A taxa das blusinhas sumiu do radar por menos de dois anos. A partir de 2027, compras internacionais voltam a ser tributadas, agora pela CBS, o novo imposto da reforma tributária. O Senado ainda vai definir a alíquota exata em dezembro de 2026.
A taxa das blusinhas teve vida curta. O Imposto de Importação de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 foi revogado em maio de 2026. Durou pouco mais de dois anos desde que foi instituído e gerou debate intenso sobre o quanto o consumidor brasileiro deveria pagar para comprar de plataformas estrangeiras como Shein e Shopee. Agora, menos de um ano depois da revogação, o governo federal já confirmou que a tributação volta em 2027, com outro nome e uma lógica diferente.
A cobrança vai ocorrer por meio da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, um dos tributos criados pela reforma tributária aprovada pelo Congresso. A mudança não é apenas de nomenclatura. A estrutura inteira muda: em vez de uma alíquota exclusiva para compras internacionais de baixo valor, a CBS incidirá sobre qualquer operação de venda de bens físicos, digitais ou serviços, sem distinção de origem ou valor. Quem compra de loja brasileira e quem compra de plataforma estrangeira passará a pagar o mesmo tributo federal.
O que muda na prática para quem compra no exterior
Até maio de 2026, uma compra internacional de R$ 100 chegava ao consumidor custando R$ 144,58, já com o Imposto de Importação de 20% e o ICMS estadual de 17% embutidos. Era a era da taxa das blusinhas em pleno funcionamento. Com a revogação, o cenário mudou: o mesmo produto passou a custar R$ 120,48, com apenas o ICMS sendo cobrado e o imposto federal zerado. Esse é o cenário atual, que vale até o fim de 2026.
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A partir de 2027, entra a CBS. Com base em projeção da consultoria Roit citada pelo Canaltech, a alíquota estimada da CBS é de 9,43%. Aplicando esse percentual junto ao ICMS de 17%, a mesma compra de R$ 100 passará a custar R$ 131,84. Ou seja: mais caro do que hoje, mas ainda um pouco mais barato do que na época do imposto de 20%. O Senado vai fixar a alíquota exata da CBS em dezembro de 2026, então esse número ainda pode variar.
Por que o governo está fazendo isso
O argumento central da medida é isonomia tributária. Hoje, uma loja brasileira que vende uma camiseta paga PIS, Cofins e ICMS sobre aquela operação. Uma plataforma estrangeira vendia o mesmo produto sem imposto federal desde a revogação da taxa das blusinhas. Essa diferença cria uma desvantagem competitiva para o varejo nacional que o governo e o setor consideram injusta.
A CBS resolve esse desequilíbrio de forma estrutural. Ela unifica e extingue o PIS e o Cofins, que já incidem sobre o mercado interno, e passa a valer também para as importações de varejo digital. O Imposto de Importação, por sua vez, deixa de ser aplicado a essas compras de baixo valor e fica restrito a funções regulatórias da indústria. Na visão do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, a equalização das taxas é uma correção necessária para reduzir as distorções que o comércio brasileiro enfrenta há anos.
O ICMS continua e o IBS vem por aí
Um ponto que escapa na maior parte das discussões sobre o fim da taxa das blusinhas é que o ICMS não vai a lugar nenhum em 2027. O imposto estadual continua sendo cobrado normalmente, tanto nas compras nacionais quanto nas internacionais. A mudança na estrutura estadual só vai começar a acontecer a partir de 2029.
Entre 2029 e 2032, o ICMS e o ISS municipal serão gradualmente extintos e fundidos no IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços, que será compartilhado entre estados e municípios. Ao final dessa transição, em 2032, a combinação de CBS federal e IBS estadual e municipal deve resultar numa alíquota total estimada em cerca de 26,5% sobre as compras online. Essa é a conta cheia que o consumidor vai encarar quando a reforma tributária estiver completamente implantada.
Shein, Shopee e o consumidor no meio do caminho
Plataformas como Shein e Shopee foram as protagonistas do debate em torno da taxa das blusinhas porque concentram boa parte do volume de compras internacionais de baixo valor feitas por brasileiros. Com a CBS, essas plataformas precisarão repassar o tributo ao preço final, já que a cobrança será universal e sem isenção por faixa de valor. Não existe mais o conceito de compra “pequena demais para ser taxada”.
Para o consumidor, o impacto depende de quanto a alíquota da CBS vai ficar após a votação no Senado em dezembro. Se ficar nos 9,43% estimados, a conta será mais salgada do que hoje mas mais leve do que antes de maio de 2026. Se o Senado fixar um percentual mais alto, a taxa das blusinhas pode voltar com força total, só com outro nome no boleto.
A reportagem é do Canaltech, publicada em 16 de junho de 2026, assinada por Marcelo Fischer Salvatico.
Você vai mudar seus hábitos de compra internacional por causa da CBS em 2027, ou prefere esperar para ver qual alíquota o Senado vai fixar em dezembro? Deixa nos comentários.

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