foto: divulgação setorial.

A pressão sobre a conta de luz explica o salto. Um chuveiro elétrico convencional opera entre 5.500 W e 7.500 W de potência.

Segundo a Unicamp, o equipamento responde por 30% a 45% do consumo elétrico residencial em moradias de três pessoas.

Um banho de 10 minutos a 5,5 kW consome 0,92 kWh, e o gasto mensal de uma família de três chega a 82,5 kWh.

O peso real do chuveiro elétrico no bolso brasileiro

Em São Paulo, uma residência de classe média consome entre 180 e 220 kWh por mês, segundo Enel e CPFL.

A tarifa está em R$ 0,89 por kWh em maio de 2026, com bandeira amarela desde abril.

Por isso, o chuveiro isolado custa de R$ 70 a R$ 95 mensais para três pessoas. Em casas com quatro ou cinco moradores, passa de R$ 150.

Conforme a ABRAVA, cada sistema solar térmico dimensionado reduz o consumo residencial em 80 a 120 kWh por mês.

Isso representa entre R$ 70 e R$ 105 economizados por mês. Além disso, o pico de demanda nacional entre 17h e 21h é puxado pelo uso simultâneo de chuveiros elétricos.

Como o aquecedor solar de placas planas opera

O sistema concentra radiação solar em coletores no telhado. Cada coletor abriga serpentina de cobre que aquece a água em circulação.

A água segue até reservatório térmico, o boiler. Conforme a ABRASOL, capacidade típica é de 200 litros para três pessoas.

Corte técnico de coletor de aquecedor solar com serpentina de cobre
Corte técnico de coletor solar térmico: serpentina de cobre absorve radiação e transfere calor à água em circulação. Imagem: ABRASOL.

A água permanece entre 50 °C e 70 °C por até 48 horas no boiler. O isolamento em poliuretano de alta densidade garante a retenção térmica documentada pela UFSC.

Por isso, a tecnologia opera por convecção natural no modelo termossifão. Um sistema padrão precisa de 2 a 4 m² de coletores.

Conforme o LabEEE/UFSC, a vida útil supera 20 anos para os coletores e 15 anos para o boiler.

Soletrol e Heliotek: o parque industrial por trás de 3.700 campos de futebol

Os 26,7 milhões de m² equivalem a aproximadamente 3.700 campos de futebol, conforme cálculo a partir das medidas FIFA.

É o quinto maior parque solar térmico do mundo. O dado vem do relatório Solar Heat Worldwide 2025 da IEA, citado pela InvesteSP.

Em 2024, fabricantes como Soletrol (a maior, em São Manuel-SP), Heliotek, Komeco, Lorenzetti e Cumulus produziram coletores que somaram área superior a 1,5 milhão de m².

Conforme a TN Petróleo, a Heliotek anunciou nova linha em Santo André-SP com 500 mil m² adicionais por ano.

Linha de produção de coletores de aquecedor solar em fábrica brasileira
Linha de produção de coletores solares térmicos em fábrica brasileira. Foto: divulgação Heliotek.

Onde estão os 26,7 milhões de m² no Brasil

São Paulo concentra 35% do parque, Minas Gerais 18% e Paraná 11%, segundo estimativas setoriais. Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul completam o ranking dos seis primeiros estados.

Conforme a ABRASOL, no interior paulista, cidades como Ribeirão Preto, Bauru e São José do Rio Preto registraram crescimento de 24% nas instalações residenciais entre 2023 e 2025.

Por isso, Curitiba se destaca pelo programa IPTU Verde, instituído pela Lei nº 9.806/2000, com desconto de até 20% no IPTU.

Para contexto, ver a cobertura do parque Tengeh em Cingapura, com 122 mil painéis em 45 hectares.

Lucas Araújo: o engenheiro da UFRJ que documentou payback em 3 anos e 8 meses

O engenheiro Lucas Oliveira Araújo dimensionou em 2018 um sistema solar térmico para residência no Rio de Janeiro como TCC pela UFRJ Macaé.

Segundo o estudo do Instituto Politécnico da UFRJ Macaé, o sistema continha dois coletores de 1,5 m² cada e boiler de 200 litros.

O custo total instalado ficou em R$ 4.180, com economia mensal de R$ 95 na conta de luz.

Por isso, o cálculo de Araújo mostra retorno do investimento em 3 anos e 8 meses, considerando reajuste tarifário anual médio de 7%.

Conforme ABRAVA, a maioria dos sistemas residenciais entre 200 e 400 litros em regiões de boa insolação apresenta payback entre 3 e 5 anos.

Casa em Curitiba com aquecedor solar e selo IPTU Verde
Residência em Curitiba com sistema solar térmico instalado: a capital paranaense oferece até 20% de desconto no IPTU. Foto: Prefeitura de Curitiba.

IPTU verde em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Salvador

Quatro capitais brasileiras oferecem incentivos via IPTU para imóveis com sistemas solares térmicos.

Em São Paulo, a Lei nº 15.893/2013 prevê desconto de até 12% no IPTU residencial e até 20% no não residencial.

Em Curitiba, o Programa de Certificação Sustentável atinge até 20% pela mesma via.

Porto Alegre oferece descontos progressivos pela Lei Complementar nº 646/2010, com redução de até 12%, e adicionou em 2025 critérios específicos para aquecimento solar térmico.

Além disso, Salvador aprovou em 2025 a Lei nº 9.877 com novos incentivos tributários para edificações sustentáveis.

Pietro Mendes do MME: meta de 53 milhões de m² até 2030

A ANEEL projeta acréscimo de 9,1 GW na matriz elétrica brasileira em 2026.

No entanto, o consumo residencial continua pressionado. Conforme o ONS, há crescimento de ar-condicionado e dependência do chuveiro elétrico em moradias populares.

Por isso, a bandeira vermelha patamar 2, com R$ 9,79 a cada 100 kWh, foi acionada em sete dos últimos doze meses até abril de 2026.

Segundo o MME, o aquecimento solar térmico entra como prioridade no Plano Nacional de Transição Energética desde dezembro de 2025.

O documento prevê dobrar o parque até 2030, atingindo 53 milhões de m².

O secretário-executivo Pietro Mendes declarou em fevereiro que o aquecedor solar é a tecnologia mais barata para destravar a transição residencial.

Cinco regras para instalar o seu aquecedor solar

Conforme manual da ABRASOL, a escolha do sistema exige atenção a três variáveis: dimensionamento, posicionamento e qualidade.

O Inmetro certifica coletores e reservatórios pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem.

  • Dimensionamento: 1 m² de coletor para cada 75 litros de água quente diária, segundo a ABRASOL.
  • Posicionamento: face norte do telhado, inclinação igual à latitude local mais 10°.
  • Distância máxima: 10 metros entre coletores e boiler para evitar perdas térmicas.
  • Reservatório: 200 litros para 3 pessoas, 300 litros para 4, 400 litros para 5 ou mais.
  • Selo PROCEL: classe A garante eficiência mínima certificada pelo Inmetro.

Segundo o LabEEE/UFSC, a manutenção limita-se a limpeza semestral dos coletores e troca do ânodo de magnésio do boiler a cada três anos.

Conforme ver a nova etiqueta do Inmetro para geladeiras, que tira modelos D, E e F das prateleiras desde maio.

Instalação de aquecedor solar no telhado de casa em São Paulo
Instalação típica em casa unifamiliar paulista: 2 a 4 m² de coletores na face norte do telhado. Foto: divulgação setorial.

O dado de 26,7 milhões de m² acumulados confirma a tecnologia como a de maior penetração residencial no Brasil contra o chuveiro elétrico.

A escolha entre fotovoltaica e térmica, porém, permanece em aberto. Conforme a ABRAVA, residências com piscina aquecida ou alto consumo industrial podem se beneficiar mais da combinação dos dois sistemas.

No entanto, para banho doméstico até cinco pessoas, o sistema de placas planas com boiler de 200 a 400 litros segue como a solução de menor custo total no mercado brasileiro.

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Karlos Bambino
Karlos Bambino
22/05/2026 07:16

Tenho a 8 anos sistema de aquecimento de água para o banho com tubos a vácuo e um boiler de 300L… Somos em 4 adultos… Por ano contabilizei que ligamos o chuveiro elétrico nem 30 dias, época de chuva e tempo fechado, ou seja 11 meses aquecendo água pelo Sol. Minha última conta de luz em Curitiba -PR foi de r$139,00

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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