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Fóssil perdido por mais de 20 anos no Brasil revela réptil de 240 milhões de anos anterior aos dinossauros, muda o mapa de uma linhagem rara e transforma o Rio Grande do Sul em peça-chave para entender ancestrais de crocodilos e dinossauros

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Escrito por Carla Teles Publicado em 26/06/2026 às 16:06 Atualizado em 26/06/2026 às 16:08
Fóssil perdido por mais de 20 anos no Brasil revela réptil de 240 milhões de anos anterior aos dinossauros, muda o mapa de uma linhagem rara e transforma o Rio Grande do Sul em peça-chave
Fóssil no Rio Grande do Sul revela réptil anterior aos dinossauros e ajuda a entender ancestrais de crocodilos. Imagem: Scientific Reports
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Batizado de Silescelida acristata, o fóssil anterior aos dinossauros foi encontrado em Dona Francisca, ficou cerca de 20 anos incompleto e só pôde ser descrito após fragmento localizado em 2022 no acervo da PUCRS, revelando novo arcossauriforme do Triássico no Brasil e reforçando papel do Geoparque Quarta Colônia UNESCO na paleontologia.

Um fóssil anterior aos dinossauros, encontrado no município de Dona Francisca, na região central do Rio Grande do Sul, revelou uma nova espécie de réptil que viveu há aproximadamente 240 milhões de anos. O animal foi batizado de Silescelida acristata e pertence a um grupo importante para entender a origem de linhagens ligadas a crocodilos e dinossauros.

A descoberta foi divulgada pela CNN Brasil em 11 de junho de 2026, com base em estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, da UFSM, e publicado em 10 de junho na revista científica Scientific Reports. O caso chama atenção porque parte essencial do material ficou perdida por cerca de duas décadas antes de ser reencontrada.

Fóssil ficou incompleto por mais de 20 anos

O material fossilizado foi encontrado em rochas do Período Triássico, em uma área que hoje integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO. Segundo as informações divulgadas, parte do fóssil continha dados fundamentais para determinar a origem do animal, mas esse fragmento permaneceu desaparecido por mais de 20 anos.

A peça só foi localizada em 2022, durante uma visita técnica à coleção científica da PUCRS, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. A redescoberta permitiu que os pesquisadores finalmente descrevessem e identificassem formalmente a nova espécie.

Nova espécie viveu antes dos dinossauros

fóssil no Rio Grande do Sul revela réptil anterior aos dinossauros e ajuda a entender ancestrais de crocodilos.
Imagem: Scientific Reports

O Silescelida acristata teria vivido há cerca de 240 milhões de anos, em um período anterior ao domínio dos dinossauros. Esse ponto torna o achado especialmente relevante porque o animal ajuda a preencher lacunas sobre répteis antigos que antecederam grupos mais conhecidos pelo público.

A espécie pertence aos arcossauriformes, grupo de répteis com características anatômicas semelhantes às observadas em crocodilos e dinossauros. Em termos evolutivos, isso coloca o fóssil em uma posição importante para entender transformações corporais que marcaram a história desses animais.

Linhagem rara pode ter chegado à América do Sul

As análises de parentesco indicam que o Silescelida acristata pode estar relacionado aos Euparkeriidae, um grupo raro e ainda pouco compreendido. Até então, fósseis associados a essa linhagem eram conhecidos principalmente em países como África do Sul, China, Rússia, Polônia e Alemanha.

Nesse contexto, o fóssil do Rio Grande do Sul representa o primeiro registro de um integrante dessa linhagem na América do Sul, segundo a fonte. Isso amplia o mapa conhecido desses animais e coloca o Brasil em uma posição mais relevante nas pesquisas sobre ancestrais dos arcossauros.

Rio Grande do Sul volta ao centro da paleontologia

A região da Quarta Colônia já é conhecida por achados importantes ligados ao Triássico. De acordo com a UFSM, a área onde o fóssil foi encontrado já revelou fragmentos de alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, o que reforça sua relevância científica.

A descoberta em Dona Francisca acrescenta uma nova camada a esse cenário. O fóssil não pertence a um dinossauro, mas a um réptil anterior a eles, o que ajuda a compreender o ambiente evolutivo que existia antes da ascensão desses animais no planeta.

Animal lembrava um pequeno jacaré

Segundo as informações divulgadas, o Silescelida acristata tinha porte semelhante ao de um pequeno jacaré. O corpo era esguio, a locomoção era quadrúpede e a dieta provavelmente incluía animais menores.

A UFSM informou que espécies aparentadas apresentavam membros em posição semi-ereta, mais abaixo do corpo do que projetados lateralmente. Essa característica teria permitido deslocamento mais eficiente e ágil, reduzindo o contato do ventre com o solo.

Locomoção ajuda a entender uma virada evolutiva

A posição dos membros é uma das características mais importantes do achado. Em animais antigos, mudanças na forma de andar podem indicar adaptações que abriram caminho para movimentos mais rápidos, eficientes e menos arrastados.

Esse detalhe é relevante porque ajuda a explicar transformações vistas em ancestrais de crocodilos e dinossauros. O fóssil, portanto, não é apenas uma peça isolada: ele funciona como pista sobre uma fase de transição na evolução dos répteis.

Nome da espécie guarda referência ao desaparecimento

O nome Silescelida combina termos associados a “silêncio” e “perna”. A referência ao silêncio está ligada ao longo período em que parte do fóssil permaneceu desaparecida antes de ser reencontrada.

Já a referência à perna se relaciona ao tipo de material preservado, composto principalmente por ossos dos membros, incluindo o fêmur. O epíteto acristata significa “sem crista”, porque o fêmur não apresenta uma crista óssea elevada comum em quase todos os parentes próximos da espécie.

Estudo teve participação da UFSM e acervo da PUCRS

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, vinculado à UFSM. O autor principal é Maurício S. Garcia, paleontólogo e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da universidade.

O material de Silescelida acristata integra atualmente o acervo científico da PUCRS, em Porto Alegre. A combinação entre campo, coleção científica e análise acadêmica foi decisiva para que o fragmento perdido deixasse de ser uma peça incompleta e se tornasse uma nova espécie descrita formalmente.

Descoberta muda o peso científico do Brasil nesse grupo

Ao identificar o primeiro registro sul-americano dessa possível linhagem, os pesquisadores ampliam a distribuição geográfica conhecida do grupo. Antes, os registros estavam associados a regiões distantes, fora da América do Sul.

A descoberta também reforça a importância do Brasil para estudos sobre arcossauros e seus ancestrais. O Rio Grande do Sul passa a aparecer não apenas como local de fósseis antigos, mas como peça-chave para entender uma linhagem rara anterior aos dinossauros.

Por que o achado importa para além da curiosidade

Fósseis desse tipo ajudam cientistas a reconstruir etapas profundas da história da vida na Terra. Quando um fragmento perdido por décadas permite identificar uma espécie nova, ele mostra como coleções científicas podem guardar informações ainda não compreendidas.

O caso também lembra que a paleontologia depende tanto de escavações quanto de acervos preservados. Um fóssil guardado, revisitado e comparado com novas ferramentas pode revelar relações que passaram despercebidas por anos.

Um fóssil antigo com impacto moderno

O Silescelida acristata viveu há cerca de 240 milhões de anos, antes dos dinossauros, mas sua identificação só se tornou possível em 2022, quando o fragmento perdido foi localizado na coleção científica da PUCRS. A descrição formal, publicada em 2026, transformou uma peça incompleta em evidência relevante para a paleontologia.

A descoberta mostra como um fóssil aparentemente silencioso pode mudar o mapa de uma linhagem rara e ampliar o papel do Brasil no estudo dos ancestrais de crocodilos e dinossauros.

Você acha que acervos científicos ainda guardam outras descobertas capazes de reescrever partes da história da vida na Terra? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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