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A Nike acaba de anunciar demissão em massa de 1.400 funcionários e a área de tecnologia é a mais conquistada, enquanto uma empresa que já foi exclusiva de domínio no mercado esportivo perde mais da metade do valor de suas ações em três anos para concorrentes que pouca gente conhecia

Publicado em 24/04/2026 às 14:29
Atualizado em 24/04/2026 às 14:44
A Nike demitiu 1.400 funcionários com cortes na área de tecnologia. As ações caíram mais de 50% em 3 anos e concorrentes como On e Hoka avançaram.
A Nike demitiu 1.400 funcionários com cortes na área de tecnologia. As ações caíram mais de 50% em 3 anos e concorrentes como On e Hoka avançaram.
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A Nike anunciou nesta quinta-feira (23) a demissão de cerca de 1.400 funcionários, com cortes concentrados na área de tecnologia. A medida faz parte de um plano para otimizar operações e integrar a cadeia de suprimentos, enquanto a empresa enfrenta queda de vendas que já dura anos e vê suas ações acumularem perda de mais da metade do valor em três anos para concorrentes como On, Hoka e Anta.

A Nike acaba de confirmar que está cortando aproximadamente 1.400 postos de trabalho, o equivalente a pouco menos de 2% de sua força de trabalho global. A área de tecnologia será a mais atingida pelos cortes, que fazem parte de uma reestruturação voltada a concentrar operações tecnológicas em dois polos principais: Oregon, nos Estados Unidos, e na Índia. Em memorando enviado aos funcionários, a empresa afirmou que a medida busca agilizar processos e integrar melhor sua cadeia de suprimentos em um momento em que as vendas não param de cair.

Os números do mercado contam uma história que vai muito além dos 1.400 demitidos. As ações da Nike acumulam queda de mais da metade do valor nos últimos três anos, período em que concorrentes como On, Hoka e Anta ganharam espaço com produtos que conquistaram consumidores que antes eram fiéis à marca do swoosh. O CEO Elliott Hill, que assumiu o comando em 2024, prometeu reposicionar a empresa com foco em esportes como corrida e futebol e no lançamento mais rápido de novos produtos, mas analistas avaliam que os esforços têm sido inconsistentes.

O que motivou a demissão de 1.400 funcionários na Nike

Segundo informações divulgadas pelo portal do G1, a decisão não veio do nada. Em janeiro, a Nike já havia cortado 775 vagas como parte de uma estratégia para acelerar a automação de processos internos. Os novos cortes de 1.400 postos aprofundam essa reestruturação e sinalizam que a empresa está priorizando eficiência operacional sobre expansão de equipe, uma mudança de postura para uma marca que durante décadas cresceu contratando e investindo em inovação com equipes cada vez maiores.

A concentração dos cortes na área de tecnologia reflete uma reorganização geográfica. A Nike quer centralizar suas operações técnicas em Oregon e na Índia, eliminando redundâncias em escritórios espalhados por outros países. Para os funcionários afetados, a mensagem é que a empresa não está abandonando a tecnologia, mas reorganizando onde e como ela é desenvolvida. Para o mercado, a leitura é de que a Nike está enxugando custos para tentar recuperar margens que foram corroídas pela queda nas vendas.

Como a Nike perdeu mais da metade do valor em três anos

A queda das ações da Nike nos últimos três anos é um reflexo de problemas que se acumularam durante a gestão anterior. A empresa apostou pesado na venda direta ao consumidor e reduziu a presença em varejistas multimarcas, uma decisão que inicialmente pareceu acertada, mas que acabou estreitando o alcance da marca e abrindo espaço para que concorrentes menores ocupassem prateleiras que antes eram dominadas pelo swoosh.

Ao mesmo tempo, a Nike demorou para renovar seu portfólio de produtos. Enquanto a empresa continuava apostando em modelos clássicos como Air Force 1 e Dunk, marcas como On e Hoka lançaram calçados com tecnologias de amortecimento que atraíram corredores e consumidores casuais que buscavam novidade. A Anta, gigante chinesa, avançou agressivamente no mercado asiático, território que a Nike considerava consolidado. O resultado foi uma erosão de market share que se traduziu na desvalorização das ações.

Quem são os concorrentes que estão tirando mercado da Nike

Os nomes que mais incomodam a Nike hoje não são Adidas ou Puma, adversários históricos que também enfrentam desafios. On, marca suíça fundada em 2010, cresceu com tênis de corrida que combinam design minimalista e tecnologia de amortecimento patenteada, conquistando um público que antes migrava automaticamente para modelos da Nike. A empresa abriu capital em 2021 e desde então viu suas ações subirem enquanto as da rival americana despencavam.

A Hoka, adquirida pela Deckers Brands, seguiu caminho semelhante ao apostar em solados maximalistas que se tornaram fenômeno entre corredores e no mercado casual. A Anta, por sua vez, usa escala de produção e distribuição na China para oferecer produtos competitivos a preços menores, capturando consumidores em um mercado onde a Nike cobra premium. A combinação dessas três frentes criou uma pressão competitiva que a empresa não enfrentava desde os anos 1990, quando a Adidas ameaçou sua hegemonia.

O que o CEO Elliott Hill planeja para reverter a queda

Elliott Hill assumiu a liderança da Nike em 2024 com a missão de reconectar a marca ao esporte e acelerar o ciclo de inovação de produtos. A estratégia declarada é voltar às raízes, priorizando categorias como corrida, basquete e futebol em vez de depender excessivamente de modelos lifestyle que saturaram o mercado. Hill também prometeu restaurar relações com varejistas multimarcas que foram prejudicados pela aposta anterior na venda direta.

Os cortes de pessoal fazem parte desse plano, mas analistas questionam se a reestruturação é profunda o suficiente para reverter a trajetória. Demitir 1.400 funcionários em uma empresa com mais de 70 mil colaboradores não muda a equação competitiva, e o verdadeiro teste será a capacidade da Nike de lançar produtos que reconquistem consumidores que migraram para concorrentes. As vendas dos próximos trimestres dirão se a estratégia de Hill é uma correção de rumo ou apenas um ajuste cosmético em uma empresa que precisa de transformação mais radical.

O que as demissões significam para o futuro da maior marca esportiva do mundo

A Nike continua sendo a maior marca esportiva do planeta em receita e reconhecimento, mas a distância para os concorrentes está diminuindo. A perda de mais da metade do valor das ações em três anos não é apenas um problema financeiro: é um sinal de que o mercado duvida da capacidade da empresa de se reinventar no ritmo que o consumidor atual exige. A era em que bastava colocar o swoosh em um produto para garantir vendas recordes ficou para trás.

Para os 1.400 funcionários demitidos, o impacto é imediato e pessoal. Para a Nike como empresa, os cortes são uma aposta de que menos gente fazendo as coisas certas produz mais resultado do que equipes grandes operando em estruturas dispersas. Se Hill acertar a combinação de produto, distribuição e velocidade, a Nike pode retomar o protagonismo. Se errar, os próximos cortes podem ser muito maiores do que os anunciados nesta quinta-feira.

Você ainda compra Nike ou já migrou para marcas como On, Hoka ou outra concorrente? Conte nos comentários o que fez você trocar ou se manter fiel à marca, queremos saber se a Nike ainda representa o que representava para você.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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