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A maior colônia de búfalos do mundo, com 400 mil animais e 4 milhões de litros de leite por dia: o gigantesco complexo de 6,5 km² em Karachi que agora transforma 7.200 toneladas de resíduos em energia limpa

Publicado em 25/11/2025 às 08:21
Atualizado em 25/11/2025 às 09:37
Búfalos, Colônia de búfalos, Leite
Imagem: ilustração
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Em Karachi, a Colônia Leiteira de Landhi concentra a maior produção de leite do mundo e abriga um projeto internacional que transforma toneladas de resíduos animais em energia e fertilizante, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a economia local

A Colônia Leiteira de Landhi, também chamada de Colônia Bhains, fica no distrito de Malir, em Karachi. Ela é conhecida porque abastece mais de 80% do leite consumido na cidade. Essa estrutura gigantesca tornou o local essencial para o abastecimento diário, além de representar um polo econômico importante na região.

A Agência Neozelandesa para o Desenvolvimento Internacional financiou um projeto piloto para transformar resíduos animais em energia e fertilizante.

A iniciativa nasceu com a intenção de reduzir a poluição e melhorar as condições de vida de quem vive na colônia.

Além disso, o plano tentava enfrentar o acúmulo crescente de resíduos, que era um problema antigo no distrito.

Como tudo começou

A colônia está nos arredores de Karachi. Ela foi fundada em 1958 em uma área de 752 acres e foi projetada para abrigar 15.000 animais. A proposta inicial era criar um espaço organizado para concentrar a produção leiteira.

Hoje, porém, o cenário mudou muito. A região abriga cerca de 1.500 fazendas distribuídas por 6,5 km². Essa expansão ocorreu porque a demanda de leite cresceu muito nas últimas décadas.

O rebanho atual chega a aproximadamente 400.000 animais, sendo 95% búfalos e 5% vacas. Há também ovelhas e cabras, mas em número desconhecido.

Essa estrutura gigante produz cerca de quatro milhões de litros de leite todos os dias. É uma quantidade que destaca a colônia como a maior do mundo nesse segmento.

 Colônia Leiteira de Landhi
vista de sul para norte, das partes sul e sudoeste do distrito de Bin Qasim Town (“tehsil”) no sudeste de Karachi, Paquistão. Foto: Wikimedea Commons

Rotina dos criadores de búfalos

Os búfalos são a principal fonte de leite no Paquistão. O padrão se repete na colônia. Cada produtor costuma ter até 200 animais, o que mostra como a produção é pulverizada entre muitas famílias.

A maioria dos animais é mantida apenas no período de lactação. Portanto, entre 10% e 12% do rebanho é substituído mensalmente.

Quando o ciclo acaba, muitos animais são vendidos para criadores ou para abate. Apenas uma parte é mantida para reprodução.

Esse movimento constante também ajuda a explicar a intensidade das trocas com Punjab e Sindh, regiões ricas em gado.

O desafio dos resíduos da maior colônia de búfalos do mundo

O volume de esterco acompanha o tamanho do rebanho. Todos os dias, cerca de 7.200 toneladas de dejetos são produzidas. Antes do projeto, não havia tratamento adequado.

Isso gerava acúmulo, mau cheiro e descarte no mar. A falta de alternativas pressionava o meio ambiente e a saúde pública.

Por isso, a ideia de converter esterco em energia se tornou crucial. Ela prometia resolver um problema ambiental sério e ainda gerar benefícios econômicos.

A usina de geração de energia

A primeira usina termelétrica movida a gás de esterco foi planejada com capacidade de 25 MW. A usina transformaria o esterco em metano e também geraria fertilizante.

Portanto, o projeto ajudaria Karachi a enfrentar sua necessidade urgente de eletricidade.

A usina também produz 1.500 toneladas de fertilizante natural por dia. Esse volume reforça como o esterco passou a ter valor econômico.

A inauguração do projeto contou com a presença do Ministro do Comércio da Nova Zelândia, Phil Goff, e do Nazim de Karachi, Syed Mustafa Kamal.

A cerimônia destacou o impacto regional da iniciativa, que buscava unir sustentabilidade e desenvolvimento social.

Colônia Leiteira de Landhi
Imagem: Wikimedea Commons

O início da parceria internacional

O plano começou em 2005, quando a NZAID investiu até US$ 500.000. Em abril de 2007, o projeto foi inaugurado oficialmente.

Na ocasião, Phil Goff afirmou que as organizações envolvidas podiam se orgulhar da iniciativa. Ele também destacou que a parceria fortalecia ainda mais as relações entre Nova Zelândia e Paquistão.

Syed Feroz Shah, diretor da National Engineer Corporation, informou que este foi o segundo projeto de crédito de carbono do país. Esse detalhe reforça a dimensão ambiental da proposta.

Outras colônias de gado em Karachi

Karachi abriga outras áreas de produção leiteira, como a Sociedade de Laticínios Al-Momin, a Colônia Nagori, a Colônia Surjani, a Colônia Bilal e a Colônia Saif. Todas ajudam a sustentar a cadeia produtiva da cidade.

Com informações de Wikipedia.

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Romário Pereira de Carvalho

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