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Estado brasileiro dá aula de fazer rodovias de concreto e impressiona ao substituir asfalto por material até 5 vezes mais resistente, com 26 cm de espessura e durabilidade que ultrapassa 40 anos em serras desafiadoras

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 03/07/2026 às 13:51 Atualizado em 03/07/2026 às 13:53
Entenda por que Santa Catarina usa concreto em rodovias de serra, com maior resistência, menos manutenção e vida útil acima de 40 anos.
Entenda por que Santa Catarina usa concreto em rodovias de serra, com maior resistência, menos manutenção e vida útil acima de 40 anos.
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Tecnologia adotada em rodovias catarinenses chama atenção pela resistência, pela espessura incomum e pela promessa de reduzir manutenções em trechos de serra, onde curvas, caminhões e relevo aumentam a exigência sobre o pavimento usado diariamente.

Santa Catarina tem ampliado o uso de pavimento de concreto em rodovias de serra para elevar a resistência das pistas e reduzir a necessidade de manutenções frequentes em trechos marcados por aclives, curvas fechadas e tráfego pesado.

Em áreas como a Serra Dona Francisca, no Norte catarinense, a solução ganhou destaque porque o relevo acidentado, as frenagens em descidas e a circulação de cargas aumentam o desgaste do pavimento ao longo dos anos.

Segundo reportagem do ND Mais publicada em 24 de abril de 2026, o engenheiro André Torrens, coordenador regional de infraestrutura no Norte do Estado, afirma que o concreto pode ser até cinco vezes mais resistente que o asfalto convencional.

Concreto ganha espaço em rodovias de serra em Santa Catarina

A escolha pelo concreto não representa abandono do asfalto, mas uma definição técnica conforme a necessidade de cada trecho, levando em conta volume de veículos, relevo, custo inicial, prazo de execução e manutenção prevista durante a vida útil da rodovia.

Nas rodovias serranas, esse tipo de pavimento tende a ser priorizado porque forma uma estrutura mais rígida e espessa, preparada para suportar esforços repetidos de caminhões, ônibus e carretas em pontos de maior pressão sobre a pista.

Santa Catarina adota concreto em rodovias de serra, com maior resistência, menor manutenção e durabilidade superior a 40 anos.
Santa Catarina adota concreto em rodovias de serra, com maior resistência, menor manutenção e durabilidade superior a 40 anos.

Enquanto uma camada comum de asfalto tem cerca de 6 centímetros, o pavimento de concreto pode alcançar aproximadamente 26 centímetros de espessura, diferença que melhora a distribuição das cargas e ajuda a preservar a estrutura por mais tempo.

Essa resistência se torna mais importante em serras porque veículos pesados reduzem velocidade, enfrentam curvas em baixa marcha e exigem maior aderência, combinação que intensifica o atrito dos pneus e acelera deformações em materiais menos rígidos.

Na Serra Dona Francisca, curvas executadas em concreto permanecem em operação há cerca de 46 anos, conforme a mesma reportagem, o que reforça o uso desses trechos como referência técnica em projetos rodoviários no Norte catarinense.

Resistência maior pode reduzir intervenções na pista

Entre as principais vantagens do concreto está a durabilidade estrutural, já que a placa rígida resiste melhor à repetição de cargas e às variações impostas por descidas longas, curvas acentuadas e tráfego concentrado em faixas específicas.

Com menos deformações profundas, a rodovia tende a exigir reparos menos frequentes, reduzindo bloqueios, desvios operacionais e transtornos para motoristas que dependem desses trechos no transporte de cargas e no deslocamento entre cidades.

Embora o custo inicial costume ser maior que o do asfalto, o Governo de Santa Catarina reconhece essa diferença em obras recentes de pavimentação rígida dentro do Programa Estrada Boa, voltado à recuperação e implantação de rodovias estaduais.

Na SC-477, entre Canoinhas e o acesso à BR-116, em Monte Castelo, a maior parte dos 34,5 quilômetros recebeu pavimento rígido de concreto com mais de 22 centímetros de espessura, segundo a Agência de Notícias do governo estadual.

A publicação oficial informou, em 29 de maio de 2025, que o trecho da SC-477 foi liberado ao tráfego e que as áreas urbanas receberam pavimento flexível, enquanto os demais pontos do projeto adotaram concreto.

Diferença entre pavimento rígido e white topping

O concreto pode ser empregado de maneiras diferentes nas rodovias, conforme o estado da pista existente e o objetivo da intervenção planejada pelos técnicos responsáveis pelo projeto de engenharia e pela execução da obra.

Quando a placa de concreto é executada diretamente sobre uma base preparada, a solução recebe o nome de pavimento rígido, método aplicado em obras novas ou reconstruções que precisam suportar cargas elevadas por mais tempo.

Santa Catarina adota concreto em rodovias de serra, com maior resistência, menor manutenção e durabilidade superior a 40 anos.
Santa Catarina adota concreto em rodovias de serra, com maior resistência, menor manutenção e durabilidade superior a 40 anos.

Outra técnica é o white topping, usada quando o concreto é aplicado sobre um pavimento já existente, formando uma camada rígida de reforço para prolongar a vida útil da estrutura sem exigir reconstrução completa da rodovia.

Nos dois modelos, a base do material é o concreto de cimento Portland, diferente do concreto asfáltico, que utiliza ligante derivado do petróleo e apresenta comportamento estrutural distinto sob tráfego pesado e mudanças de temperatura.

A diferença técnica importa porque o concreto de cimento Portland trabalha com rigidez maior, enquanto o asfalto tem composição mais flexível e costuma ser adotado em trechos onde custo, rapidez de execução e manutenção programada pesam mais.

Onde o concreto faz mais sentido nas rodovias

Em pontos críticos, como serras, túneis, rampas, curvas de maior esforço e corredores logísticos, o uso de concreto tende a ser mais vantajoso quando a interrupção do tráfego para manutenção pode gerar filas e impacto operacional.

Já em áreas urbanas ou trechos com outras exigências de execução, o asfalto continua relevante por permitir obras mais rápidas, intervenções localizadas e menor custo inicial, desde que o projeto considere a demanda real de veículos.

Por essa razão, a decisão entre asfalto e concreto depende de análise técnica, incluindo resistência esperada, condições do solo, drenagem, fluxo de caminhões, segurança viária e custo acumulado durante a vida útil da pista.

Nas serras catarinenses, a experiência com concreto indica que a durabilidade pode compensar o investimento inicial, sobretudo quando a alternativa envolve reparos frequentes em locais de difícil operação e alto impacto sobre o trânsito.

A expansão dessa tecnologia em Santa Catarina coloca o pavimento rígido no centro do debate sobre infraestrutura rodoviária, principalmente em regiões onde relevo, clima e tráfego pesado exigem desempenho maior das pistas.

Com exemplos de longa duração em serra e novas obras estaduais adotando concreto em trechos estratégicos, a discussão envolve não apenas o preço da obra, mas também o custo real de manter uma rodovia funcionando por décadas.

Se o concreto pode reduzir manutenções e aumentar a vida útil em serras desafiadoras, ele deveria ser usado em mais rodovias brasileiras com tráfego pesado?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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