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A maior empresa de carne do Brasil acaba de investir R$ 348 milhões fora do país para ampliar uma fábrica que vai produzir meio milhão de hambúrgueres por dia, e o destino escolhido revela uma estratégia que poucos perceberam

Publicado em 29/04/2026 às 17:14
Atualizado em 29/04/2026 às 17:42
A MBRF investiu R$ 348 milhões no Uruguai para produzir carne e 500 mil hambúrgueres por dia. A proteína bovina ganha planta ampliada em Tacuarembó.
A MBRF investiu R$ 348 milhões no Uruguai para produzir carne e 500 mil hambúrgueres por dia. A proteína bovina ganha planta ampliada em Tacuarembó.
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A MBRF, gigante da carne nascida da fusão entre Marfrig e BRF, anunciou a ampliação de sua planta de proteína bovina em Tacuarembó, no norte do Uruguai, com investimento de US$ 70 milhões (R$ 348 milhões). A produção de hambúrgueres salta de 200 para 900 toneladas mensais, o equivalente a 500 mil unidades por dia, e o abate diário cresce de 900 para 1.400 animais. A expansão cria 570 empregos diretos e reforça o Uruguai como plataforma de exportação para Estados Unidos, China, Japão e Europa.

A maior empresa de carne do Brasil escolheu o Uruguai para aplicar R$ 348 milhões em uma ampliação que transforma uma fábrica regional em um dos maiores complexos de proteína bovina da América do Sul. A MBRF, criada em 2025 da fusão entre Marfrig e BRF, investiu US$ 70 milhões na planta de Tacuarembó para elevar a capacidade de produção de hambúrgueres em 350% e aumentar o volume de abate diário em quase 40%. A operação consolida o complexo como o de maior capacidade do Uruguai no segmento de proteína bovina.

O destino do investimento não é acidental e revela uma estratégia que poucos perceberam. O Uruguai oferece o que o Brasil sozinho não consegue garantir: acesso irrestrito a mercados internacionais exigentes como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, que impõem barreiras sanitárias e tarifárias à carne brasileira. Ao produzir em solo uruguaio, a MBRF contorna essas restrições e coloca seus produtos em prateleiras que a carne brasileira não alcança diretamente, enquanto mantém a escala e a eficiência de uma operação industrial de padrão brasileiro.

Os números da ampliação que transformam Tacuarembó em potência da carne

Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, A ampliação da planta de Tacuarembó é expressiva em todas as métricas. A produção de hambúrgueres salta de 200 para 900 toneladas mensais, um aumento de 350% que equivale a cerca de 500 mil unidades por dia. O volume de abate diário cresce de 900 para 1.400 animais, avanço de quase 40% que consolida a unidade como a maior do Uruguai em capacidade de processamento de carne bovina.

A infraestrutura acompanhou o crescimento. As câmaras de pré-resfriamento passaram de 1.800 para 2.800 animais, e um novo túnel de congelamento com capacidade para 21 mil caixas foi instalado. A expansão também prevê a criação de 570 novos empregos diretos, elevando o total de trabalhadores da unidade para aproximadamente 2.270. O chairman Marcos Molina afirma que o modelo adotado segue o padrão já implementado no Brasil: “Esse modelo industrial nos permite operar com maior escala, eficiência, segurança e padronização.”

Por que o Uruguai e não o Brasil para um investimento de R$ 348 milhões

A escolha do Uruguai como destino dos R$ 348 milhões é estratégica e reflete uma lógica que vai além da proximidade geográfica. O país é reconhecido internacionalmente pela qualidade da produção pecuária, pela confiabilidade sanitária e pelo amplo acesso a mercados que a carne brasileira não atinge com a mesma facilidade. Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Europa mantêm com o Uruguai acordos comerciais e certificações que facilitam a entrada de carne bovina em condições que o Brasil nem sempre consegue replicar.

O CEO Miguel Gularte foi direto: “O Uruguai é um mercado estratégico para a companhia. Esses atributos fortalecem a competitividade da MBRF e sustentam nossa estratégia de seguir investindo no país.” A MBRF responde por cerca de 30% das exportações de carne bovina do Uruguai, e a ampliação de Tacuarembó reforça uma presença que já dura duas décadas. No varejo local, a marca Sadia concentra cerca de 70% de participação de mercado.

A produção de meio milhão de hambúrgueres por dia e para onde eles vão

Os 500 mil hambúrgueres diários produzidos em Tacuarembó não ficarão no Uruguai. A produção será destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação, com embarques para Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul e Europa, mercados onde produtos de maior valor agregado como hambúrgueres processados atingem preços superiores aos da carne in natura. A estratégia da MBRF é justamente migrar de exportadora de carne crua para fornecedora de produtos prontos que capturam mais valor na cadeia.

O foco em hambúrgueres não é apenas sobre volume: é sobre margem. Produtos processados como hambúrgueres, empanados e porcionados geram receita por quilo significativamente maior do que cortes tradicionais, e a demanda global por esses itens cresce à medida que consumidores urbanos buscam praticidade sem abrir mão de proteína animal. Ao posicionar a planta uruguaia como centro de produção de alto valor agregado, a MBRF maximiza o retorno sobre os R$ 348 milhões investidos.

O que a MBRF representa depois da fusão entre Marfrig e BRF

A MBRF nasceu em 2025 da fusão entre Marfrig e BRF, criando uma das maiores empresas de alimentos do mundo com operações que vão da pecuária ao varejo em dezenas de países. No Brasil, a companhia mantém presença relevante em Itajaí, onde concentra operações ligadas à cadeia de exportação de proteínas, e opera marcas como Sadia, Perdigão e National que são parte do cotidiano de milhões de brasileiros.

A fusão deu à MBRF escala para competir globalmente com gigantes como JBS, Tyson Foods e Cargill. A ampliação no Uruguai é o primeiro grande movimento industrial da companhia pós-fusão e sinaliza que a estratégia de crescimento passa por investimentos fora do Brasil em locais que ofereçam vantagens competitivas específicas. A operação uruguaia complementa o parque industrial brasileiro sem depender exclusivamente das condições comerciais e sanitárias do mercado doméstico.

A dimensão ambiental e os empregos gerados pela expansão

A ampliação de Tacuarembó inclui investimentos em sustentabilidade que acompanham a tendência de mercados importadores que exigem certificações ambientais. O complexo incorpora sistemas de tratamento de efluentes e uso de energia renovável, com aerogeradores responsáveis por cerca de 10% do consumo da planta. Uma nova estrutura para produção de farinha de sangue, com capacidade de 100 toneladas mensais, foi instalada para aproveitamento de subprodutos que antes seriam descartados.

Os 570 novos empregos diretos em uma cidade do interior do Uruguai representam impacto econômico significativo para a região de Tacuarembó. A expansão ocorre em um contexto de aumento da demanda global por proteínas e de maior competição entre exportadores sul-americanos, cenário em que eficiência produtiva, certificações sanitárias e acesso a mercados internacionais são fatores que definem quem cresce e quem fica para trás. A MBRF aposta que a combinação de escala brasileira com credencial uruguaia é a fórmula para liderar essa disputa.

Você acha que a maior empresa de carne do Brasil investir R$ 348 milhões no Uruguai é estratégia inteligente ou deveria aplicar esse dinheiro aqui? Conte nos comentários o que pensa sobre produzir no exterior para acessar mercados que a carne brasileira não alcança diretamente.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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