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Açude centenário de 104 anos no Jangurussu, com 241 milhões de litros, preocupa moradores do entorno após risco na parede e pressão da água

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 19/03/2026 às 15:29 Atualizado em 19/03/2026 às 15:34
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Imagem: Ilustração
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Moradores do entorno do Açude Jangurussu, em Fortaleza, denunciam desde o início de março que a construção de um condomínio bloqueou o escoamento natural da água, elevou a pressão sobre a barragem antiga e ampliou o temor de transbordo e danos às comunidades mais baixas

Moradores do entorno Açude Jangurussu denunciam, desde março, que a construção de um condomínio estaria bloqueando o escoamento natural da água, elevando a pressão sobre a parede do reservatório e o temor de rompimento.

Vistoria no local

Técnicos do Ibama-CE, da Defesa Civil de Fortaleza e da Secretaria Executiva Regional 9 estiveram no açude em 13 de março para vistoriar a situação. A comunidade aguarda laudo.

Segundo a análise inicial de técnicos do Ibama e da SER 9, obras de um condomínio bloquearam o escoamento natural da água. Com a água empoçada, houve erosão da parede do açude.

A Seuma informou que elabora relatório técnico e que as demandas identificadas serão encaminhadas aos órgãos responsáveis.

A construtora afirmou que a obra possui licenças e projetos aprovados pelos órgãos municipais e que estão previstas medidas de drenagem para reduzir impactos.

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Estrutura de 1922

Embora muitos chamem o local de lagoa, a estrutura é um açude antigo. Registros históricos e o livro “Jangurussu”, de Raimundo Moacir da Costa, apontam que as obras foram concluídas em 1922.

A barragem foi construída nas terras do Sítio Jangurussu, pertencente a João Francisco Ribeiro Neto, numa área rural próxima a Messejana. Em 2026, o Açude Jangurussu deverá completar 104 anos.

Na época, a obra foi executada pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, a Ifocs, órgão que hoje corresponde ao Dnocs.

O período coincide com a fase de 1919 a 1945, quando o órgão intensificava a construção de pequenos e médios açudes estratégicos no Ceará para combater os efeitos das secas.

Segundo Edinaldo Felipe, morador do bairro, em 1922 aquela água abastecia a região durante os períodos de seca, quando Fortaleza praticamente ainda se concentrava na praia.

Mudança de função

Reportagens publicadas nos anos 1980 lembram que o açude continuava servindo como espaço de pesca, lavagem de roupas e lazer da comunidade.

Nos anos recentes, porém, a poluição severa passou a impedir o consumo da água. Conforme o último laudo laboratorial de qualidade da Seuma, em outubro de 2024, a amostra analisada não atendia aos padrões legais.

Segundo Edinaldo, hoje o açude funciona apenas como espaço de lazer e confraternização, mesmo com toda a problmeática da poluição gerada por ligações clandestinas de residências e comércios da área.

O Açude Jangurussu não faz parte da rede de abastecimento humano da Capital. Conforme a Cogerh, a água de Fortaleza provém dos açudes Pacoti, Pacajus, Riachão e Gavião.

Comunidades afetadas pela situação do açude

Edinaldo afirma que o sangradouro do açude escorre para a Lagoa do São Cristóvão e deságua no Rio Cocó. Ele observa que outros recursos hídricos vêm sendo soterrados por empreendimentos imobiliários.

A diarista Ivonete Félix, moradora do bairro há 30 anos, relata que os impactos já atingem a Travessa Paraisópolis e vilas do entorno, onde o transbordo ameaça invadir casas, principalmente nas áreas mais baixas do Jangurussu.

Diagnóstico do reservatório

Segundo o Plano Mestre Urbanístico e de Mobilidade do Fortaleza 2040, o açude integra a bacia do Rio Cocó, tem profundidade média de 1,87 metro e volume de 241.900 m³, equivalentes a 241 milhões de litros.

O documento aponta impactos da urbanização. A partir de 1960, a região começou a ser mais ocupada com a chegada de migrantes do interior do Estado.

Em 1978, houve a instalação do Aterro Sanitário do Jangurussu, depois conhecido como Rampa. Por 20 anos, ele funcionou como depósito para todo o lixo da Capital e gerou estigma na localidade.

O plano detalha despejo de esgoto clandestino, presença de chorume da área de transbordo, aterramento do leito para ocupação e quase inexistênica de matas ciliares.

Com informações de Diário do Nordeste.

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Romário Pereira de Carvalho

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