Inaugurada em Mulegns, na Suíça, a torre reúne 32 colunas de concreto, armadura de aço integrada, 2.500 camadas impressas e sistema modular criado para permitir desmontagem, transporte e reconstrução em outro local
A Tor Alva, torre 3D inaugurada em maio de 2025 na vila suíça de Mulegns, tornou-se o edifício impresso em 3D mais alto do mundo. Com 30 metros e estrutura distribuída em vários pavimentos, a torre foi produzida por um robô, recebeu armadura de aço durante a impressão e poderá ser desmontada após cerca de cinco anos.
O projeto foi desenvolvido pela fundação cultural Nova Fundaziun Origen em parceria com a ETH Zurique.
A construção da Torre 3D reúne 32 colunas brancas, formadas por camadas de concreto, e termina em um espaço abobadado usado como teatro acima dos telhados da pequena vila alpina.
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As formas orgânicas das colunas lembram trabalhos de confeitaria. O desenho faz referência à história dos confeiteiros da região, ao mesmo tempo que demonstra o nível de ornamentação possível com a fabricação digital.

Torre 3D foi impressa em 2.500 camadas de concreto
A fabricação das colunas ocorreu no campus da ETH Zurique durante cinco meses. Um robô industrial depositou aproximadamente 2.500 camadas de concreto, em um processo que consumiu cerca de 900 horas de impressão.
Cada camada possui 10 milímetros de altura e entre 15 e 20 milímetros de largura. O material foi extrudado diretamente pelo equipamento, eliminando a necessidade das fôrmas usadas tradicionalmente para definir o formato do concreto.
A mistura também precisou ser desenvolvida especialmente para o projeto. O concreto deveria endurecer na velocidade adequada, sustentando as novas camadas sem impedir que o robô continuasse a impressão.
Depois de prontas, as colunas foram transportadas até Mulegns. No local, os componentes foram montados sobre um edifício histórico construído no século 19.

Algoritmos definiram forma, textura e resistência
A torre foi projetada pelos arquitetos Michael Hansmeyer e Benjamin Dillenburger, ligados ao design computacional.
Em vez de desenhar separadamente cada detalhe, a equipe utilizou algoritmos paramétricos para gerar a construção.
O sistema calculou simultaneamente a forma, a textura, a ornamentação e o comportamento estrutural dos elementos. Isso permitiu criar superfícies esculturais complexas sem produzir moldes artesanais específicos para cada coluna.
Na construção convencional, detalhes dessa escala exigiriam fôrmas elaboradas e de alto custo. Com a impressão 3D, uma superfície ornamentada pode ser produzida pelo mesmo processo utilizado para imprimir uma superfície lisa.

Armadura integrada torna o concreto totalmente estrutural
O principal avanço da Torre 3D não está apenas em seus 30 metros. Conforme o laboratório de Tecnologias Digitais de Construção da ETH Zurique, ela é o primeiro prédio de múltiplos pavimentos com concreto impresso em 3D totalmente estrutural e reforçado.
Projetos anteriores enfrentavam uma limitação: sem armadura de aço integrada, o concreto impresso podia formar paredes, mas não assumir sozinho a sustentação completa de edifícios verticais com vários andares.
A equipe desenvolveu um sistema que incorpora automaticamente a armadura de aço durante a impressão.
Os elementos também receberam protensão, técnica empregada para melhorar o comportamento estrutural das peças.
Segundo o laboratório, o conjunto apresenta comportamento mecânico equivalente ao concreto convencional.
O método permite produzir estruturas verticais com paredes mais finas, melhor aproveitamento de material e redução do desperdício gerado pelas fôrmas.

Torre ficará cinco anos em Mulegns
A construção foi planejada para permanecer aproximadamente cinco anos na vila. Depois desse período, seus componentes poderão ser desmontados, transportados e remontados em outro local.
O sistema modular preserva as peças e aplica à construção o conceito de edifício circular. Em vez de demolir a torre ao final de sua utilização, o projeto prevê o reaproveitamento de sua estrutura.
Durante sua permanência em Mulegns, a Tor Alva deverá receber visitantes e apresentações culturais no teatro instalado em sua parte superior.
A iniciativa também busca atrair atenção para uma vila que hoje possui pouco mais de uma dezena de moradores e diversas casas vazias.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre a Nova Fundaziun Origen, a ETH Zurique e o laboratório de Tecnologias Digitais de Construção, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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