Projeto de R$ 100 milhões transforma a Marina Itajaí em um novo polo de turismo, lazer e negócios náuticos, enquanto o Brasil enfrenta déficit crescente de vagas para embarcações e acelera a expansão de um mercado bilionário
O avanço do mercado náutico brasileiro começa a ganhar novos contornos em Santa Catarina. Em meio ao crescimento acelerado do setor e à alta demanda por estruturas de apoio para embarcações no país, a Marina Itajaí anunciou a ampliação de seu complexo com um investimento de R$ 100 milhões na construção do Boulevard Marina Itajaí, empreendimento apontado como o maior shopping náutico do Brasil.
A informação foi divulgada pela Marina Itajaí em 2026, em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, e reforça a movimentação de um setor que vive um momento de expansão no país. Segundo projeção da consultoria Business Research Insights, o mercado global de marinas deve movimentar US$ 10,51 bilhões até 2026, impulsionado pelo crescimento do turismo náutico, pelo aumento do número de embarcações e pela busca por experiências integradas de lazer e serviços.
O novo empreendimento será construído dentro do complexo náutico da cidade catarinense e deve ampliar significativamente a estrutura já existente. Além disso, o projeto surge em um momento estratégico, quando o Brasil enfrenta um déficit estimado de 60 mil vagas de atracação.
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Marina Itajaí aposta em shopping náutico com quase 40 mil metros quadrados

O Boulevard Marina Itajaí está em fase de construção e terá cerca de 38 mil metros quadrados de área total. O espaço foi projetado para reunir aproximadamente 78 operações comerciais, incluindo restaurantes, supermercado premium, coworking, áreas de convivência, espaços para eventos e estacionamento.
A proposta vai além de um centro comercial tradicional. O conceito do empreendimento acompanha uma tendência internacional de transformação das marinas em ecossistemas completos de lazer, turismo, gastronomia e negócios.
Segundo informações divulgadas pela própria Marina Itajaí, a expansão busca atender um novo perfil de consumidor, que procura experiências integradas em um único ambiente. Dessa forma, o complexo pretende se consolidar não apenas como estrutura de apoio náutico, mas também como um novo destino turístico e econômico da região.
A localização estratégica de Itajaí também contribui para o avanço desse modelo. A cidade é considerada uma das principais referências do setor náutico brasileiro e concentra eventos, fabricantes de embarcações e operações marítimas de grande porte.
Enquanto isso, o crescimento do turismo ligado ao mar segue atraindo investimentos milionários em diferentes regiões do país, especialmente em Santa Catarina.
Brasil enfrenta déficit de vagas e mercado náutico entra em nova fase
De acordo com dados divulgados pela Associação Náutica Brasileira (Acobar), o Brasil possui atualmente cerca de 1 milhão de embarcações registradas. Apesar disso, a infraestrutura disponível ainda é considerada insuficiente para atender à demanda crescente do setor.
Hoje, o país possui aproximadamente mil pontos de apoio regulares para embarcações. O número é muito inferior ao registrado em mercados consolidados da Europa, como Itália e Espanha, onde o turismo marítimo possui forte participação na economia.
Nesse cenário, o déficit estimado de 60 mil vagas de atracação passou a abrir espaço para novos investimentos privados em marinas, píeres e centros integrados de serviços náuticos.
Santa Catarina ocupa posição estratégica nesse movimento. O estado concentra cerca de 65% da produção nacional de embarcações, além de reunir algumas das principais estruturas náuticas do Brasil.
Na Marina Itajaí, por exemplo, a movimentação cresceu 15% apenas nos três primeiros meses de 2026. O aumento reflete não apenas o aquecimento do mercado, mas também a mudança de comportamento de consumidores que passaram a buscar operações mais completas e sofisticadas.
Segundo Carlos Gayoso de Oliveira, diretor da Marina Itajaí, o setor passa por uma transformação estrutural.
“Cada vez mais, as marinas têm que se reinventar para oferecer uma operação completa que vá além da simples atracação e guarda de barcos. Oferecer serviços agregados, como manutenção, revendas exclusivas e gastronomia, tem sido fundamental para atender às demandas de um mercado exigente e em ascensão no país”, afirmou.
O executivo destaca ainda que o modelo atual exige integração entre diferentes serviços.
“Evoluímos para nos tornar um ecossistema náutico completo, onde os clientes encontram tudo o que precisam em um único local, sem precisar sair do complexo”, completou.
Complexo já possui 405 vagas e recebe embarcações de até 125 pés
Atualmente, a Marina Itajaí conta com 405 vagas entre áreas secas e molhadas. Além disso, a estrutura técnica possui capacidade para atender simultaneamente até sete embarcações de 80 pés e receber barcos de até 125 pés.
O espaço também reúne operações gastronômicas, serviços especializados, áreas de convivência e suporte técnico para navegadores de diferentes nacionalidades.
Além da rotina portuária e náutica, o complexo se tornou palco de importantes eventos do setor, incluindo o Marina Itajaí Boat Show e circuitos de regatas realizados ao longo do ano.
Com a construção do Boulevard Marina Itajaí, a expectativa é ampliar ainda mais o impacto econômico e turístico da região. O empreendimento reforça a estratégia de posicionar Itajaí como um dos principais polos náuticos da América Latina, em um momento em que o turismo marítimo ganha força no Brasil e movimenta cifras cada vez maiores.
A combinação entre infraestrutura, turismo, lazer e serviços premium também acompanha um comportamento observado em grandes centros náuticos internacionais, onde as marinas deixaram de ser apenas locais de atracação e passaram a funcionar como verdadeiros hubs de experiência e consumo.
Conforme publicado pelo portal ND Mais, o projeto representa uma das maiores apostas recentes do setor náutico brasileiro e simboliza uma mudança importante na forma como o mercado marítimo vem se estruturando no país.
