A ideia de Sofia Overton nasceu de um problema simples, roupas sem bolso suficiente para carregar celular, cartões ou pequenos objetos. Aos 14 anos, ela levou a Wise Pocket Products ao Shark Tank, negociou com Lori Greiner e Daymond John e transformou uma meia com bolso em uma história de empreendedorismo jovem com doações para crianças em situação de vulnerabilidade
Sofia Overton ainda era criança quando percebeu um detalhe que muita gente trata como incômodo comum. Sem bolso grande o bastante, uma pessoa próxima guardou o celular dentro da bota. A solução improvisada parecia desconfortável, mas revelava um problema real, roupas usadas por crianças, adolescentes e mulheres muitas vezes não têm espaço prático para carregar objetos do dia a dia.
A partir dessa cena, a jovem de Bentonville, no Arkansas, criou a Wise Pocket Products, uma linha de meias com um compartimento discreto próximo ao tornozelo. O bolso foi pensado para levar celular, cartão, chaves e até itens de saúde, como inaladores, sem atrapalhar quem anda, brinca, corre ou dança.
O projeto ganhou visibilidade nacional quando Sofia apareceu no Shark Tank, programa da emissora ABC em que empreendedores apresentam seus negócios a investidores. Como informou a 5News em janeiro de 2020, ela fechou um acordo de US$ 35 mil para a Wise Pocket Products após defender sua criação diante dos jurados.
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Para cada par vendido, a empresa dizia doar outro par de meias a crianças em necessidade. A lógica era direta: se o produto resolvia um problema de bolso para clientes, também podia atender uma demanda básica em abrigos e instituições.
O detalhe da bota virou uma pergunta simples e abriu espaço para um produto
Segundo informações da Startup Junkie, organização que acompanhou a trajetória da jovem empreendedora, a ideia surgiu quando Sofia viu uma pessoa próxima colocar o celular na bota por não ter bolso. Ela percebeu que também passava pelo mesmo problema, principalmente em roupas sem compartimentos ou com bolsos pequenos demais.
A primeira resposta foi caseira. Sofia desenhou uma meia com bolso acima do tornozelo, em uma posição que mantinha o objeto preso sem incomodar tanto quanto a bota. O teste funcionou e a ideia cresceu para uma pequena empresa.
A Wise Pocket Products passou a vender meias de cores neutras e estampadas, com proposta voltada para crianças ativas e também para adultos que precisavam de um lugar extra para carregar objetos. A KUAF, rádio pública do Arkansas, informou que os bolsos podiam acomodar celular, cartões de crédito e inaladores.
O produto parecia simples, mas atacava um ponto comum no vestuário: a falta de funcionalidade em peças do dia a dia. Em vez de criar um acessório separado, Sofia colocou o bolso em uma peça que as pessoas já usavam.
Antes da TV, Sofia buscou dinheiro em financiamento coletivo e competições locais
A participação no Shark Tank não foi o primeiro passo da Wise Pocket Products. De acordo com a Arkansas Money & Politics, Sofia lançou uma campanha de financiamento coletivo no Indiegogo e alcançou a meta de US$ 10 mil em um mês.
Esse dinheiro ajudou a tirar a ideia do papel e produzir os primeiros lotes. A jovem também participou de competições de pitch, nas quais empreendedores apresentam seus projetos em poucos minutos para tentar apoio, prêmio ou mentoria.
O apoio local teve peso. A Startup Junkie informou que Sofia foi selecionada em uma chamada de elenco do Shark Tank realizada em Bentonville, cidade conhecida por abrigar a origem do Walmart. Para uma adolescente, isso significava sair de um problema doméstico para uma vitrine nacional de negócios.
Na prática, a trajetória mostra uma sequência comum em startups pequenas: identificação do problema, protótipo, validação com clientes, financiamento inicial e busca por escala. A diferença é que Sofia fez isso antes mesmo de entrar no ensino médio.
No Shark Tank, a jovem pediu US$ 30 mil e saiu com oferta maior
Ao entrar no Shark Tank, Sofia buscava US$ 30 mil por 15% da empresa. Ela apresentou as meias com bolso e mostrou como o produto podia manter objetos presos durante atividades físicas. A proposta chamava atenção pela simplicidade e pela clareza do público-alvo.
A negociação mudou quando Lori Greiner e Daymond John demonstraram interesse. Os dois investidores ofereceram US$ 30 mil por uma fatia maior da empresa, mas Sofia recusou aceitar de imediato. Ela fez uma contraproposta.
O acordo final ficou em US$ 35 mil por 25% da Wise Pocket Products, segundo a Arkansas Money & Politics. A reação dos investidores também chamou atenção: Mark Cuban elogiou a habilidade de negociação da jovem, enquanto Daymond John, conhecido por sua ligação com marcas de moda, aceitou seguir junto com Lori.
Ela afirmou à 5News que assistia ao Shark Tank desde os 6 anos e que participar do programa era um objetivo antigo. A exposição também colocou a marca diante de consumidores de várias partes dos Estados Unidos.
O que você achou da ideia de transformar um problema tão comum em produto? Você compraria uma meia com compartimento escondido ou acha que roupas deveriam sair de fábrica com bolsos melhores? Deixe sua opinião nos comentários e conte se já precisou improvisar para carregar celular, chave ou documento no dia a dia.

