Movimento #1000BlackGirlBooks, criado pela americana Marley Dias, superou a meta inicial e levou livros representativos para escolas, bibliotecas e comunidades de diferentes países
A campanha criada por uma menina de apenas 11 anos ganhou repercussão internacional ao enfrentar um problema observado diariamente dentro da própria escola: a falta de protagonistas negras nos livros infantis.
Idealizado pela americana Marley Dias, o movimento #1000BlackGirlBooks começou com a meta de arrecadar mil obras protagonizadas por meninas negras.
Entretanto, a iniciativa cresceu rapidamente, mobilizou leitores, educadores e organizações e reuniu mais de 15 mil livros destinados a diferentes comunidades.
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Falta de protagonistas negras motivou a criação da campanha
A ideia surgiu depois que Marley percebeu que os livros indicados pela escola apresentavam repetidamente meninos brancos e animais como personagens principais.
Embora gostasse de ler, a jovem encontrava poucas histórias nas quais meninas parecidas com ela ocupassem o centro das narrativas.
Diante disso, Marley compartilhou sua insatisfação com a mãe, Janice Johnson Dias.
A mãe, então, perguntou o que a filha poderia fazer para mudar aquela realidade.
A resposta surgiu em novembro de 2015, quando Marley criou a campanha #1000BlackGirlBooks com apoio da GrassROOTS Community Foundation.
O objetivo inicial era arrecadar mil livros infantis com meninas negras como protagonistas.
Campanha ultrapassou rapidamente a meta de mil livros
A iniciativa começou a receber apoio de famílias, professores, escritores, escolas e organizações interessadas em ampliar a diversidade literária.
Além disso, a história de Marley ganhou espaço em jornais, programas de televisão e veículos de comunicação internacionais.
Consequentemente, as doações passaram a chegar de diferentes regiões, fazendo a campanha superar rapidamente a meta inicial.
A página oficial do projeto informou que mais de 13 mil livros foram coletados durante a expansão do movimento.
Posteriormente, um perfil publicado pela Congressional Black Caucus Foundation indicou que o total havia ultrapassado 15 mil exemplares.
Parte das obras foi enviada à Jamaica, país de origem da mãe de Marley.
Da mesma forma, a campanha promoveu ações voltadas para escolas de Gana e incentivou debates sobre representatividade em outras comunidades.
Meninas negras passaram a ocupar o centro das narrativas
O movimento não pretendia apenas aumentar a quantidade de livros disponíveis em escolas e bibliotecas.
Marley buscava histórias nas quais meninas negras aparecessem com sonhos, famílias, desafios e experiências próprias.
Anteriormente, essas personagens costumavam ocupar papéis secundários ou simplesmente não apareciam nos livros utilizados em sala de aula.
Essa ausência dificultava a identificação de muitas crianças com as histórias apresentadas pelas instituições de ensino.
A campanha, portanto, transformou uma experiência individual em uma discussão mais ampla sobre diversidade editorial e formação de acervos escolares.
Além disso, o movimento disponibilizou uma base de dados com cerca de mil títulos protagonizados por meninas negras.
A ferramenta passou a servir como referência para famílias, professores, bibliotecários e instituições interessadas em encontrar obras mais representativas.
Jovem ativista também se tornou escritora
A repercussão da campanha abriu novos caminhos para Marley Dias dentro da educação e do universo editorial.
A jovem passou a participar de entrevistas, conferências e encontros relacionados à igualdade, à literatura e à representação cultural.
Em 2018, Marley lançou o livro Marley Dias Gets It Done: And So Can You!.
Na obra, a ativista apresenta sua trajetória e incentiva crianças e adolescentes a desenvolverem projetos capazes de transformar suas comunidades.
Naquele mesmo período, a campanha já havia arrecadado mais de 11 mil livros, segundo levantamento divulgado pela PBS NewsHour.
Uma reclamação infantil ganhou alcance internacional
A criação da #1000BlackGirlBooks mostrou que uma experiência vivida por uma criança pode gerar uma mobilização de grande alcance.
Uma campanha de arrecadação, uma hashtag e uma mensagem direta ajudaram Marley a reunir milhares de apoiadores.
O movimento também demonstrou que representatividade não significa apenas colocar personagens diferentes nas capas dos livros.
Crianças precisam encontrar protagonistas diversos vivendo aventuras, enfrentando dificuldades, cometendo erros e construindo suas próprias histórias.
Milhares de livros depois, a campanha permanece associada à ideia que motivou Marley desde o início.
Meninas negras não precisam permanecer ao fundo das narrativas, pois também podem ser as personagens principais dos livros e de suas próprias vidas.
Você acredita que as escolas brasileiras oferecem livros suficientes com protagonistas de diferentes origens e realidades?

