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Quase 300 empresas da Rússia e mais de 5 mil compradores se reúnem na China para a 10ª Expo bilateral entre os dois países, com 500 produtos lançados e 800 novos projetos apresentados em Harbin na semana em que o comércio bilateral já ultrapassa 61 bilhões de dólares

Publicado em 22/05/2026 às 22:31
Atualizado em 22/05/2026 às 22:33
Assista o vídeoChina sedia 10ª Expo bilateral com Rússia em Harbin. Quase 300 empresas e 5 mil compradores. Comércio bilateral atingiu US$ 61 bi no 1º trimestre.
China sedia 10ª Expo bilateral com Rússia em Harbin. Quase 300 empresas e 5 mil compradores. Comércio bilateral atingiu US$ 61 bi no 1º trimestre.
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A China sediou em Harbin a 10ª Expo China-Rússia, maior plataforma de negócios bilateral entre os dois países. Segunto a CGTN, o evento de cinco dias atraiu quase 300 empresas russas, mais de 5 mil compradores, 1.500 expositores de 46 países e registrou o lançamento de 500 produtos e 800 novos projetos. O comércio bilateral atingiu 61,2 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, alta de 14,7%, consolidando a China como maior parceira comercial da Rússia pelo 16º ano consecutivo.

A China e a Rússia acabam de concluir a maior vitrine comercial já realizada entre os dois países. A 10ª Expo China-Rússia, encerrada nesta quinta-feira (22) em Harbin, capital da província de Heilongjiang, reuniu quase 300 empresas russas e uma delegação de compras com mais de 5 mil integrantes em 55 mil metros quadrados de área de exposição. O evento funcionou como um mercado de escala continental: 500 produtos foram lançados e 800 novos projetos, parcerias e tecnologias foram apresentados, abrangendo desde equipamentos inteligentes e inteligência artificial até itens culturais criativos, joias, artesanato, têxteis e alimentos russos.

O contexto da feira não é casual. A China é a maior parceira comercial da Rússia pelo 16º ano consecutivo, e o comércio bilateral atingiu 227,9 bilhões de dólares em 2025, superando os 200 bilhões pela terceira vez seguida. No primeiro trimestre de 2026, o volume subiu para 61,2 bilhões de dólares, alta de 14,7%, com exportações da China para a Rússia crescendo 22% e importações russas avançando 9%. A Expo de Harbin é a tradução física desses números: um espaço onde empresas dos dois lados negociam contratos, testam produtos e constroem relações que sustentam um comércio que não para de crescer, mesmo sob sanções ocidentais.

O que aconteceu nos cinco dias da Expo em Harbin

A 10ª edição da Expo China-Rússia atraiu mais de 1.500 empresas de 46 países e regiões, com destaque para as quase 300 russas que expuseram avanços em manufatura de alta tecnologia, equipamentos de energia, agricultura moderna e tecnologias digitais. O Centro Russo de Exportação, representado por Evgeny Bazhov, realizou 104 sessões de matchmaking comercial apenas no primeiro dia, negociando com 43 empresas da China em conversas que somaram potencial de cooperação de 3,9 bilhões de rublos, cerca de 55 milhões de dólares.

A feira também serviu para apresentar 32 exposições que cobrem toda a cadeia de produção agrícola russa, além de produtos culturais que vão além do estereótipo do chocolate. Representantes russos declararam que o objetivo é mostrar que os produtos do país não se resumem a commodities, mas incluem bens culturais, artesanato de alta qualidade e tecnologias competitivas. Do lado da China, automóveis, eletrodomésticos e maquinário continuam sendo as exportações mais fortes para o mercado russo.

Como a composição do comércio entre China e Rússia está mudando

Um dos dados mais revelados durante a Expo foi apresentado por Ma Chi, funcionário do Ministério do Comércio da China: a participação de produtos eletromecânicos e de alta tecnologia no comércio bilateral vem crescendo de forma consistente. A Rússia, que historicamente exportava quase exclusivamente energia e minerais para a China, viu a participação de produtos não primários subir de 22% para 27% do total.

Do lado da China, automóveis, eletrodomésticos e maquinário industrial dominam as exportações para a Rússia. A mudança na composição do comércio bilateral é significativa porque indica que a relação está se diversificando para além da dependência de petróleo e gás. A feira de Harbin reflete essa transformação: entre os 800 projetos apresentados, há parcerias em economia digital, desenvolvimento verde, comércio eletrônico transfronteiriço e tecnologias de inteligência artificial.

A logística que sustenta a maior feira bilateral do mundo

A escala da Expo exigiu uma operação logística à altura. Pedidos de voos fretados para carga superdimensionada com destino a Harbin cresceram 19% em relação a 2025, e a ocupação hoteleira na cidade ultrapassou 90% durante os cinco dias do evento. Os organizadores também testaram um “Expo Pass” digital que funciona como cartão de transporte local e carteira de yuan digital, facilitando pagamentos para delegações vindas de países onde a aceitação do UnionPay é limitada.

A política de isenção de visto da China para cidadãos russos foi destacada por Bazhov como fator decisivo para atrair participantes que visitavam a feira pela primeira vez. Chen Shijun, presidente do comitê de Heilongjiang do Conselho para Promoção do Comércio Internacional, afirmou que a cooperação econômica entre os dois países expandiu-se para além dos setores tradicionais e agora inclui economia digital, desenvolvimento sustentável e comércio eletrônico.

O que a Expo revela sobre a aliança econômica entre China e Rússia

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A 10ª Expo China-Rússia aconteceu na mesma semana em que Putin visitou Pequim pela 25ª vez, em um encontro que resultou em 40 acordos bilaterais e declarações conjuntas sobre segurança e comércio. A feira de Harbin é a face comercial dessa aliança política: enquanto os presidentes assinam declarações em Pequim, as empresas negociam contratos em Harbin.

Para a China, a Rússia oferece energia barata, minerais e produtos agrícolas em volumes que compensam as restrições impostas pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Para a Rússia, a China é o mercado que absorve o que as sanções ocidentais impediram de ir para a Europa. A feira mostra que o comércio bilateral não é apenas emergencial: com 10 edições e números crescentes a cada ano, ele se tornou estrutural.

Você sabia que a China é a maior parceira comercial da Rússia há 16 anos consecutivos? Acha que essa aliança econômica vai se fortalecer ainda mais com as sanções ocidentais ou chegará a um limite? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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