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Aos 17 anos, o jovem inventor japonês Hikaru Kuribayashi levou US$ 100 mil na maior feira de ciências do mundo ao criar um simulador de origami capaz de abrir velas solares de satélites

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 25/06/2026 às 16:12 Atualizado em 25/06/2026 às 16:15
Assista o vídeoAos 17 anos, um jovem inventor do Japão levou US$ 100 mil na maior feira de ciências do mundo com um simulador de origami que abre velas solares.
Aos 17 anos, um jovem inventor do Japão levou US$ 100 mil na maior feira de ciências do mundo com um simulador de origami que abre velas solares.
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Estudante de Sapporo, no Japão, Hikaru Kuribayashi, de 17 anos, conquistou o prêmio máximo da Regeneron ISEF, a maior feira de ciências do mundo, e os US$ 100 mil que vêm com ele. Seu simulador de origami pode ajudar a desdobrar desde velas solares de satélites até abrigos de emergência.

Um adolescente de 17 anos transformou a arte de dobrar papel em ciência de ponta e saiu da maior feira de ciências do mundo US$ 100 mil mais rico. Hikaru Kuribayashi, da cidade de Sapporo, no Japão, venceu a edição de 2026 da Regeneron ISEF, a International Science and Engineering Fair, com um programa de computador que prevê como materiais se dobram de formas complexas, como num origami. A conquista foi noticiada pelo Science News Explores.

O feito chama atenção pelo prêmio e pela aplicação. O simulador desse jovem inventor não serve só para entender papel dobrado: ele pode ajudar a projetar coisas que precisam ser compactadas e abertas depois, como as velas solares de satélites, aparelhos médicos e até abrigos de emergência. Dobrar bem, ao que parece, é um problema de engenharia que vale ouro.

O prêmio máximo da maior feira de ciências do mundo

ilustração do projeto de origami
imagem
ilustração do projeto de origami
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A vitória não foi numa competição qualquer. A Regeneron ISEF é a maior feira de ciências do mundo para estudantes do ensino médio, organizada pela Society for Science. A edição de 2026 aconteceu em maio, no Phoenix Convention Center, em Phoenix, no Arizona, e reuniu mais de 1.700 jovens cientistas e inventores de mais de 67 países e territórios.

Entre todos eles, Hikaru ficou com o topo. Ele recebeu o George D. Yancopoulos Innovator Award, o prêmio de primeiro lugar, no valor de US$ 100 mil. No total, a feira distribuiu mais de US$ 7 milhões em prêmios, mas foi o trabalho do japonês sobre dobras que levou a maior bolada da maior feira de ciências do planeta.

Ganhar esse prêmio coloca o adolescente num grupo seleto. A ISEF é uma vitrine que revela talentos que depois marcam a ciência mundial, e chegar ao primeiro lugar dela, disputando com os melhores estudantes de dezenas de países, é o tipo de feito que muda uma trajetória. Para um jovem inventor de 17 anos, é um começo e tanto.

Quem é Hikaru Kuribayashi


Hikaru Kuribayashi usa seu chapéu de origami enquanto exibe sua asa de joaninha de papel, meticulosamente dobrada, que abre e fecha exatamente como uma joaninha de verdade.
imagem: KG Carpinteiro
Hikaru Kuribayashi usa seu chapéu de origami enquanto exibe sua asa de joaninha de papel, meticulosamente dobrada, que abre e fecha exatamente como uma joaninha de verdade.
imagem: KG Carpinteiro

Por trás do prêmio há um estudante comum com uma cabeça incomum. Hikaru Kuribayashi tem 17 anos e é de Sapporo, no Japão, país com longa tradição tanto em origami quanto em tecnologia de ponta. Foi nessa combinação de cultura da dobradura e rigor científico que ele encontrou o tema do projeto que o levou ao pódio.

O perfil dele é o de um jovem inventor movido por curiosidade. Em vez de tratar o origami como passatempo, Hikaru olhou para a dobradura como um problema matemático a ser resolvido. A pergunta que o guiou é mais profunda do que parece: como prever, com precisão, todas as maneiras pelas quais um material pode se dobrar.

Essa virada de olhar é o que separa um bom aluno de um jovem inventor de verdade. Hikaru não quis apenas reproduzir dobras conhecidas, quis criar uma ferramenta capaz de antecipar dobras que ninguém tinha mapeado. E foi exatamente essa ambição que chamou a atenção dos jurados da maior feira de ciências do mundo.

Um simulador para entender o origami


Hikaru Kuribayashi segura uma forma de origami ao lado da imagem de uma folha. Tanto a folha quanto a forma de origami são dobráveis devido ao seu padrão de origami Miura-ori.
imagem: KG Carpinteiro
Hikaru Kuribayashi segura uma forma de origami ao lado da imagem de uma folha. Tanto a folha quanto a forma de origami são dobráveis devido ao seu padrão de origami Miura-ori.
imagem: KG Carpinteiro

O coração do projeto é um software. Hikaru criou um programa de simulação que prevê como estruturas se dobram de maneiras complexas, seja num origami de papel, seja em peças mecânicas articuladas. Em vez de testar dobra por dobra na tentativa e erro, o programa calcula os caminhos possíveis.

A engenhosidade está no método usado. O simulador se apoia numa técnica estatística chamada Markov Chain Monte Carlo, que funciona testando muitos cenários possíveis de uma vez e usando esses padrões para estimar as respostas mais prováveis. Na prática, o programa examina um mar de possibilidades de dobra numa única rodada, em vez de ir uma por uma.

Esse tipo de cálculo é difícil até para especialistas. Prever dobras complexas envolve um número gigantesco de combinações, e dar conta disso num simulador funcional é um avanço real. Não por acaso, foi essa ferramenta sobre origami que rendeu o primeiro lugar e os US$ 100 mil na maior feira de ciências do mundo.

De velas solares a abrigos de emergência

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A pergunta inevitável é: para que serve prever dobras? A resposta é o que torna o projeto tão valioso. Muita tecnologia precisa ser compactada para caber num espaço pequeno e depois aberta no destino, e é aí que o trabalho de Hikaru entra. Saber exatamente como algo dobra e desdobra é meio caminho para projetar esses sistemas.

O exemplo mais cinematográfico está no espaço. As velas solares de satélites precisam viajar dobradas dentro de um foguete e se abrir perfeitamente quando chegam à órbita, sem travar nem rasgar. Um simulador de origami como o de Hikaru ajuda a planejar essa abertura, reduzindo o risco de falha em equipamentos que custam fortunas e não admitem conserto lá em cima.

As aplicações não param nas velas solares. A mesma lógica de dobrar e desdobrar serve para aparelhos médicos que entram pequenos no corpo e se expandem por dentro, e para abrigos de emergência que chegam compactos e viram moradia em minutos numa zona de desastre. O origami, que parecia brincadeira, vira ferramenta para salvar vidas e missões.

Por que o origami virou ciência de ponta

video: Society for Science

O que Hikaru fez se encaixa num movimento maior. Nos últimos anos, o origami deixou de ser só arte e virou um campo sério da engenharia, estudado por universidades e agências espaciais. A razão é simples: dobrar permite que coisas grandes caibam em espaços minúsculos, um problema central em foguetes, medicina e robótica.

O obstáculo sempre foi a complexidade. Quanto mais sofisticada a dobra, mais difícil é prever como ela vai se comportar, e erro nesse cálculo significa equipamento travado na hora errada. Ferramentas como o simulador do jovem inventor japonês atacam justamente esse gargalo, dando aos engenheiros uma forma de testar dobras no computador antes de construir.

É por isso que um projeto sobre origami leva o prêmio máximo de uma feira de ciências global. Ele resolve, de forma elegante, um problema que trava aplicações caras e importantes. A dobradura, levada a sério, mostrou ser uma das chaves para empacotar o futuro, das velas solares de satélites aos abrigos que protegem gente.

Um talento jovem que o Brasil também revela

A história de Hikaru ressoa por aqui. O Brasil também costuma brilhar na maior feira de ciências do mundo, com estudantes que levam para Phoenix projetos nascidos em escolas públicas e feiras regionais. A ISEF é prova de que talento científico não tem passaporte e pode aparecer em qualquer lugar, basta haver oportunidade.

O caso do japonês reforça o valor de incentivar o jovem inventor desde cedo. Por trás de um prêmio de US$ 100 mil há anos de curiosidade, professores que apoiam e feiras que dão palco. Investir nisso é plantar a ciência e a tecnologia que um país vai colher décadas depois, seja no Japão, seja no Brasil.

No fim, a lição de Hikaru Kuribayashi é dupla. Mostra que ideias aparentemente simples, como dobrar papel, podem esconder ciência poderosa, e que apostar em jovens inventores rende frutos concretos. Das velas solares de satélites às salas de aula, a curiosidade segue sendo a matéria-prima mais valiosa que existe.

E você, o que faria com uma cabeça dessas?

A vitória de Hikaru Kuribayashi, do Japão, na maior feira de ciências do mundo prova que um jovem inventor de 17 anos pode transformar origami em tecnologia capaz de abrir velas solares de satélites, e ainda levar US$ 100 mil por isso. Tudo a partir de uma pergunta sobre como as coisas se dobram.

E você, qual problema do dia a dia acha que mereceria a atenção de uma mente jovem e curiosa como a do Hikaru? Conta aqui nos comentários que invenção você gostaria de ver um estudante criar para mudar o mundo.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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