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Idealizada pelo curitibano Marcelo Loureiro, uma telecirurgia robótica entre o Brasil e o Kuwait operou um paciente de hérnia inguinal a 12 mil km e entrou para o Guinness como recorde mundial de distância

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 22/06/2026 às 16:33
Atualizado em 22/06/2026 às 16:36
Idealizada por Marcelo Loureiro, uma telecirurgia robótica entre Brasil e Kuwait operou uma hérnia inguinal a 12 mil km e virou recorde mundial no Guinness.
Idealizada por Marcelo Loureiro, uma telecirurgia robótica entre Brasil e Kuwait operou uma hérnia inguinal a 12 mil km e virou recorde mundial no Guinness.
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Em setembro de 2025, médicos brasileiros realizaram uma telecirurgia robótica entre o Kuwait e Curitiba, a 12.034,92 km de distância. O feito, idealizado por Marcelo Loureiro, entrou para o Guinness como o recorde mundial de maior distância entre médico e paciente, numa cirurgia de hérnia inguinal.

Um paciente foi operado em Curitiba por um cirurgião que estava a mais de 12 mil quilômetros dali, no Kuwait, e o resultado virou marca histórica. A telecirurgia robótica realizada em 23 de setembro de 2025 entrou para o Guinness World Records como o recorde mundial de maior distância entre médico e paciente, segundo o Governo do Paraná. A chancela oficial saiu em 3 de outubro de 2025.

O cérebro da operação é brasileiro. A iniciativa foi idealizada e coordenada por Marcelo Loureiro, cirurgião do aparelho digestivo e fundador da Scolla Centro de Treinamento Cirúrgico, na região de Curitiba. Foi dele a articulação que uniu hospitais, tecnologia e equipes em dois continentes para provar que operar alguém do outro lado do mundo deixou de ser ficção científica.

O recorde: 12 mil km entre o médico e o paciente

Idealizada por Marcelo Loureiro, uma telecirurgia robótica entre Brasil e Kuwait operou uma hérnia inguinal a 12 mil km e virou recorde mundial no Guinness.
Marcelo Loureiro

O número que carimbou o recorde mundial é preciso: 12.034,92 quilômetros separavam o cirurgião do paciente. Quem comandou a operação foi o professor Leandro Totti Cavazzola, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a partir do Hospital Jaber Al-Ahmad, no Kuwait, conforme o Governo do Paraná. Do outro lado da linha, o paciente estava no Hospital Cruz Vermelha, em Curitiba.

A cirurgia escolhida não foi por acaso. Tratou-se de uma correção de hérnia inguinal, um dos procedimentos mais comuns e padronizados da cirurgia geral, o que ajuda a isolar o que realmente estava sendo testado: a capacidade de operar com segurança a uma distância nunca antes alcançada. Mesmo sendo uma hérnia inguinal de rotina, a telecirurgia robótica transformou o ato em um marco mundial.

O aval veio de fora. O Guinness World Records auditou e confirmou o recorde mundial em 3 de outubro de 2025, reconhecendo oficialmente a distância como a maior já registrada entre um médico e seu paciente numa cirurgia robótica à distância. Para o Brasil, é um selo internacional de que a telecirurgia robótica feita por aqui está na fronteira da medicina.

A mente por trás: o curitibano Marcelo Loureiro

Por trás do feito está a obsessão de Marcelo Loureiro em levar a cirurgia brasileira adiante. Aos 55 anos, ele é referência em procedimentos minimamente invasivos e enxergou na telecirurgia robótica uma forma de encurtar distâncias que sempre separaram pacientes dos melhores especialistas. Não foi um teste solto, foi um projeto pensado para mostrar um caminho.

O próprio coordenador faz questão de destacar o ineditismo do que foi feito. “Pela primeira vez, foram realizados procedimentos sequenciais em ambas as direções, Kuwait-Brasil e Brasil-Kuwait, demonstrando reprodutibilidade”, afirmou Marcelo Loureiro à CNN Brasil. A palavra reprodutibilidade é a chave: não foi sorte de uma vez só.

Esse cuidado em provar que o método se repete é o que separa um truque de um avanço real. Ao colocar o nome do Brasil e de Marcelo Loureiro no Guinness, a iniciativa sinaliza que a telecirurgia robótica pode virar rotina, e não apenas manchete. O recorde mundial, nesse sentido, é menos sobre o número e mais sobre o que ele abre de possibilidade.

Uma cirurgia em mão dupla, inédita no mundo

O detalhe mais impressionante nem é a distância, é a mão dupla. No mesmo dia, enquanto o paciente em Curitiba era operado a partir do Kuwait, uma equipe médica enviada do Kuwait a Curitiba operou um paciente que estava no país asiático, segundo o Governo do Paraná. Foi a primeira experiência mundial de telecirurgia robótica em dupla direção.

Operar nos dois sentidos prova um ponto importante. Não se trata de um país rico exportando tecnologia para um país pobre, e sim de uma troca real, em que Brasil e Kuwait atuaram como parceiros de igual para igual. A hérnia inguinal corrigida em cada ponta virou símbolo de uma medicina sem fronteiras.

O significado para o futuro é grande. “Esse projeto abre novas perspectivas. No futuro, um cirurgião poderá apoiar, à distância, colegas em casos de alta complexidade”, disse Leandro Totti Cavazzola, citado pela CNN Brasil. É a ideia de que o melhor especialista do mundo possa estar, virtualmente, em qualquer sala de cirurgia.

A tecnologia que tornou o impossível possível

Nada disso funcionaria sem uma base técnica robusta. A operação usou o robô cirúrgico MP1000, da Edge Medical, com a conectividade fornecida pela Ligga Telecom, conforme o Governo do Paraná. Numa telecirurgia robótica, o maior inimigo é o atraso do sinal, porque cada milésimo de segundo entre o comando do médico e o movimento do robô pode importar.

Vencer a distância de 12 mil km exigiu uma conexão estável e veloz o suficiente para que o cirurgião no Kuwait sentisse que estava ao lado do paciente em Curitiba. Esse é o calcanhar de Aquiles de qualquer cirurgia à distância, e foi exatamente o gargalo que a iniciativa precisou superar para garantir o recorde mundial.

Quando a tecnologia funciona, o resultado aparece na mesa. A correção de hérnia inguinal foi concluída com sucesso nas duas pontas, sem que a distância comprometesse a segurança. É a prova de que a telecirurgia robótica já tem maturidade para sair do laboratório e chegar ao paciente real.

Por que isso importa para a medicina brasileira

O recorde não é só vaidade de placa na parede. Num país de dimensões continentais como o Brasil, a telecirurgia robótica pode significar que um morador do interior tenha acesso a um especialista de grande centro sem precisar viajar milhares de quilômetros. O que foi testado entre Curitiba e o Kuwait aponta para esse cenário.

Há também o ganho na formação de médicos. “O Paraná está dando um salto na formação de futuros médicos”, afirmou Aldo Bona, secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do estado, ao Governo do Paraná. Para Alexandre Webber, reitor da Unioeste, “nossos cursos de Medicina avançam para um novo patamar”, reforçando que o recorde mundial tem efeito direto no ensino.

No fim, o feito coloca o Brasil no mapa da medicina do futuro. A iniciativa de Marcelo Loureiro mostrou que uma hérnia inguinal operada a 12 mil km pode abrir caminho para uma assistência médica mais justa, em que a distância deixa de ser uma sentença. Esse é o verdadeiro tamanho do recorde mundial.

O que aconteceu entre Curitiba e o Kuwait é mais do que uma curiosidade do Guinness. Foi a prova, idealizada por Marcelo Loureiro, de que a telecirurgia robótica brasileira chegou à fronteira mundial, operando uma hérnia inguinal a 12.034,92 km de distância e ainda nos dois sentidos. O recorde mundial é o carimbo, mas o legado é a promessa de uma medicina sem barreiras geográficas.

E você, confiaria em ser operado por um cirurgião que está do outro lado do planeta, comandando um robô a 12 mil km de distância? Conta nos comentários o que você acha desse futuro da medicina.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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