1. Início
  2. Curiosidades
  3. Aos 11 anos, menina cansou de abrir os livros da escola e encontrar sempre os mesmos protagonistas, decidiu fazer algo por conta própria, criou uma campanha internacional e conseguiu arrecadar mais de 15 mil obras com meninas negras finalmente ocupando o centro das histórias
Faça um comentário 4 min de leitura

Aos 11 anos, menina cansou de abrir os livros da escola e encontrar sempre os mesmos protagonistas, decidiu fazer algo por conta própria, criou uma campanha internacional e conseguiu arrecadar mais de 15 mil obras com meninas negras finalmente ocupando o centro das histórias

Imagem de perfil do autor Caio Aviz
Escrito por Caio Aviz Publicado em 13/07/2026 às 15:50 Atualizado em 13/07/2026 às 15:52
Assista o vídeoMenina negra lê livro infantil em biblioteca, representando a campanha #1000BlackGirlBooks criada por Marley Dias.
Imagem ilustrativa de uma menina negra lendo em uma biblioteca, em referência ao movimento #1000BlackGirlBooks e à busca por maior representatividade na literatura infantil.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Movimento #1000BlackGirlBooks, criado pela americana Marley Dias, superou a meta inicial e levou livros representativos para escolas, bibliotecas e comunidades de diferentes países

A campanha criada por uma menina de apenas 11 anos ganhou repercussão internacional ao enfrentar um problema observado diariamente dentro da própria escola: a falta de protagonistas negras nos livros infantis.

Idealizado pela americana Marley Dias, o movimento #1000BlackGirlBooks começou com a meta de arrecadar mil obras protagonizadas por meninas negras.

Entretanto, a iniciativa cresceu rapidamente, mobilizou leitores, educadores e organizações e reuniu mais de 15 mil livros destinados a diferentes comunidades.

Falta de protagonistas negras motivou a criação da campanha

A ideia surgiu depois que Marley percebeu que os livros indicados pela escola apresentavam repetidamente meninos brancos e animais como personagens principais.

Embora gostasse de ler, a jovem encontrava poucas histórias nas quais meninas parecidas com ela ocupassem o centro das narrativas.

Diante disso, Marley compartilhou sua insatisfação com a mãe, Janice Johnson Dias.

A mãe, então, perguntou o que a filha poderia fazer para mudar aquela realidade.

A resposta surgiu em novembro de 2015, quando Marley criou a campanha #1000BlackGirlBooks com apoio da GrassROOTS Community Foundation.

O objetivo inicial era arrecadar mil livros infantis com meninas negras como protagonistas.

Campanha ultrapassou rapidamente a meta de mil livros

A iniciativa começou a receber apoio de famílias, professores, escritores, escolas e organizações interessadas em ampliar a diversidade literária.

Além disso, a história de Marley ganhou espaço em jornais, programas de televisão e veículos de comunicação internacionais.

Consequentemente, as doações passaram a chegar de diferentes regiões, fazendo a campanha superar rapidamente a meta inicial.

A página oficial do projeto informou que mais de 13 mil livros foram coletados durante a expansão do movimento.

Posteriormente, um perfil publicado pela Congressional Black Caucus Foundation indicou que o total havia ultrapassado 15 mil exemplares.

Parte das obras foi enviada à Jamaica, país de origem da mãe de Marley.

Da mesma forma, a campanha promoveu ações voltadas para escolas de Gana e incentivou debates sobre representatividade em outras comunidades.

Meninas negras passaram a ocupar o centro das narrativas

O movimento não pretendia apenas aumentar a quantidade de livros disponíveis em escolas e bibliotecas.

Marley buscava histórias nas quais meninas negras aparecessem com sonhos, famílias, desafios e experiências próprias.

Anteriormente, essas personagens costumavam ocupar papéis secundários ou simplesmente não apareciam nos livros utilizados em sala de aula.

Essa ausência dificultava a identificação de muitas crianças com as histórias apresentadas pelas instituições de ensino.

A campanha, portanto, transformou uma experiência individual em uma discussão mais ampla sobre diversidade editorial e formação de acervos escolares.

Além disso, o movimento disponibilizou uma base de dados com cerca de mil títulos protagonizados por meninas negras.

A ferramenta passou a servir como referência para famílias, professores, bibliotecários e instituições interessadas em encontrar obras mais representativas.

Jovem ativista também se tornou escritora

A repercussão da campanha abriu novos caminhos para Marley Dias dentro da educação e do universo editorial.

A jovem passou a participar de entrevistas, conferências e encontros relacionados à igualdade, à literatura e à representação cultural.

Em 2018, Marley lançou o livro Marley Dias Gets It Done: And So Can You!.

Na obra, a ativista apresenta sua trajetória e incentiva crianças e adolescentes a desenvolverem projetos capazes de transformar suas comunidades.

Naquele mesmo período, a campanha já havia arrecadado mais de 11 mil livros, segundo levantamento divulgado pela PBS NewsHour.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Uma reclamação infantil ganhou alcance internacional

A criação da #1000BlackGirlBooks mostrou que uma experiência vivida por uma criança pode gerar uma mobilização de grande alcance.

Uma campanha de arrecadação, uma hashtag e uma mensagem direta ajudaram Marley a reunir milhares de apoiadores.

O movimento também demonstrou que representatividade não significa apenas colocar personagens diferentes nas capas dos livros.

Crianças precisam encontrar protagonistas diversos vivendo aventuras, enfrentando dificuldades, cometendo erros e construindo suas próprias histórias.

Milhares de livros depois, a campanha permanece associada à ideia que motivou Marley desde o início.

Meninas negras não precisam permanecer ao fundo das narrativas, pois também podem ser as personagens principais dos livros e de suas próprias vidas.

Você acredita que as escolas brasileiras oferecem livros suficientes com protagonistas de diferentes origens e realidades?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x