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A China plantou árvores demais e acabou mudando o caminho da água no país inteiro, secando regiões populosas e levando mais chuva para o Planalto Tibetano

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 03/01/2026 às 10:25
Reflorestamento na China redistribui água, reduz oferta hídrica em 74% do país e aumenta precipitação no Planalto Tibetano, aponta estudo.
Reflorestamento na China redistribui água, reduz oferta hídrica em 74% do país e aumenta precipitação no Planalto Tibetano, aponta estudo.
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Entre 2001 e 2020, programas de reflorestamento e restauração de pastagens mudaram a cobertura vegetal chinesa, intensificaram a evapotranspiração, redistribuíram a precipitação por até 7.000 quilômetros e reduziram a disponibilidade de água doce em regiões que concentram população, agricultura e atividade econômica, segundo estudo científico recente

Entre 2001 e 2020, o reflorestamento e a restauração de arvóres na China alteraram o ciclo da água, reduziram a disponibilidade hídrica em 74% do território e aumentaram a oferta no Planalto Tibetano, segundo estudo publicado em 4 de outubro na revista Earth’s Future.

Mudanças na cobertura vegetal e efeitos nacionais

Os esforços da China para desacelerar a degradação do solo e enfrentar as mudanças climáticas por meio do plantio de árvores e da restauração de pastagens provocaram alterações amplas e inesperadas na distribuição da água pelo país, de acordo com uma nova pesquisa científica.

O estudo analisou o período entre 2001 e 2020 e identificou que mudanças na cobertura vegetal reduziram a quantidade de água doce disponível para humanos e ecossistemas na região leste influenciada pelas monções e na região árida do noroeste.

Essas duas áreas, juntas, representam 74% da área territorial da China. No mesmo intervalo, a disponibilidade de água aumentou no Planalto Tibetano, região que corresponde ao restante do território nacional.

Os pesquisadores apontam que a redistribuição da água não ocorreu de forma homogênea, mesmo com a intensificação geral do ciclo hidrológico associada às mudanças no uso do solo em escala nacional.

Evapotranspiração e o funcionamento do ciclo da água

Segundo os cientistas, três processos principais movimentam a água entre os continentes e a atmosfera: evaporação, transpiração e precipitação. A evaporação remove água das superfícies e do solo, enquanto a transpiração libera para a atmosfera a água absorvida pelas plantas.

A combinação desses dois processos é chamada de evapotranspiração. Esse indicador varia conforme a cobertura vegetal, a disponibilidade de água e a quantidade de energia solar que atinge a superfície terrestre, explicou o coautor do estudo, Arie Staal.

Pastagens e florestas tendem a aumentar a evapotranspiração. O efeito é especialmente intenso em áreas florestais, porque árvores possuem raízes profundas capazes de acessar água mesmo em períodos de seca prolongada.

No caso chinês, a expansão dessas coberturas vegetais acelerou a transferência de água para a atmosfera, alterando o equilíbrio entre perda local e retorno por meio da precipitação.

A Grande Muralha Verde e a expansão florestal

O maior projeto de reflorestamento da China é a Grande Muralha Verde, localizada no norte árido e semiárido do país. Iniciada em 1978, a iniciativa foi criada para conter a expansão dos desertos.

Ao longo de cinco décadas, o projeto contribuiu para um aumento expressivo da cobertura florestal nacional, que passou de cerca de 10% do território em 1949 para mais de 25% atualmente, uma área equivalente ao tamanho da Argélia.

No ano passado, representantes do governo anunciaram que o país havia concluído o cerco ao seu maior deserto com vegetação, embora o plantio de árvores continue como estratégia de combate à desertificação.

Além da Grande Muralha Verde, outros programas de larga escala reforçaram o avanço florestal em diferentes regiões do país nas últimas décadas.

Programas nacionais e impacto global

Entre os principais projetos estão o Programa Grãos por Verde e o Programa de Proteção de Florestas Naturais, ambos iniciados em 1999. O primeiro incentiva agricultores a converterem terras agrícolas em florestas e pastagens.

O segundo programa proíbe a exploração madeireira em florestas primárias e promove o reflorestamento de áreas degradadas. Juntas, essas iniciativas transformaram extensas paisagens rurais e florestais em todo o território chinês.

Em conjunto, os esforços de restauração de ecossistemas da China respondem por 25% do aumento líquido global da área foliar observado entre 2000 e 2017, segundo os dados citados no estudo.

Esse crescimento acelerado da vegetação, embora relevante do ponto de vista ambiental, trouxe consequências diretas para o ciclo da água, com efeitos que ultrapassam as áreas reflorestadas.

Redistribuição da água e transporte atmosférico

Para investigar os impactos hidrológicos, os pesquisadores utilizaram dados de alta resolução sobre evapotranspiração, precipitação e mudanças no uso da terra, além de um modelo de rastreamento da umidade atmosférica.

Os resultados mostraram que a evapotranspiração aumentou mais do que a precipitação. Isso significa que parte da água foi transferida para a atmosfera sem retornar localmente na forma de chuva.

Esse efeito não foi uniforme porque os ventos podem transportar vapor d’água por distâncias de até 7.000 quilômetros, fazendo com que a evapotranspiração em uma região influencie a precipitação em outra.

Na China, a expansão florestal no leste sob influência das monções e a restauração de pastagens em outras áreas elevaram a evapotranspiração, mas o aumento da precipitação concentrou-se no Planalto Tibetano.

Desigualdade hídrica e desafios de gestão

Como resultado, as regiões fora do Planalto Tibetano registraram redução na disponibilidade de água doce, apesar de um ciclo hidrológico mais ativo em escala nacional, segundo os autores do estudo.

Esse cenário tem implicações diretas para a gestão dos recursos hídricos, já que a distribuição de água na China é historicamente desigual. O norte concentra cerca de 20% da água disponível no país.

Ao mesmo tempo, essa região abriga 46% da população chinesa e 60% das terras aráveis, ampliando a pressão sobre os recursos hídricos em áreas que já enfrentam escassez relativa.

O governo chinês busca soluções para esse desequilíbrio, mas os pesquisadores alertam que medidas podem fracassar se não considerarem os efeitos do reflorestamento na redistribuição da água.

Lições para outros países

Os autores destacam que a restauração de ecossistemas e o reflorestamento em outros países também podem estar afetando os ciclos da água de maneiras semelhantes, embora os efeitos variem conforme o contexto local.

Do ponto de vista dos recursos hídricos, a pesquisa sugere que cada caso deve ser analisado individualmente para avaliar se determinadas mudanças na cobertura do solo são benéficas ou não.

Isso depende, entre outros fatores, de quanta água transferida para a atmosfera retorna como precipitação e de onde ela é depositada, ressaltou Staal em comunicação por e-mail.

O estudo conclui que políticas ambientais de grande escala, embora eficazes para restaurar ecossistemas, precisam considerar com cuidado seus impactos hidricos para evitar efeitos colaterais indesejados na disponibilidade de água.

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God
God
09/01/2026 10:19

你使用最科学的知识,做出了最愚蠢而偏激的言论。

Eze
Eze
07/01/2026 04:09

Sin duda es clave reforestar y bajar la temperatura del planeta y preservar la biodiversidad y que no se sigan extinguiendo especies todos los dias, pero se hace con especies nativas que antes existian en ese lugar, plantar arboles en el desierto o lugares con estepa original estamos modificando el ambiente, no restaurando

Lili Ferreyra
Lili Ferreyra
06/01/2026 12:50

La acción antró**** sobre los territorios no debería ser improvisada. A esta altura de la humanidad hay que investigar los impacto ambientales de la intervención .

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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