Em Campinas, a Cassini, da família Praça, ergueu a primeira fábrica de biscoito de polvilho 100% automatizada do mundo, que produz mil toneladas por mês: uma fábrica automatizada que nasceu da ideia que João Leite Praça teve na cantina de um hospital, após um acidente de moto.
As melhores ideias costumam aparecer nos lugares mais improváveis. A da Cassini surgiu numa cantina de hospital. Em 1976, o jovem João Leite Praça sofreu um grave acidente de moto e passou 105 dias internado em Formiga, no interior de Minas Gerais. Para matar o tempo da recuperação, ele descia até a cantina, e foi lá que notou uma coisa simples e poderosa: o biscoito de polvilho voava da prateleira, com cerca de 200 saquinhos vendidos por dia. Saiu do hospital com uma ideia fixa na cabeça.
A história foi registrada em material da ABRAS e mostra como uma observação virou indústria. Aquele biscoito de polvilho que João via vender tanto se tornou um negócio que, em 2004, ganharia em Campinas a primeira fábrica de biscoito de polvilho 100% automatizada do mundo. Hoje, a fábrica automatizada da Cassini despeja mil toneladas por mês e enche 250 pacotes por minuto, transformando um quitute caseiro em produção industrial de larga escala.
A ideia que nasceu numa cantina de hospital
Antes da fábrica, veio uma observação atenta.
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Internado por mais de três meses após o acidente, João Leite Praça reparou que o item mais procurado na cantina do hospital era o humilde biscoito de polvilho.
Eram cerca de 200 saquinhos vendidos todos os dias, um volume que acendeu na cabeça dele a faísca do negócio.
A família Praça já tinha jeito para o ramo.
O casal Mauro Leite Praça e dona Eliana havia adquirido uma pequena padaria no interior de Minas, fundada em 1968, e tocava o negócio com a ajuda dos oito filhos.
Foi nessa estrutura familiar que João convenceu a mãe a começar a produzir biscoito de polvilho em escala maior.
A produção saiu do forno de casa.
No começo, os biscoitos eram feitos na própria padaria da família, com processos parecidos com os do pão de cada dia.
Era uma grande produção caseira, ainda longe da indústria que viria depois, mas já com a semente do que a Cassini se tornaria.
A primeira fábrica de biscoito de polvilho automatizada do mundo

A demanda cresceu, superou a capacidade da padaria, e em meados da década de 1980 a família ergueu a primeira fábrica dedicada só ao biscoito de polvilho.
Mais tarde veio uma segunda planta em Amparo, no interior paulista, e o negócio foi ganhando músculo.
O marco mais ousado chegou em 2004.
Naquele ano, a Cassini inaugurou em Campinas o que é descrito como a primeira fábrica de biscoito de polvilho totalmente automatizada do mundo, sem nenhum contato manual no processo.
Um produto tipicamente brasileiro e artesanal passou a ser feito por uma fábrica automatizada de ponta a ponta.
Tirar a mão humana de um quitute tão caseiro não é trivial.
O biscoito de polvilho sempre foi sinônimo de receita de família, feito no capricho, e automatizar isso sem perder a identidade exigiu engenharia sob medida.
A Cassini provou que dava para industrializar o caseiro sem descaracterizá-lo.
250 pacotes por minuto e mil toneladas por mês
Os números da fábrica automatizada impressionam.
A unidade de Campinas produz cerca de mil toneladas de biscoito de polvilho por mês, um volume de escala industrial pesada.
Na ponta da linha, são 250 pacotes embalados por minuto, num ritmo que nenhuma produção manual alcançaria.
Esse porte é resultado de décadas de crescimento.
Da padaria mineira de 1968 à fábrica dedicada dos anos 1980, da planta de Amparo à megafábrica de Campinas, a Cassini foi escalando passo a passo até virar referência nacional no biscoito de polvilho.
Em 2019, a empresa ainda adquiriu uma segunda área em Campinas para triplicar a produção.
A automação é o que sustenta esse volume.
Produzir mil toneladas mensais com padrão constante só é possível com uma fábrica automatizada que controla cada etapa, da massa ao empacotamento.
Foi a tecnologia que transformou a ideia da cantina em potência industrial.
Biscoito caseiro feito na fábrica
O maior desafio técnico foi um aparente paradoxo.
Como fazer, numa linha industrial, um biscoito de polvilho com gosto de feito em casa?
A resposta passou por João Leite Praça construir o que não existia no mercado.
Faltavam máquinas adequadas para o produto.
Ao perceber que não havia fornos sob medida para o biscoito de polvilho, ele mesmo desenvolveu o maquinário específico, adaptando a tecnologia ao jeito artesanal de fazer o quitute.
Foi engenharia nascida da necessidade, não comprada pronta.
A própria empresa reconhece a origem modesta.
“A primeira fábrica era uma grande produção caseira, que tinha processos similares ao da padaria”, descreve a Cassini sobre seus começos.
Do processo de padaria à fábrica automatizada de classe mundial, a evolução manteve o DNA caseiro do produto.
A família Praça e a virada do negócio
Por trás da Cassini há uma história de família que se reinventa.
Os Praça começaram com uma padaria mineira e a reconstruíram após um revés financeiro, trabalhando juntos, pais e os oito filhos, para reerguer o patrimônio perdido.
O biscoito de polvilho foi o produto que mudou o patamar do negócio.
A expansão envolveu vários integrantes.
A segunda fábrica, em Amparo, nasceu de uma parceria com a irmã Cristina e o cunhado Saulo Costa, mostrando como o crescimento foi compartilhado dentro da própria família Praça.
Não foi obra de um só, foi construção coletiva ao longo de décadas.
O resultado é uma empresa de porte nacional.
Em 2011, a Cassini já faturava em torno de R$ 55 milhões e projetava saltar para a casa dos R$ 250 milhões nos anos seguintes, números que confirmam a transformação de uma ideia de hospital em negócio robusto.
A família Praça transformou observação e teimosia em indústria.
Por que o biscoito de polvilho é tão brasileiro
Vale entender o produto no centro dessa história.
O biscoito de polvilho é feito a partir do polvilho, a fécula extraída da mandioca, e é um dos quitutes mais brasileiros que existem, presente em padarias, lanchonetes e mesas do país inteiro.
É barato, crocante, afetivo e atravessa todas as classes sociais.
Esse caráter popular explica o tamanho do mercado.
Um produto consumido em escala nacional, todos os dias, abre espaço para uma fábrica automatizada de mil toneladas mensais encontrar comprador o ano inteiro.
A Cassini surfou justamente nessa demanda constante pelo biscoito de polvilho.
Há também um orgulho industrial nisso.
Ter a primeira fábrica de biscoito de polvilho automatizada do mundo em solo brasileiro mostra que o país sabe industrializar com tecnologia até o mais simples dos seus quitutes.
O caseiro virou indústria de exportação de conhecimento.
O que o caso da Cassini ensina
A lição mais forte é sobre enxergar oportunidade onde ninguém olha.
João Leite Praça transformou semanas de hospital numa observação de mercado e, dessa observação, ergueu uma indústria de biscoito de polvilho que virou referência mundial.
Foi visão de negócio somada à coragem de construir a tecnologia que faltava.
Vale o contexto honesto.
Essa é uma história que vem de longe, do acidente em 1976 à fábrica automatizada de 2004, e o título de primeira do mundo é como a própria empresa descreve seu pioneirismo nesse nicho.
Não é novidade do mês, é a trajetória de uma marca que ajudou a industrializar o quitute.
Ainda assim, o exemplo continua atual.
A Cassini mostra que dá para pegar um produto artesanal e barato, como o biscoito de polvilho, e levá-lo a uma fábrica automatizada de mil toneladas por mês sem perder a essência caseira.
Da cantina de um hospital a 250 pacotes por minuto, é a prova de que ideia boa não escolhe lugar para nascer.
E você, imaginava que o biscoito de polvilho que você compra na padaria pode ter saído da primeira fábrica do mundo a automatizar 100% esse quitute tão brasileiro? Conta pra gente nos comentários qual o seu jeito favorito de comer biscoito de polvilho.
