A Coreia do Norte construiu um novo horizonte de arranha-céus em Pyongyang que está sendo chamado de “Pyonghattan” por observadores internacionais. Segundo informações do South China Morning, a torre principal da Avenida Songhwa, com 80 andares e 282 metros de altura, foi concluída em apenas um ano junto com 10 mil unidades habitacionais. O regime de Kim Jong Un promete transformar a capital no centro da civilização coreana, mas moradores enfrentam apagões frequentes que deixam elevadores parados e tornam a vida nos andares altos um desafio diário.
A Coreia do Norte transformou partes de Pyongyang em algo que poucos esperariam ver em um país sob sanções internacionais há décadas. Nos últimos anos, a capital ganhou múltiplos distritos de arranha-céus com torres que chegam a 80 andares, avenidas largas e conjuntos habitacionais modernos que contrastam radicalmente com a imagem de pobreza e isolamento que se associa ao regime. O apelido “Pyonghattan”, cunhado por observadores internacionais, faz referência direta a Manhattan e reflete o espanto com a velocidade e a escala da transformação urbana conduzida pelo governo de Kim Jong Un.
A construção mais emblemática da Coreia do Norte nos últimos anos é a torre principal da Avenida Songhwa, um arranha-céu de 80 andares e 282 metros que se tornou o segundo edifício mais alto do país. O complexo foi erguido em apenas um ano, incluindo 10 mil unidades habitacionais para famílias consideradas leais ao regime, e inaugurado com cerimônia oficial em que Kim Jong Un agradeceu pessoalmente aos trabalhadores civis e militares que participaram da obra. A mídia estatal celebrou o feito como um “milagre” da “Velocidade de Pyongyang”, expressão usada pelo regime para descrever o ritmo acelerado das construções na capital.
Os distritos que formam a “Pyonghattan” norte-coreana

imagem: link
O apelido Pyonghattan não se refere a um único bairro, mas a um conjunto de distritos construídos na Coreia do Norte nos últimos anos. A Avenida Songhwa, com sua torre de 80 andares, é a mais recente. Antes dela, a Ryomyong New Town, inaugurada em 2017, já havia chamado atenção com uma torre de 82 andares e 270 metros, cuja estrutura foi concluída em apenas 74 dias, segundo a mídia estatal. A Mirae Scientists Street e o distrito de Hwasong completam o novo horizonte de Pyongyang.
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imagem: vermelho.org.
O Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano registra atualmente 15 edifícios com mais de 150 metros concluídos na capital da Coreia do Norte. A expansão faz parte de um plano de cinco anos anunciado por Kim Jong Un em 2021 para construir 50 mil apartamentos adicionais em Pyongyang. A justificativa oficial é melhorar a qualidade de vida dos moradores da capital, mas analistas notam que a distribuição das moradias segue critérios de lealdade política ao regime de Kim Jong Un, não de necessidade habitacional.
Quem mora nos arranha-céus da Coreia do Norte
As habitações nos novos distritos são atribuídas pelo governo, priorizando famílias consideradas leais à dinastia Kim e profissionais de setores valorizados pelo regime, como cientistas, engenheiros e quadros militares. Os “trabalhadores comuns” mencionados pela propaganda oficial não são os que escolhem onde morar, são os que o regime decide que merecem morar ali.
A realidade dentro dos arranha-céus, porém, contrasta com as fachadas reluzentes. A Coreia do Norte enfrenta apagões frequentes, o que significa que os elevadores dos prédios residenciais muitas vezes não funcionam. Como resultado, moradores mais jovens são designados para os andares superiores, enquanto idosos ficam nos andares mais baixos para evitar a subida por escadas em edifícios de dezenas de pavimentos. A CNN documentou essa dinâmica em visitas ao país, revelando uma contradição entre a modernidade aparente e a precariedade cotidiana.
O resort de praia e o metrô renovado
A transformação urbana na Coreia do Norte não se limita a Pyongyang. O Wonsan-Kalma Beach Resort, inaugurado no verão de 2025, se estende por 5 quilômetros ao longo da costa com mais de 50 hotéis e capacidade para 20 mil pessoas. O resort foi aberto inicialmente apenas para turistas russos, mas desde então foi fechado para todos os visitantes, ilustrando o padrão de grandiosos projetos cuja utilidade real permanece questionável.

Na capital, o sistema de metrô inaugurado em 1972 com trens importados da China passou por reformas visíveis. Estações como a Yonguang ganharam escadas rolantes e plataformas modernizadas, abandonando a estética de Guerra Fria que dominava os interiores. Porém, o metrô continua operando com apenas duas linhas e 16 estações, sem alcançar os novos bairros de arranha-céus nos subúrbios de Pyongyang, o que obriga moradores dos distritos mais novos a depender de outros meios de transporte.
De onde vem o dinheiro para construir sob sanções
A pergunta que intriga observadores internacionais é como a Coreia do Norte financia obras bilionárias em um país submetido a algumas das sanções mais severas do mundo. Relatórios internacionais apontam que o regime arrecadou bilhões de dólares em 2025 por meio de cibercrimes, principalmente roubo de criptomoedas, tornando o país um dos maiores perpetradores de crimes cibernéticos do planeta.
Além dos cibercrimes, a Coreia do Norte lucra com o envio de soldados para lutar pela Rússia na Ucrânia, comércio de armas e exportação de mão de obra para países aliados. A construção dos arranha-céus depende fortemente de trabalho militar: soldados e trabalhadores civis são mobilizados para as obras em condições precárias e com remuneração mínima. O regime trata a mão de obra como recurso estatal, não como força de trabalho com direitos.
O que Pyonghattan revela sobre a Coreia do Norte
Os arranha-céus de Pyongyang são ao mesmo tempo vitrine e contradição. A Coreia do Norte constrói torres de 80 andares enquanto grande parte da população rural vive sem eletricidade estável, sem acesso a alimentos suficientes e sem liberdade de escolher onde morar. A capital funciona como uma ilha de relativo conforto em um país onde as condições de vida fora dela são dramaticamente diferentes.
O apelido Pyonghattan captura a ironia: uma cidade que se parece com Manhattan, mas onde os moradores são designados por lealdade política, os elevadores não funcionam por falta de energia e o dinheiro da construção vem de crimes cibernéticos. A Coreia do Norte quer que o mundo veja os arranha-céus que Kim Jong Un ergue em Pyongyang. O que não quer é que olhem para o que existe por trás deles.
Você sabia que a Coreia do Norte está erguendo arranha-céus de 80 andares em Pyongyang? O que mais impressiona: a velocidade da construção, os apagões nos elevadores ou o dinheiro de origem duvidosa que financia tudo? Conta nos comentários.


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