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Adeus ar-condicionado? A nova aposta da China para resfriar cidades inteiras sem depender de milhões de aparelhos ligados ao mesmo tempo

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 14/07/2026 às 15:54
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redes de resfriamento na CHINA
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China aposta em redes de água gelada, névoa urbana, telhados refletivos e corredores de vento para reduzir calor extremo nas cidades.

A China está tentando mudar a forma como cidades enfrentam o calor extremo. Em vez de depender apenas de milhões de aparelhos de ar-condicionado ligados ao mesmo tempo, engenheiros e gestores urbanos passaram a tratar o resfriamento como parte da infraestrutura da cidade. Segundo a CGTN, cidades chinesas começaram a repensar como o frio é produzido e entregue. A ideia é sair do modelo em que cada prédio depende do próprio sistema e avançar para redes centralizadas de resfriamento, energia mais limpa e gestão inteligente.

Esse movimento ganhou força porque o calor extremo já pressiona a rede elétrica. Em julho de 2025, a Reuters informou que uma onda de calor no leste da China levou a carga máxima nacional de energia a 1,47 bilhão de quilowatts, enquanto o ar-condicionado respondia por cerca de 37% da demanda elétrica na região leste do país.

Calor acima de 40 °C pressiona energia, indústria e rotina urbana na China

O problema não é apenas sentir calor dentro de casa. A Reuters informou que áreas do leste chinês enfrentaram temperaturas entre 37 °C e 39 °C, com previsão de pontos acima de 40 °C em províncias como Anhui, Zhejiang, Hubei e Henan.

Essas ondas de calor atingem regiões agrícolas, industriais e portuárias. Quando milhões de residências, escritórios, shoppings e fábricas ligam ar-condicionado ao mesmo tempo, a cidade esfria por dentro, mas a rede elétrica passa a operar sob pressão máxima.

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redes de resfriamento

É nesse ponto que a China tenta mudar a lógica. A aposta não é simplesmente instalar mais aparelhos, mas criar sistemas urbanos capazes de resfriar bairros inteiros com mais eficiência, reduzindo duplicação de equipamentos e diminuindo picos de consumo.

Resfriamento distrital usa água gelada subterrânea para atender vários prédios ao mesmo tempo

A solução mais ambiciosa é o chamado resfriamento distrital, também conhecido como district cooling. O conceito funciona como uma rede urbana: uma central produz água gelada e envia esse frio por tubulações subterrâneas para diferentes edifícios.

Segundo a CGTN, em vez de cada torre comercial, shopping ou conjunto residencial ter a própria central de refrigeração, uma estação centralizada produz água gelada e distribui o resfriamento por dutos subterrâneos. Depois de absorver calor dentro dos prédios, a água retorna à estação para ser resfriada novamente.

Na prática, a cidade passa a funcionar como um organismo térmico. O frio não é produzido de forma isolada em cada edifício, mas distribuído por uma rede. Isso reduz equipamentos repetidos, libera espaço nos prédios e permite controlar melhor o consumo de energia.

Qianhai constrói uma das maiores redes de resfriamento urbano da China

Um dos exemplos mais fortes fica em Qianhai, zona de cooperação em Shenzhen. Segundo o governo de Qianhai, a Estação de Resfriamento nº 5 começou a operar no subsolo de uma área pública em Qianwan e foi descrita como a maior estação centralizada de resfriamento da Ásia no momento de sua entrada em operação.

Os números explicam o tamanho da aposta. A estação tem capacidade de produção de 38.400 toneladas de refrigeração, armazenamento de gelo de 153.800 RTh e capacidade máxima de 60.500 toneladas de refrigeração. Ela pode atender cerca de 2,75 milhões de metros quadrados de área construída.

Isso muda completamente a escala do combate ao calor. Em vez de milhares de máquinas trabalhando separadas, a cidade usa uma estrutura central para entregar frio a grandes áreas urbanas.

Rede de 90 km deve resfriar 15 milhões de m² quando estiver concluída

O projeto de Qianhai vai além de uma única estação. Segundo publicação oficial do governo local, a região está construindo 10 estações frias conectadas a uma rede de 90 km de tubulações. Quando concluído, o sistema deve resfriar 15 milhões de metros quadrados de área construída.

A China não está testando apenas uma máquina nova, mas uma infraestrutura urbana inteira. A proposta é transformar o resfriamento em serviço coletivo, semelhante a energia, água ou transporte.

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A CGTN informa que, quando todas as 10 estações planejadas estiverem finalizadas, a rede de Qianhai deve economizar 130 milhões de kWh de eletricidade por ano e reduzir 130 mil toneladas de emissões de CO₂ anualmente.

Gelo produzido à noite reduz o pico de consumo durante o dia

Outro ponto importante é o armazenamento de gelo. A lógica é simples: produzir frio durante a noite, quando a demanda elétrica é menor, e usar esse frio durante o dia, quando o calor e o consumo disparam.

A CGTN explica que a gestão inteligente de energia permite deslocar operações intensivas para horários fora de pico, equilibrando produção, armazenamento e distribuição de resfriamento.

Esse detalhe é crucial porque o ar-condicionado tradicional costuma pressionar a rede justamente no pior momento: tardes de calor extremo, quando milhões de aparelhos funcionam simultaneamente. Com gelo térmico, parte da energia necessária para resfriar prédios é “armazenada” antes do pico.

Névoa urbana cria zonas de alívio térmico nas ruas

A China também testa soluções para áreas abertas, onde o ar-condicionado comum não resolve. Uma delas é a nebulização urbana, sistema que libera gotículas muito finas de água em espaços públicos.

Segundo a CGTN, equipamentos instalados em Turpan podem reduzir a temperatura localizada entre 3 °C e 8 °C, além de umidificar o ar e ajudar a controlar poeira.

A tecnologia funciona porque a névoa evapora rapidamente. Nesse processo, a água retira calor do ar ao redor, criando uma sensação de resfriamento sem necessariamente molhar quem passa.

Esse tipo de sistema pode ser útil em praças, calçadas, pontos de ônibus, áreas comerciais e corredores turísticos. Ele não substitui climatização interna, mas cria zonas de alívio em espaços públicos durante ondas de calor.

Telhados refletivos reduzem a absorção de calor antes que o prédio esquente

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Outra aposta está nos materiais urbanos. Telhados escuros, fachadas quentes e pavimentos que absorvem radiação solar intensificam o efeito de ilha de calor urbana, fazendo a cidade acumular temperatura durante o dia e liberar calor à noite.

Segundo o Berkeley Lab, telhados refletivos, também chamados de cool roofs, mantêm edifícios mais frios e reduzem a necessidade de ar-condicionado. A instituição explica que superfícies escuras aquecidas contribuem para a ilha de calor urbana, enquanto telhados mais refletivos ajudam a diminuir esse efeito.

Em estudo sobre Guangzhou, pesquisadores simularam o impacto de telhados mais refletivos durante ondas de calor. O Berkeley Lab informa que a temperatura urbana média ao meio-dia caiu 1,2 °C durante ondas de calor, resultado maior que a redução de 0,8 °C em condições típicas de verão.

Guangzhou usa corredores de vento como “ar-condicionado natural” da cidade

A China também está olhando para o desenho urbano. Segundo o Banco Mundial, Guangzhou preservou seis grandes corredores de ventilação ao longo de montanhas, sistemas de água e espaços abertos para permitir que o vento circule pela cidade.

A lógica é tratar o vento como parte da infraestrutura climática. Edifícios altos, ruas estreitas e excesso de concreto podem bloquear a circulação de ar. Quando isso acontece, o calor fica preso entre as construções, aumentando a sensação térmica.

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O Banco Mundial também destaca o uso de florestas, lagos, rios e fachadas verdes como fontes naturais de resfriamento. Em vez de combater o calor apenas dentro dos edifícios, Guangzhou tenta reduzir a temperatura do ambiente urbano antes que o calor chegue às pessoas.

Arquitetura tradicional chinesa volta como solução moderna contra o calor

Uma parte da solução não vem de máquinas novas, mas de técnicas antigas. Construções tradicionais do sul da China já usavam pátios, becos estreitos e ventilação cruzada para reduzir calor antes da popularização do ar-condicionado.

Um estudo publicado na revista Buildings, da MDPI, analisou construções tradicionais de Guangdong e destacou o uso de pátios, becos frios, portas e janelas para criar ventilação natural, economia de energia e adaptação ao clima local.

A cidade do futuro não depende apenas de sensores e tubulações, mas também de sombra, vento, orientação solar, materiais adequados e desenho urbano inteligente.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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