A NASA está testando no Centro de Pesquisa Glenn, em Cleveland, um sistema de célula de combustível regenerativa que pode revolucionar o armazenamento de energia durante as missões lunares do programa Artemis. O sistema da NASA combina hidrogênio e oxigênio para gerar eletricidade e água, e depois decompõe a água de volta em hidrogênio e oxigênio para se recarregar, funcionando como uma bateria infinita na superfície lunar. O equipamento tem o comprimento de um carro e a altura de uma pessoa, conta com 270 sensores e mil componentes, e pode operar durante as noites lunares frias e escuras que duram quase duas semanas.
A NASA acaba de atingir um marco importante na busca por soluções de energia para estabelecer uma presença humana permanente na Lua. No Centro de Pesquisa Glenn, em Cleveland, uma equipe de pesquisadores se prepara para operar pela primeira vez o sistema completo de célula de combustível regenerativa, armazenando o hidrogênio e o oxigênio gerados durante o processo de recarga. O sistema da NASA funciona como uma bateria recarregável que combina hidrogênio e oxigênio gasosos em água, calor e eletricidade, e depois decompõe a água de volta nos dois gases para se recarregar, tudo isso sem precisar de nenhum suprimento enviado da Terra.
A Dra. Kerrigan Cain, engenheira-chefe do projeto na NASA Glenn, descreveu o equipamento como “um gigante” e “o sonho de qualquer pesquisador”. O sistema tem aproximadamente o comprimento de um carro de passeio e a altura de uma pessoa, com quase 270 sensores e mil componentes conectados por uma rede complexa de tubos e fios. Os testes representam o resultado de mais de cinco anos de trabalho, e a equipe da NASA espera coletar dados essenciais para avançar a tecnologia rumo a uma missão lunar real no programa Artemis.
Como a célula de combustível da NASA funciona

NASA/Jef Janis
O princípio é elegante em sua simplicidade. Quando há necessidade de energia, o sistema combina hidrogênio e oxigênio gasosos, produzindo três coisas: água, calor e eletricidade. Quando há energia disponível, como a gerada por painéis solares durante o dia lunar, o processo se inverte: a NASA usa essa energia para decompor a água de volta em hidrogênio e oxigênio, que ficam armazenados para o próximo ciclo de geração de eletricidade.
-
Idealizada pelo curitibano Marcelo Loureiro, uma telecirurgia robótica entre o Brasil e o Kuwait operou um paciente de hérnia inguinal a 12 mil km e entrou para o Guinness como recorde mundial de distância
-
Cavando para as obras da COP30 em Belém, operários acharam um navio do século XIX, de ferro e cerca de 20 metros, soterrado, ao lado de galerias e cerâmica indígena entre os achados arqueológicos
-
Robôs chineses treinaram duas semanas para remar em um barco dragão no Festival de Sichuan, na China, assumiram o controle total quando os humanos pararam de remar, ainda fizeram bolinhos de arroz em um dos testes mais inusitados já realizados com humanoides
-
Estudantes de escola pública criam em Sergipe um kit de triagem precoce do autismo para comunidades vulneráveis sem médico, no ano em que o Brasil faturou 8 prêmios na maior feira de ciências do mundo

imagem: NASA/Jef Janis
Esse ciclo de carga e descarga pode se repetir indefinidamente, sem perda de material. A célula de combustível regenerativa da NASA não consome nada que não possa recuperar, o que a torna ideal para um ambiente onde cada quilo de suprimento enviado da Terra custa milhões de dólares. A tecnologia pode ser mais leve e armazenar a mesma quantidade de energia que sistemas de baterias comparáveis, vantagem crucial quando o peso de cada equipamento lunar é medido com precisão.
O problema que a NASA quer resolver na Lua

IMAGEM: NASA
A Lua apresenta um desafio energético que nenhum outro destino espacial impõe com tanta severidade: noites que duram quase duas semanas. Durante esses 14 dias de escuridão, os painéis solares não geram energia, e qualquer base lunar precisa de um sistema de armazenamento robusto o suficiente para manter habitats aquecidos, sistemas de suporte à vida funcionando e equipamentos de comunicação operacionais.
Baterias convencionais de lítio poderiam cumprir essa função, mas o peso seria proibitivo para missões de longa duração. A NASA calcula que a célula de combustível regenerativa pode oferecer a mesma capacidade de armazenamento com peso significativamente menor, além de ter vida útil mais longa. Para o programa Artemis, que prevê estabelecer uma presença humana sustentável na Lua, essa diferença de peso se traduz em mais espaço para equipamentos científicos e suprimentos.
Os testes que a NASA faz antes de enviar o sistema à Lua
Os pesquisadores da NASA Glenn concluíram testes iniciais em 2025 para entender os princípios básicos de funcionamento e fazer modificações no sistema. A próxima fase, que começa agora, é a primeira operação completa com armazenamento real dos gases gerados, momento que Cain descreveu como emocionante porque “cada dia gera dados cruciais”.
Em um dia típico de testes, os pesquisadores trancam as portas duplas da célula de testes, dirigem-se a uma sala de controle próxima e operam o sistema remotamente. Uma vez ligado, a tecnologia funciona de forma autônoma, sem intervenção humana, característica essencial para operação na Lua, onde os astronautas não podem dedicar tempo permanente ao gerenciamento energético. Antes do lançamento, a NASA planeja simular condições da superfície lunar fora do laboratório para provar que o sistema funciona em ambientes extremos.
O que a célula de combustível significa para o programa Artemis
A célula de combustível regenerativa não é apenas uma bateria melhor, é uma peça fundamental da infraestrutura que a NASA precisa para transformar visitas curtas à Lua em presença permanente. Cain afirmou que a tecnologia “é ideal para habitats, exploração com veículos e muitos dos sistemas previstos no programa Artemis”, e que “desenvolver uma presença humana sustentável e de longo prazo na Lua exige soluções de energia e armazenamento que atendam a essas necessidades”.
O projeto é financiado pelo Programa de Desenvolvimento Inovador da Diretoria de Missões de Tecnologia Espacial da NASA, gerenciado no Centro de Pesquisa Langley. A engenheira-chefe resumiu o senso de urgência da equipe: “O interesse pela tecnologia de células de combustível é tão grande que é muito fácil levantar todas as manhãs e pensar: precisamos continuar avançando para estarmos prontos para o Artemis.”
Você sabia que a NASA está testando uma célula de combustível que se recarrega sozinha na Lua usando apenas água? O que mais impressiona: o ciclo infinito de energia, a operação durante 14 dias de noite lunar ou o fato de dispensar suprimentos da Terra? Conta nos comentários.

Seja o primeiro a reagir!