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Nova etiqueta do Inmetro tira geladeiras D, E e F das prateleiras no Brasil desde janeiro: classes A, B e C agora pagam até R$ 400 a menos na conta de luz

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 17/05/2026 às 12:00
Atualizado em 17/05/2026 às 12:02
Casal brasileiro examina geladeiras em loja após nova etiqueta do Inmetro entrar em vigor
Loja brasileira de eletrodomésticos: a nova etiqueta do Inmetro tira geladeiras D, E e F das prateleiras desde janeiro. Imagem: representação editorial.
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Desde 1º de janeiro de 2026, geladeiras D, E e F estão proibidas no Brasil pela nova etiqueta do Inmetro, que extingue as antigas faixas A+, A++ e A+++ e exige que cada modelo vendido conserve no mínimo 17% mais energia até 2028, evitando 5,7 milhões de toneladas de CO₂ até 2030.

Em 1º de janeiro de 2026, entrou em vigor no Brasil a nova etiqueta do inmetro para refrigeradores. A medida proibiu a fabricação e a venda de modelos das classes D, E e F.

Segundo o comunicado oficial do Inmetro, todos os refrigeradores fabricados ou importados passam a ser etiquetados com apenas três faixas. As classes válidas agora são A, B e C.

A mudança encerra o ciclo das antigas subclasses A+, A++ e A+++. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o pacote regulatório vinha sendo construído desde 2021.

Para o consumidor, o efeito direto é menos opção de produto barato e mais segurança de eficiência. Já para o sistema elétrico brasileiro, a política funciona como geração invisível.

Conforme detalhou o MME, a economia esperada chega a 11,2 TWh de eletricidade. Esse volume equivale a evitar 5,7 milhões de toneladas de CO₂ até 2030.

O que a nova etiqueta do inmetro mudou

Selo de eficiência energética da nova etiqueta do inmetro colado na porta de geladeira nova
Selo de eficiência energética da nova escala: A, B e C substituem as antigas faixas A+, A++ e A+++. Imagem: representação editorial.

A reformulação combina três movimentos. Primeiro, a reclassificação das faixas, que extingue A+, A++ e A+++ e restringe a escala a A, B e C.

Segundo, o endurecimento dos critérios técnicos. A nova exigência define quem é A, B ou C com base no consumo máximo permitido em relação a um valor de referência.

Terceiro, a proibição direta. Todos os modelos que ficariam abaixo do novo patamar foram retirados do mercado por resolução específica.

De acordo com o IPEM-SP, a fiscalização nas lojas começou imediatamente em janeiro. Em São Paulo, o órgão estadual emitiu orientações para consumidores e varejistas.

Conforme a Portaria Inmetro nº 332, de 2021, e a Portaria nº 736, de dezembro de 2024, a transição vinha sendo desenhada há cinco anos. Por isso, a indústria já tinha conhecimento prévio.

Quem decidiu a nova etiqueta do inmetro

Família brasileira na cozinha abrindo a porta de geladeira nova com selo da nova etiqueta do inmetro
Cozinha de família de classe média no Brasil: refrigerador é o segundo eletrodoméstico que mais consome energia em casa. Imagem: representação editorial.

A governança da medida envolve várias instâncias. No topo da cadeia decisória está o Ministério de Minas e Energia, que coordena a política de eficiência energética no Brasil.

Por meio do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética, o MME aprovou em novembro de 2023 a Resolução nº 2. Essa norma fixou metas de consumo para refrigeradores e congeladores.

O Inmetro, por sua vez, operacionalizou o Programa Brasileiro de Etiquetagem. Esse programa traduz metas em requisitos técnicos e em selos compreensíveis para o consumidor.

De acordo com o blog Procel da ENBPar/Eletrobras, a etiquetagem se insere no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica. Trata-se do guarda-chuva mais amplo de políticas de eficiência.

Conforme alertou em entrevista o diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro, Oswaldo Alves Ferreira Junior, a nova classificação foi alinhada à norma IEC 62552. O alinhamento facilita comparações com mercados europeus.

Impacto direto no bolso brasileiro

Linha de produção de geladeiras em fábrica brasileira que adaptou processos para a nova etiqueta do inmetro
Fábrica de eletrodomésticos no Brasil: indústria teve que adaptar linhas para atender a nova etiqueta. Imagem: representação editorial.

Em comparação com o cenário anterior, o consumidor tem acesso a aparelhos mais econômicos. De acordo com o MME, a média de eficiência sobe 17% até 2028.

Na prática, isso significa redução direta da conta de luz mensal. Estimativas oficiais indicam até R$ 200 a R$ 400 por ano de economia em uma família média.

Por outro lado, há preocupação com o preço dos modelos disponíveis. Conforme reportou o Jornal Nacional em abril, geladeiras mais eficientes tendem a custar mais caro no momento da compra.

Da mesma forma, fabricantes precisaram investir em motores e isolamento térmico melhores. Esses custos podem ser repassados parcialmente ao consumidor final.

Apesar disso, o cálculo de vida útil costuma compensar. Em um ciclo de dez anos, a economia em eletricidade supera o sobrepreço inicial em vários modelos populares.

A geração invisível para o sistema elétrico

Linhas de transmissão de alta tensão no Brasil aliviadas pelo efeito da nova etiqueta do inmetro
Linhas de transmissão no Brasil: política de etiquetagem é vista como geração invisível ao reduzir demanda em horário de pico. Imagem: representação editorial.

Para o setor de petróleo e gás, a medida tem dimensão estratégica. Geladeiras mais eficientes reduzem demanda em horário de pico, quando o sistema costuma despachar termelétricas fósseis.

Em comparação com investimentos em novas usinas, a etiquetagem é mais barata por MWh evitado. Trata-se de uma das políticas com melhor custo-efetividade do setor elétrico.

Conforme já documentou o Click Petróleo e Gás em reportagem anterior sobre o tema, o impacto agregado é da ordem de uma usina de médio porte.

Da mesma forma, segundo análise do CPG sobre o peso da conta de luz brasileira, qualquer corte estrutural de consumo alivia famílias em pobreza energética.

Por isso, o Ministério tratou a publicação como ato de transição. Em seguida, deve vir nova etiqueta para máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado.

Como a indústria reagiu

A indústria de linha branca teve até cinco anos para se preparar. Apesar disso, alguns fabricantes pediram em 2025 prorrogação de prazos para modelos populares.

De acordo com a Eletros, associação que reúne fabricantes, foi necessário rever o portfólio inteiro. Cerca de 30% dos modelos vendidos em 2024 não atendiam ao novo padrão.

Em comparação com a Europa, o Brasil chega ao novo padrão com atraso de cerca de cinco anos. A União Europeia adotou escala A-G unificada em 2021.

Por sua vez, o Inmetro destacou que a transição brasileira tem cronograma mais gradual. Posteriormente, em 2028 e 2031, novas metas serão aplicadas aos próximos lotes.

O que vem agora

Em seguida, novas regras devem alcançar máquinas de lavar e secar roupa. O Procel já trabalha com o setor para padronizar testes de IEC 62552.

Posteriormente, o foco passa para aparelhos de ar-condicionado split e janelas. Esses produtos respondem por parte significativa do pico de demanda em verões brasileiros.

Da mesma forma, a etiquetagem industrial está em estudo. O MME estima que novas políticas para o setor industrial podem gerar até R$ 10 bilhões em economia até 2050.

Apesar disso, ainda há pontos abertos. Especialistas pedem alinhamento com as metas climáticas do Acordo de Paris e com o Plano Decenal de Energia.

  • Data de vigência: 1º de janeiro de 2026
  • Faixas extintas: A+, A++, A+++, D, E e F
  • Faixas válidas: A, B e C
  • Norma base: Portaria Inmetro nº 332/2021 e nº 736/2024
  • Resolução do MME: CGIEE nº 2 de novembro de 2023
  • Eficiência média esperada até 2028: +17% sobre o atual
  • Economia projetada até 2030: 11,2 TWh de eletricidade
  • Emissões evitadas: 5,7 milhões de toneladas de CO₂

Ressalvas e o que o consumidor deve observar

De acordo com o Instituto Escolhas, em relatório técnico sobre geladeiras no Brasil, ainda há entraves de aceitação. Apesar disso, o consumidor brasileiro costuma comprar pelo preço, não pelo selo.

Conforme reportou o portal Olhar Alerta em janeiro, ações educativas serão decisivas para a adesão. Lojistas precisam treinar vendedores para explicar a nova escala.

Apesar disso, o monitoramento da fiscalização ainda é desafio. Vale lembrar, no entanto, que o IPEM-SP comunicou intenção de inspecionar pontos de venda em todo o estado de São Paulo.

Por fim, fica a pergunta: se a nova etiqueta do inmetro reduzir mesmo 5,7 milhões de toneladas de CO₂, o Brasil deveria estender a régua para ar-condicionado já em 2027?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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