Estudo publicado na PLOS One mostra que o fertilizante natural acumulado nas Ilhas Chincha impulsionou produção agrícola, comércio regional e influência estratégica da sociedade chincha dentro do Império Inca
O que hoje pode parecer apenas um detalhe da paisagem costeira foi, há séculos, um dos pilares de uma sociedade próspera. O Reino de Chincha, cultura que antecedeu os incas e a chegada dos colonizadores, floresceu na costa sul do Peru entre os anos 1000 e 1400 e construiu boa parte de sua riqueza e influência política a partir de um recurso improvável: o guano de aves marinhas.
Um fertilizante que mudou destinos
A pesquisa publicada na última quarta-feira (11) na revista PLOS One aponta que a acumulação de excrementos nas Ilhas Chincha teve papel decisivo na produção agrícola e nas redes de comércio.
Em um ambiente marcado pelo clima seco e quase sem chuva, o guano não se desfazia. Pelo contrário, seguia se acumulando ao longo dos séculos.
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“Graças ao clima seco e quase sem chuva, o guano das aves marinhas não se desfaz, mas continua se acumulando até alcançar vários metros de altura”, explicaram três dos autores em texto divulgado no site The Conversation.
A característica natural transformou as ilhas em verdadeiros reservatórios de fertilidade.
O que hoje pode parecer apenas um detalhe da paisagem costeira foi, há séculos, um dos pilares de uma sociedade próspera.
O Reino de Chincha, cultura que antecedeu os incas e a chegada dos colonizadores, floresceu na costa sul do Peru entre os anos 1000 e 1400 e construiu boa parte de sua riqueza e influência política a partir de um recurso improvável: o guano de aves marinhas.
Um fertilizante que mudou destinos
A pesquisa publicada na última quarta-feira (11) na revista PLOS One aponta que a acumulação de excrementos nas Ilhas Chincha teve papel decisivo na produção agrícola e nas redes de comércio.
Em um ambiente marcado pelo clima seco e quase sem chuva, o guano não se desfazia. Pelo contrário, seguia se acumulando ao longo dos séculos.
“Graças ao clima seco e quase sem chuva, o guano das aves marinhas não se desfaz, mas continua se acumulando até alcançar vários metros de altura”, explicaram três dos autores em texto divulgado no site The Conversation.
A característica natural transformou as ilhas em verdadeiros reservatórios de fertilidade.
Poder sustentado por um recurso inesperado
Relatos históricos reforçam o peso político da cultura chincha. Documentos atribuídos ao irmão de Francisco Pizarro descrevem o senhor chincha sendo transportado em uma liteira, sinal de status excepcional dentro do Império Inca.
Para Jacob Bongers, da Universidade de Sydney, o controle do guano foi um diferencial estratégico. “O acesso privilegiado a um recurso crucial é um caminho para o poder, algo que neste caso o Reino de Chincha possuía, e o Império Inca não”, afirmou ao portal New Scientist.
Segundo ele, mudanças sociais profundas podem ter surgido de uma fonte surpreendente: os excrementos de aves.
Agricultura fortalecida ao longo de 800 anos
Os arqueólogos reuniram registros históricos, iconografia e análises bioquímicas de 35 amostras de milho encontradas em sepulturas.
O conjunto de evidências indicou uso contínuo da fertilização com guano na região por pelo menos 800 anos.
De acordo com os pesquisadores ouvidos pelo The Conversation, o guano era altamente eficaz. Comparado ao esterco terrestre, continha mais nitrogênio e fósforo, nutrientes essenciais ao crescimento das plantas.
Esse fator teria contribuído para sustentar a produtividade agrícola e ampliar as trocas comerciais.
Integração e legado ecológico
Com uma população estimada em cerca de 100 mil pessoas no vale de Chincha, a sociedade combinava agricultores, pescadores e comerciantes.
Os cientistas sugerem que pescadores navegavam até as ilhas para coletar o guano, posteriormente distribuído entre agricultores e mercadores.
O domínio sobre esse recurso teria impulsionado o crescimento demográfico, o desenvolvimento econômico e facilitado a integração ao Império Inca no século 15.
Os autores lembram ainda que os incas controlavam rigidamente o acesso às ilhas guaníferas e castigavam com a morte quem matasse aves marinhas, sobretudo em épocas de nidificação.
Além da dimensão econômica, os pesquisadores destacam que os chinchas compreendiam profundamente o ciclo ecológico.
Imagens de aves marinhas, peixes, ondas e milho germinando apareciam com frequência em têxteis, cerâmica, frisos arquitetônicos e objetos de metal, revelando uma cosmovisão em que terra, mar e céu estavam intimamente conectados.
Com informações de Folha de São Paulo.
