Reportagem da Exame publicada em 01/07/2026 conta como Jean Carlos Rocha, CEO da ELO Soluções Logísticas Integradas, transformou experiência como ex-caminhoneiro em empresa sediada em Itajaí, com meta de R$ 360 milhões em 2026, 300 funcionários, 11 filiais, 700 clientes por mês e expansão no Mercosul, segundo dados informados pela companhia.
O ex-caminhoneiro Jean Carlos Rocha, de Santa Catarina, virou personagem de uma história empresarial marcada por logística integrada, expansão geográfica e investimento em frota. Segundo reportagem da Exame publicada em 1º de julho de 2026, ele comanda a ELO Soluções Logísticas Integradas, empresa que projeta faturar R$ 360 milhões em 2026.
A companhia nasceu em 2018 em uma sala de 40 metros quadrados, com quatro pessoas, e hoje opera com 11 filiais, 300 funcionários e cerca de 700 clientes por mês. O ponto central não é apenas a trajetória pessoal, mas a estratégia de transformar experiência operacional em uma empresa de cadeia logística completa.
Ex-caminhoneiro começou no transporte ainda na infância
A relação de Jean Carlos Rocha com o setor começou aos 12 anos, quando ele acompanhava a rotina da transportadora do avô, em Joinville, no interior de Santa Catarina. A empresa chegou a ter 32 caminhões, 60 carretas e cerca de 60 agregados.
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A transportadora, porém, fechou na década de 1990 após perder seu principal cliente, uma fabricante de eletrodomésticos de Joinville. Essa experiência virou uma lição empresarial que Rocha afirma aplicar na ELO: evitar depender de um único contratante e manter carteira pulverizada.
Boleia ajudou a entender a operação por dentro
Aos 18 anos, Rocha comprou seu primeiro caminhão. Depois de uma tentativa sem sucesso em uma pequena indústria de plásticos, ele voltou ao setor de transporte em 2004, quando restavam apenas seis caminhões na antiga empresa do avô.
Ele assumiu a direção de um deles e passou cerca de um ano e dois meses viajando pelo país. Na entrevista à Exame, afirmou que a experiência na boleia deu uma visão prática dos problemas e necessidades da operação. Esse conhecimento de estrada depois entrou na forma como a empresa desenhou seus serviços.
ELO nasceu em sala de 40 m² com quatro pessoas
Em 2018, Rocha e outros três sócios decidiram começar uma nova empresa. A ELO Soluções Logísticas Integradas nasceu em uma sala de 40 m², com quatro pessoas e a proposta de resolver lacunas que os fundadores enxergavam na logística brasileira.
O problema identificado era a fragmentação da cadeia. Em muitos casos, uma empresa precisa contratar fornecedores diferentes para armazenagem, transporte, despacho aduaneiro e outras etapas. A proposta da ELO foi reunir esses serviços em um único operador.
Empresa aposta em logística de ponta a ponta
A ELO atua na gestão da cadeia logística de ponta a ponta. Segundo a reportagem, os serviços incluem transporte rodoviário, armazenagem alfandegada, cabotagem, frete internacional e locação de contêineres.
Rocha afirma que a intenção é entregar uma solução completa, reduzindo a necessidade de o cliente administrar vários fornecedores. A lógica é transformar a logística em uma operação integrada, com menos pontos soltos e mais controle sobre cada etapa.
Carteira pulverizada virou decisão estratégica
A perda do principal cliente na antiga transportadora do avô aparece como uma das experiências mais importantes da trajetória. Rocha relata que aquele episódio mostrou o risco de uma empresa depender de uma única fonte de receita.
Hoje, a ELO atende cerca de 700 clientes por mês. Esse número reforça a estratégia de pulverização: em vez de concentrar a operação em poucos contratos, a empresa busca reduzir risco distribuindo a receita entre uma base maior de clientes.
Operação já vai do Rio Grande ao Pará
A ELO opera de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, a Vila do Conde, no norte do Pará. A empresa mantém cerca de 10 mil metros quadrados de armazenagem, realiza entre 70 e 80 viagens por dia e movimenta cerca de 2 mil contêineres por mês em armazenagem alfandegada.
Esses dados mostram que a companhia deixou de ser uma operação pequena e passou a atuar em corredores logísticos relevantes. A escala também explica por que a empresa mira crescimento com tecnologia, frota e expansão regional.
Tecnologia própria entrou no plano de crescimento
Para sustentar a expansão, a empresa desenvolve tecnologia internamente. Uma das apostas é o ELO360, plataforma que integra sistemas e permite acompanhar operações logísticas em tempo real.
Segundo Rocha, o crescimento futuro passa pelo uso inteligente da tecnologia, com pessoas mais técnicas e menos presas a atividades repetitivas. A digitalização aparece como parte da estratégia para ganhar eficiência em uma operação que envolve transporte, armazenagem, contêineres e fretes internacionais.
Mercosul e São Paulo viraram novas frentes
A ELO também iniciou operações de frete rodoviário internacional no Mercosul, atendendo fluxos entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Além disso, passou a oferecer cabotagem para transporte de cargas ao longo da costa brasileira.
Outra frente é comercial. A empresa está inaugurando um escritório em São Paulo e pretende abrir novas operações em Minas Gerais e no Rio de Janeiro ainda neste ano, conforme informado na reportagem. A expansão mostra que o plano não se limita a crescer em frota, mas também em presença geográfica e oferta de serviços.
Investimento de R$ 50 milhões mira frota e emissões
Em 2025, a ELO registrou faturamento de R$ 292 milhões. Para 2026, a projeção é alcançar R$ 360 milhões em receita. A empresa também prevê aproximadamente R$ 50 milhões em investimentos na renovação e ampliação da frota.
A companhia iniciou a compra dos primeiros caminhões movidos a gás natural e planeja renovar cerca de 20% da frota, além de ampliar em outros 20% o número de veículos. Rocha afirma que a escolha pelo gás está ligada principalmente à redução de emissões, não à economia financeira. A frota passa a ser tratada como ativo de crescimento e também como parte da agenda ambiental.
Meta de R$ 1 bilhão ficou para cinco anos
No horizonte de cinco anos, a ELO pretende atingir R$ 1 bilhão em faturamento. A meta inicial era chegar a esse patamar em três anos, mas a companhia decidiu alongar o prazo para equilibrar crescimento, caixa e capacidade de investimento.
Rocha afirma que a empresa preferiu avançar de forma responsável, olhando não apenas para faturamento, mas também para sustentação financeira. Esse detalhe evita a leitura de crescimento a qualquer custo e coloca a expansão dentro de uma lógica de gestão.
O que essa história revela sobre logística no Brasil
A trajetória do ex-caminhoneiro Jean Carlos Rocha mostra como experiência prática, carteira diversificada, tecnologia própria e serviços integrados podem transformar uma operação pequena em uma empresa de logística nacional. A ELO saiu de uma sala de 40 m² para 11 filiais e mira R$ 360 milhões em 2026.
A dúvida é qual fator pesa mais nesse tipo de crescimento: conhecer a estrada por dentro, integrar serviços, investir em tecnologia ou evitar dependência de poucos clientes? Você acredita que a logística brasileira ainda tem espaço para novas empresas crescerem nesse modelo? Deixe sua opinião nos comentários.

