1. Início
  2. / Energia Renovável
  3. / A Suíça investiu mais de US$ 2,3 bilhões e apostou em água, altitude e rocha maciça para criar uma bateria nos Alpes capaz de abastecer mais de 1 milhão de casas
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 4 comentários

A Suíça investiu mais de US$ 2,3 bilhões e apostou em água, altitude e rocha maciça para criar uma bateria nos Alpes capaz de abastecer mais de 1 milhão de casas

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 29/03/2026 às 20:03
Atualizado em 29/03/2026 às 20:05
Assista o vídeo
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
51 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Custou mais de US$ 2,3 bilhões, levou quase 8 anos e exigiu teleféricos, helicópteros e explosões controladas para criar nos Alpes uma bateria natural que reposiciona a Europa no jogo da energia

A Suíça colocou em operação uma das estruturas de armazenamento de energia mais impressionantes do planeta ao transformar uma montanha dos Alpes em uma bateria natural de grande escala. O sistema usa água, altitude e túneis escavados em rocha maciça para guardar eletricidade e devolvê la à rede nos momentos de maior demanda.

O impacto é direto no abastecimento. Em vez de apenas gerar energia, a instalação foi pensada para absorver excedentes e liberar eletricidade quase instantaneamente quando o consumo sobe, ajudando a reduzir oscilações e a sustentar o fornecimento em larga escala.

Desnível de 630 metros permite armazenar energia com água entre dois reservatórios

O funcionamento do sistema depende da diferença de altura entre dois reservatórios. Quando há sobra de eletricidade na rede, a água é bombeada do reservatório inferior até o lago superior, localizado a mais de 2.400 metros de altitude.

Quando o consumo aumenta, essa água retorna em alta velocidade pelas turbinas e gera energia quase de imediato. Com isso, a montanha passa a funcionar como uma reserva estratégica, com eficiência estimada entre 75% e 80%.

Caverna subterránea em construção dentro da montanha, onde a estrutura principal da usina começa a tomar forma com equipamentos pesados, plataformas técnicas e paredes escavadas em rocha maciça.

Obra em altitude extrema exigiu teleférico industrial e centenas de voos

O canteiro de obras foi montado acima de 2.000 metros, em uma área de difícil acesso nos Alpes. Sem estrada convencional para levar equipamentos pesados, a logística virou um dos maiores desafios de toda a construção.

Para viabilizar a operação, foi instalado um sistema industrial de teleférico com quase 4 quilômetros de extensão. Em trechos mais complexos, helicópteros fizeram centenas de voos para transportar materiais, máquinas e trabalhadores até pontos isolados da encosta.

Escavação abriu mais de 20 quilômetros de túneis dentro da montanha

O interior da montanha precisou ser perfurado em uma camada de granito extremamente resistente. Para avançar, as equipes usaram perfurações profundas e explosões controladas com precisão milimétrica, repetidas ao longo de muitos ciclos.

O resultado foi a abertura de mais de 20 quilômetros de túneis, além de grandes câmaras subterrâneas para circulação de equipamentos, instalação de cabos, passagem de água e operação técnica de toda a estrutura.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Salão subterrâneo das turbinas recebeu equipamentos com até 300 toneladas

No centro do complexo fica a grande caverna onde foram instaladas as turbinas e os geradores. Esse espaço tem cerca de 120 a 125 metros de comprimento, 25 metros de largura e chega a 50 metros de altura.

Para criar essa área, foram retiradas aproximadamente 315 mil toneladas de rocha. Depois disso, a estrutura recebeu bases de concreto, reforços metálicos e sistemas capazes de movimentar equipamentos com peso entre 200 e 300 toneladas.

Linha de 380 quilovolts conecta a usina à rede elétrica da Europa

Depois da instalação das turbinas, a energia produzida no interior da montanha passou a depender de uma ligação robusta com o sistema externo. Essa conexão foi feita por uma linha de transmissão de 380 quilovolts com cerca de 17 quilômetros de extensão.

A estrutura permite que a usina entregue até 1.000 megawatts à rede elétrica com resposta rápida. Isso amplia a capacidade de compensar oscilações de consumo e reforça o papel do projeto dentro do sistema europeu.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Tubulações de 2 quilômetros operam sob pressão intensa e alta velocidade

A água circula por um sistema de condutos com cerca de 2 quilômetros de extensão e diâmetro de até 4,5 metros. Essas tubulações foram montadas dentro da montanha com chapas de aço espessas e tratamento interno para suportar operação contínua.

Em trechos de maior esforço, as paredes alcançam entre 30 e 60 milímetros de espessura. A estrutura foi projetada para lidar com pressões elevadas e velocidades de fluxo entre 20 e 30 metros por segundo, o que mantém o sistema ativo com alta capacidade de resposta.

O projeto mostra como o armazenamento pode ganhar protagonismo na transição energética. Em um cenário de crescimento das fontes renováveis, a capacidade de guardar eletricidade e devolvê la no momento certo se torna decisiva para evitar desperdícios e sustentar a estabilidade da rede.

Perto do fim da implantação, de acordo com Expo, empresa de energia responsável pela operação do sistema, a estrutura foi pensada para atuar como um grande regulador elétrico, capaz de absorver excedentes e responder rapidamente às variações de demanda. O investimento supera US$ 2,3 bilhões e a construção levou quase 8 anos.

O alcance da obra vai além da engenharia pesada. Ao combinar altitude, água e infraestrutura subterrânea em escala rara, a Suíça reforça seu papel no equilíbrio do sistema elétrico europeu e amplia a capacidade de resposta diante da oscilação das renováveis.

Na prática, isso reposiciona o armazenamento como peça central do abastecimento moderno. Quando a rede precisa de energia imediata, a resposta sai do interior da montanha e muda a leitura estratégica.

Inscreva-se
Notificar de
guest
4 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Washington connis Araujo
Washington connis Araujo
01/04/2026 00:02

Fantástico. Pura engenhosidade e capricho !

Hamilton Luiz Langer
Hamilton Luiz Langer
30/03/2026 15:38

São **** mesmo esses suíços, não sabem que é muito mais fácil estocar o vento

Cristina
Cristina
Em resposta a  Hamilton Luiz Langer
31/03/2026 11:37

😂😂🙏🏽🙏🏽🙏🏽🙏🏽🙏🏽

Itair
Itair
Em resposta a  Hamilton Luiz Langer
02/04/2026 09:37

Talvez a necessidade de colocar uma frase da ex presidenta Dilma nessa reportagem, tenha te tomado o tempo de pesquisar e ver que já existem estudos e até projetos nessa área. Sim, “estoque de vento”.

Fonte
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
4
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x