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Adeus ao pneu dependente do petróleo: Continental cria pneu com borracha de dente-de-leão, sílica de casca de arroz e PET reciclado, reduz peso em até 40% e mostra como até os pneus podem entrar na economia circular

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 14/07/2026 às 10:15 Atualizado em 14/07/2026 às 10:17
Assista o vídeoContinental criou o Conti GreenConcept com 35% de materiais renováveis, 17% reciclados, PET reaproveitado e peso até 40% menor.
Continental criou o Conti GreenConcept com 35% de materiais renováveis, 17% reciclados, PET reaproveitado e peso até 40% menor.
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Continental criou o Conti GreenConcept com 35% de materiais renováveis, 17% reciclados, PET reaproveitado e peso até 40% menor.

A Continental apresentou o Conti GreenConcept como uma vitrine tecnológica para mostrar como a indústria de pneus pode reduzir o uso de matérias-primas virgens, diminuir a dependência de derivados de petróleo e avançar na economia circular. O modelo não é apenas um pneu “verde” no visual. Ele reúne borracha natural de dente-de-leão, sílica obtida a partir de cinzas de casca de arroz, óleos e resinas vegetais, além de poliéster reciclado de garrafas PET.

Segundo a própria Continental, o Conti GreenConcept foi apresentado na IAA Mobility 2021 com foco em três frentes: uso elevado de materiais renováveis e reciclados, construção mais leve e extensão da vida útil por meio de banda de rodagem renovável. A empresa afirma que mais da metade do pneu conceito é formada por materiais renováveis ou reciclados.

Borracha de dente-de-leão é uma tentativa de reduzir dependência da seringueira tropical

Um dos elementos mais curiosos do Conti GreenConcept é o uso de borracha de dente-de-leão. A ideia parece improvável, mas faz parte de uma linha de pesquisa da Continental chamada Taraxagum, voltada à obtenção de borracha natural a partir do dente-de-leão russo.

Segundo a Continental, a empresa trabalha nesse projeto desde 2011 com parceiros de pesquisa. O objetivo é produzir borracha natural mais perto das fábricas de pneus, reduzindo dependência exclusiva de regiões tropicais e diminuindo emissões relacionadas a longas rotas de transporte.

A companhia também aponta riscos ligados à expansão de áreas de seringueira em florestas tropicais e à vulnerabilidade dessas plantações a doenças.

Continental criou o Conti GreenConcept com 35% de materiais renováveis, 17% reciclados, PET reaproveitado e peso até 40% menor.
Continental criou o Conti GreenConcept com 35% de materiais renováveis, 17% reciclados, PET reaproveitado e peso até 40% menor. – Divulgação

O dente-de-leão entra nesse contexto como alternativa agrícola. A própria Continental informa que já colocou no mercado o Urban Taraxagum, pneu de bicicleta com banda de rodagem feita de borracha pura de dente-de-leão, apresentado como o primeiro pneu produzido em série com esse tipo de material na banda.

No caso do Conti GreenConcept, o uso dessa borracha funciona como demonstração de caminho tecnológico. A mensagem é clara: se uma planta comum, muitas vezes vista como erva daninha, pode fornecer matéria-prima para pneus, a cadeia produtiva pode se tornar menos dependente de insumos tradicionais e regiões distantes.

Casca de arroz vira sílica e entra na receita do pneu sustentável

Outro ponto chamativo é a sílica obtida a partir de cinzas de casca de arroz. A sílica é usada em compostos de pneus para ajudar no desempenho, na resistência ao rolamento e em propriedades ligadas à eficiência.

No Conti GreenConcept, a Continental informa que o silicato de cinzas de casca de arroz aparece entre os materiais renováveis usados no conceito.

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A lógica é transformar um subproduto agrícola em matéria-prima industrial. Em vez de depender apenas de fontes convencionais, o pneu conceito incorpora resíduos ou derivados de cadeias já existentes. Isso fortalece o apelo de economia circular, porque materiais que antes poderiam ter uso limitado passam a compor um produto de alto desempenho.

Esse detalhe também ajuda a tornar a pauta forte para curiosidade tecnológica. O mesmo pneu que toca o asfalto em alta velocidade pode carregar, em sua composição, elementos vindos de uma planta como o dente-de-leão e de um resíduo agrícola como a casca de arroz.

Garrafas PET recicladas entram na carcaça do pneu com a tecnologia ContiRe.Tex

O uso de garrafas PET recicladas é outro ponto central da estratégia da Continental. Segundo a empresa, a tecnologia ContiRe.Tex transforma garrafas PET recicladas em fios de poliéster de alto desempenho, capazes de substituir o poliéster convencional usado na carcaça dos pneus.

De acordo com a Continental, testes de laboratório e de pneus indicaram que as fibras produzidas a partir de PET reciclado têm qualidade, estabilidade e adequação semelhantes às fibras convencionais feitas de matéria-prima derivada do petróleo. A empresa destaca resistência à tração, tenacidade e estabilidade térmica como características importantes para aplicação em pneus.

A Continental também informou, em comunicado de novembro de 2024, que está ampliando o uso de poliéster de garrafas PET recicladas em suas fábricas. Dependendo do tamanho do pneu, até 15 garrafas PET podem ser usadas por unidade.

A empresa afirma ainda que pretende trocar completamente, até 2030, o poliéster de pneus novos de carros e veículos comerciais leves por fibras de alto desempenho feitas de PET sustentável.

Pneu pesa 7,5 kg e pode ser até 40% mais leve que modelos convencionais

Além da composição sustentável, o Conti GreenConcept também aposta em redução de peso. Segundo a Continental, o pneu conceito pesa apenas 7,5 kg, sendo até 40% mais leve que pneus padrão atuais. Essa redução foi obtida com perfil de banda otimizado, flanco especial, estrutura de carcaça inovadora e núcleo com peso reduzido.

Na página da Continental Tires sobre o conceito, a empresa afirma que essa construção mais leve reduz o uso de material e também pode ajudar a aumentar a autonomia de veículos elétricos em até 6%. Esse dado reforça a ligação entre pneus sustentáveis e mobilidade elétrica, já que menos peso e menor resistência ao rolamento podem contribuir para eficiência energética.

O pneu também foi pensado para veículos inteligentes do futuro. Segundo a Continental, o Conti GreenConcept é voltado a conceitos de veículos com sensores e tecnologias de condução mais eficientes, capazes de reduzir desgaste e melhorar o uso dos pneus em trânsito urbano.

Banda renovável e sensores mostram que o futuro do pneu pode ir além da borracha

A Continental também destaca que o Conti GreenConcept pode receber nova banda de rodagem mais de uma vez, o que prolonga a vida útil do pneu e reduz o consumo de materiais. Na prática, a ideia é evitar que todo o pneu seja descartado quando apenas a banda está desgastada.

Outro detalhe tecnológico está nos sensores. Segundo a Continental, o conceito inclui sensores de nova geração para monitorar pressão, temperatura e profundidade da banda de rodagem. Esse tipo de monitoramento pode ajudar motoristas e sistemas inteligentes a manter o pneu em condições mais eficientes e seguras.

Com isso, o Conti GreenConcept não tenta ser apenas um pneu feito com material alternativo. Ele combina matérias-primas renováveis, conteúdo reciclado, redução de peso, possibilidade de renovação da banda e sensoriamento. É uma visão de pneu como componente inteligente dentro de uma cadeia automotiva mais limpa.

Conti GreenConcept mostra como até pneus podem entrar na economia circular

O Conti GreenConcept chama atenção porque ataca um dos componentes mais comuns e menos percebidos do carro: o pneu. Todo veículo depende deles, mas pouca gente pensa na quantidade de matéria-prima envolvida em sua fabricação e no desafio ambiental do descarte.

A proposta da Continental mostra que o futuro dos pneus pode envolver materiais vindos de fontes pouco óbvias. Dente-de-leão pode fornecer borracha. Cinza de casca de arroz pode virar sílica. Garrafas PET podem virar poliéster de alta resistência. Pneus usados podem voltar ao ciclo como borracha reaproveitada. Aço e negro de fumo também podem ser recuperados.

O modelo ainda é um conceito, mas seus elementos já apontam caminhos reais. A Continental informa que materiais como borracha reciclada, óleos vegetais e PET reciclado já aparecem em estratégias de produção da empresa, e a tecnologia ContiRe.Tex vem sendo ampliada em fábricas e linhas de pneus.

Por isso, a força da pauta não está apenas no pneu feito com dente-de-leão. Está no conjunto: um produto industrial pesado, tradicionalmente associado a petróleo, borracha e alto consumo de material, sendo redesenhado com insumos renováveis, resíduos agrícolas e plástico reciclado.

Se esse caminho avançar para produção em larga escala, o pneu pode deixar de ser visto apenas como item de desgaste e passar a ser tratado como peça estratégica da economia circular automotiva. O Conti GreenConcept é um recado da Continental de que a mobilidade sustentável não depende apenas do motor elétrico, mas também dos materiais escondidos em cada roda.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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