Desde 1º de janeiro de 2026, geladeiras D, E e F estão proibidas no Brasil pela nova etiqueta do Inmetro, que extingue as antigas faixas A+, A++ e A+++ e exige que cada modelo vendido conserve no mínimo 17% mais energia até 2028, evitando 5,7 milhões de toneladas de CO₂ até 2030.
Em 1º de janeiro de 2026, entrou em vigor no Brasil a nova etiqueta do inmetro para refrigeradores. A medida proibiu a fabricação e a venda de modelos das classes D, E e F.
Segundo o comunicado oficial do Inmetro, todos os refrigeradores fabricados ou importados passam a ser etiquetados com apenas três faixas. As classes válidas agora são A, B e C.
A mudança encerra o ciclo das antigas subclasses A+, A++ e A+++. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o pacote regulatório vinha sendo construído desde 2021.
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Para o consumidor, o efeito direto é menos opção de produto barato e mais segurança de eficiência. Já para o sistema elétrico brasileiro, a política funciona como geração invisível.
Conforme detalhou o MME, a economia esperada chega a 11,2 TWh de eletricidade. Esse volume equivale a evitar 5,7 milhões de toneladas de CO₂ até 2030.
O que a nova etiqueta do inmetro mudou

A reformulação combina três movimentos. Primeiro, a reclassificação das faixas, que extingue A+, A++ e A+++ e restringe a escala a A, B e C.
Segundo, o endurecimento dos critérios técnicos. A nova exigência define quem é A, B ou C com base no consumo máximo permitido em relação a um valor de referência.
Terceiro, a proibição direta. Todos os modelos que ficariam abaixo do novo patamar foram retirados do mercado por resolução específica.
De acordo com o IPEM-SP, a fiscalização nas lojas começou imediatamente em janeiro. Em São Paulo, o órgão estadual emitiu orientações para consumidores e varejistas.
Conforme a Portaria Inmetro nº 332, de 2021, e a Portaria nº 736, de dezembro de 2024, a transição vinha sendo desenhada há cinco anos. Por isso, a indústria já tinha conhecimento prévio.
Quem decidiu a nova etiqueta do inmetro

A governança da medida envolve várias instâncias. No topo da cadeia decisória está o Ministério de Minas e Energia, que coordena a política de eficiência energética no Brasil.
Por meio do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética, o MME aprovou em novembro de 2023 a Resolução nº 2. Essa norma fixou metas de consumo para refrigeradores e congeladores.
O Inmetro, por sua vez, operacionalizou o Programa Brasileiro de Etiquetagem. Esse programa traduz metas em requisitos técnicos e em selos compreensíveis para o consumidor.
De acordo com o blog Procel da ENBPar/Eletrobras, a etiquetagem se insere no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica. Trata-se do guarda-chuva mais amplo de políticas de eficiência.
Conforme alertou em entrevista o diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro, Oswaldo Alves Ferreira Junior, a nova classificação foi alinhada à norma IEC 62552. O alinhamento facilita comparações com mercados europeus.
Impacto direto no bolso brasileiro

Em comparação com o cenário anterior, o consumidor tem acesso a aparelhos mais econômicos. De acordo com o MME, a média de eficiência sobe 17% até 2028.
Na prática, isso significa redução direta da conta de luz mensal. Estimativas oficiais indicam até R$ 200 a R$ 400 por ano de economia em uma família média.
Por outro lado, há preocupação com o preço dos modelos disponíveis. Conforme reportou o Jornal Nacional em abril, geladeiras mais eficientes tendem a custar mais caro no momento da compra.
Da mesma forma, fabricantes precisaram investir em motores e isolamento térmico melhores. Esses custos podem ser repassados parcialmente ao consumidor final.
Apesar disso, o cálculo de vida útil costuma compensar. Em um ciclo de dez anos, a economia em eletricidade supera o sobrepreço inicial em vários modelos populares.
A geração invisível para o sistema elétrico

Para o setor de petróleo e gás, a medida tem dimensão estratégica. Geladeiras mais eficientes reduzem demanda em horário de pico, quando o sistema costuma despachar termelétricas fósseis.
Em comparação com investimentos em novas usinas, a etiquetagem é mais barata por MWh evitado. Trata-se de uma das políticas com melhor custo-efetividade do setor elétrico.
Conforme já documentou o Click Petróleo e Gás em reportagem anterior sobre o tema, o impacto agregado é da ordem de uma usina de médio porte.
Da mesma forma, segundo análise do CPG sobre o peso da conta de luz brasileira, qualquer corte estrutural de consumo alivia famílias em pobreza energética.
Por isso, o Ministério tratou a publicação como ato de transição. Em seguida, deve vir nova etiqueta para máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado.
Como a indústria reagiu
A indústria de linha branca teve até cinco anos para se preparar. Apesar disso, alguns fabricantes pediram em 2025 prorrogação de prazos para modelos populares.
De acordo com a Eletros, associação que reúne fabricantes, foi necessário rever o portfólio inteiro. Cerca de 30% dos modelos vendidos em 2024 não atendiam ao novo padrão.
Em comparação com a Europa, o Brasil chega ao novo padrão com atraso de cerca de cinco anos. A União Europeia adotou escala A-G unificada em 2021.
Por sua vez, o Inmetro destacou que a transição brasileira tem cronograma mais gradual. Posteriormente, em 2028 e 2031, novas metas serão aplicadas aos próximos lotes.
O que vem agora
Em seguida, novas regras devem alcançar máquinas de lavar e secar roupa. O Procel já trabalha com o setor para padronizar testes de IEC 62552.
Posteriormente, o foco passa para aparelhos de ar-condicionado split e janelas. Esses produtos respondem por parte significativa do pico de demanda em verões brasileiros.
Da mesma forma, a etiquetagem industrial está em estudo. O MME estima que novas políticas para o setor industrial podem gerar até R$ 10 bilhões em economia até 2050.
Apesar disso, ainda há pontos abertos. Especialistas pedem alinhamento com as metas climáticas do Acordo de Paris e com o Plano Decenal de Energia.
- Data de vigência: 1º de janeiro de 2026
- Faixas extintas: A+, A++, A+++, D, E e F
- Faixas válidas: A, B e C
- Norma base: Portaria Inmetro nº 332/2021 e nº 736/2024
- Resolução do MME: CGIEE nº 2 de novembro de 2023
- Eficiência média esperada até 2028: +17% sobre o atual
- Economia projetada até 2030: 11,2 TWh de eletricidade
- Emissões evitadas: 5,7 milhões de toneladas de CO₂
Ressalvas e o que o consumidor deve observar
De acordo com o Instituto Escolhas, em relatório técnico sobre geladeiras no Brasil, ainda há entraves de aceitação. Apesar disso, o consumidor brasileiro costuma comprar pelo preço, não pelo selo.
Conforme reportou o portal Olhar Alerta em janeiro, ações educativas serão decisivas para a adesão. Lojistas precisam treinar vendedores para explicar a nova escala.
Apesar disso, o monitoramento da fiscalização ainda é desafio. Vale lembrar, no entanto, que o IPEM-SP comunicou intenção de inspecionar pontos de venda em todo o estado de São Paulo.
Por fim, fica a pergunta: se a nova etiqueta do inmetro reduzir mesmo 5,7 milhões de toneladas de CO₂, o Brasil deveria estender a régua para ar-condicionado já em 2027?

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