Dassault e OHB apresentaram o VORTEX-S à ESA, um avião espacial reutilizável para transporte orbital e missões autônomas na órbita baixa.
Uma parceria entre França e Alemanha quer mudar o cenário do transporte orbital usando uma máquina que parece saída de um cruzamento entre caça militar, nave orbital e avião experimental. A francesa Dassault Aviation, fabricante do caça Rafale e dos jatos Falcon, uniu forças com a alemã OHB, uma das maiores empresas espaciais da Europa, para propor à Agência Espacial Europeia (ESA) o desenvolvimento do VORTEX-S, um spaceplane reutilizável capaz de transportar carga para estações espaciais, realizar missões orbitais autônomas e retornar à Terra como uma aeronave reutilizável.
O projeto nasceu para criar uma alternativa europeia aos sistemas espaciais reutilizáveis dominados por EUA e China
O VORTEX-S faz parte de uma iniciativa maior chamada VORTEX, sigla para Véhicule Orbital Réutilisable de Transport et d’Exploration, ou Veículo Orbital Reutilizável de Transporte e Exploração. O conceito foi apresentado inicialmente pela Dassault Aviation durante o Paris Air Show de 2025.
Segundo as empresas, o objetivo é criar uma capacidade própria de mobilidade espacial reutilizável para a Europa, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras em futuras operações orbitais.
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O projeto surge em um momento em que Estados Unidos, China e até empresas privadas vêm ampliando investimentos em veículos reutilizáveis para missões orbitais, transporte de carga e operações de longa duração no espaço.
A mesma empresa que produz o Rafale será responsável por desenhar o avião espacial
A Dassault Aviation assumirá o papel de arquiteta principal e integradora global do VORTEX-S. A empresa possui mais de um século de experiência em aeronaves complexas e ficou conhecida mundialmente pelo desenvolvimento do caça Rafale, considerado uma das plataformas militares mais avançadas da Europa, além da família de jatos executivos Falcon.
Segundo a própria Dassault, a companhia também acumulou experiência em estudos espaciais ligados a programas históricos europeus, incluindo participação no projeto Hermes, antigo conceito europeu de avião espacial, além do demonstrador de reentrada atmosférica IXV da ESA.
A alemã OHB ficará responsável pelo módulo de serviço que mantém a nave viva em órbita
Enquanto a Dassault desenvolve o spaceplane, a OHB será responsável pelo módulo de serviço do sistema.
Esse módulo funciona como uma espécie de seção orbital responsável por energia, propulsão, suporte operacional e diversos sistemas necessários para missões em órbita.
Marco Fuchs, CEO da OHB, afirmou que a iniciativa nasceu da necessidade de criar capacidades europeias autônomas de transporte espacial e destacou que a combinação entre uma fabricante de aeronaves e uma empresa especializada em sistemas orbitais cria uma arquitetura complementar para o projeto.
O VORTEX-S foi concebido para transportar carga a estações espaciais e operar sozinho ao redor da Terra
Segundo a proposta apresentada à ESA, o VORTEX-S não será apenas um veículo de transporte. O spaceplane foi projetado para realizar missões de ida e volta a estações espaciais, além de atuar como plataforma orbital autônoma em missões conhecidas como free flyer, quando o veículo opera de forma independente sem permanecer acoplado a uma estação.
Esse tipo de operação pode permitir transporte de equipamentos, realização de experimentos científicos, testes tecnológicos e futuras aplicações ligadas a observação, logística orbital e pesquisa espacial.
A família VORTEX prevê versões cada vez maiores até chegar a um veículo operacional de carga
O VORTEX-S representa apenas uma etapa dentro de um programa mais amplo. Segundo informações publicadas pela Aviation Week, a Dassault já trabalha em uma sequência de veículos que começa com o demonstrador VORTEX-D, previsto para voar por volta de 2028.

Dassault Reusable Orbital Transport – Reprodução
Depois dele viria o próprio VORTEX-S, descrito como uma plataforma inteligente de voo orbital autônomo.
A evolução seguinte seria o VORTEX-C, versão operacional de carga com massa total estimada entre 8 e 9 toneladas e capacidade para transportar aproximadamente 2 toneladas de carga útil. A empresa também estuda uma futura versão tripulada chamada VORTEX-H.
O projeto tenta ressuscitar um sonho europeu que atravessa gerações da engenharia espacial
A ideia de um avião espacial reutilizável acompanha a indústria aeroespacial europeia há décadas. Projetos como Hermes, Space Rider e diversos estudos conduzidos pela ESA buscaram formas de criar veículos capazes de operar além da atmosfera e retornar à Terra sem depender exclusivamente de cápsulas descartáveis.

O VORTEX surge dentro dessa tradição, mas com uma diferença importante: a tentativa de criar uma plataforma reutilizável voltada não apenas para experimentação tecnológica, mas para operações espaciais regulares de transporte orbital.
A proposta aparece em um momento em que a autonomia espacial voltou a ser tratada como questão estratégica.
Com o crescimento da presença chinesa no espaço, a expansão dos sistemas reutilizáveis americanos e o avanço de novos projetos privados, vários países europeus passaram a defender investimentos em veículos capazes de garantir acesso independente à órbita.
As próprias empresas envolvidas afirmam que o VORTEX-S foi concebido justamente para fortalecer a capacidade europeia de mobilidade espacial reutilizável e ampliar a independência tecnológica do continente.
O continente que construiu o Rafale agora tenta construir uma nave capaz de cruzar a fronteira do espaço e voltar
Por enquanto, o VORTEX-S continua sendo uma proposta apresentada à ESA e ainda depende de futuras aprovações, investimentos e etapas de desenvolvimento.
Mesmo assim, o projeto já chama atenção porque reúne duas das maiores empresas aeroespaciais da Europa em torno de uma ambição que atravessa gerações: criar uma máquina capaz de unir características de avião, nave orbital e veículo reutilizável em um único sistema.
Se avançar além das fases conceituais, o VORTEX poderá representar uma tentativa europeia de entrar em um grupo extremamente restrito da engenharia espacial: o dos veículos que não apenas chegam ao espaço, mas voltam dele prontos para voar outra vez.


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