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A China acaba de dar um passo significativo em um tema raramente discutido publicamente, mas que determinará se a energia eólica e solar poderão crescer sem problemas

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 07/05/2026 às 11:33 Atualizado em 07/05/2026 às 11:38
A China ressuscitou o processo Fischer-Tropsch para fabricar plástico com carvão em vez de petróleo. A escala industrial já supera o consumo total dos EUA.
A China ressuscitou o processo Fischer-Tropsch para fabricar plástico com carvão em vez de petróleo. A escala industrial já supera o consumo total dos EUA.
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A China concluiu testes de condensador síncrono de 35 kV da Dongfang Electric que elimina transformador intermediário, reduz 35% do investimento e 50% do espaço para estabilizar redes com energia eólica e solar, segundo o China Energy News, acelerando a meta de pico de emissões de CO2 antes de 2030.

A China deu passo significativo numa área técnica que raramente aparece no debate público mas que determina se a energia eólica e solar poderão crescer sem comprometer a estabilidade das redes elétricas. A Dongfang Electric Motor, subsidiária do Grupo Dongfang Electric, concluiu com sucesso os testes de tipo para um condensador síncrono de 35 quilovolts capaz de ser conectado diretamente à rede elétrica sem necessidade de transformador elevador intermediário, inovação que segundo dados publicados pelo China Energy News reduz em 35% o investimento inicial, exige 50% menos espaço físico e corta pela metade os custos de operação e manutenção em comparação com soluções existentes. A importância do equipamento vai além dos números: a China precisa de infraestrutura capaz de absorver a quantidade crescente de energia renovável que o país instala a cada ano para cumprir a meta de atingir o pico de emissões de CO2 antes de 2030 e a neutralidade de carbono antes de 2060.

O condensador síncrono não é tecnologia nova, mas a versão que a China testou resolve problema técnico que limitava gerações anteriores do equipamento. Até agora, a maioria das unidades operava em tensões abaixo de 27 kV e exigia transformador elevador para se conectar a determinados pontos da rede, etapa intermediária que ocupa espaço, aumenta custos, gera perdas de energia e adiciona complexidade à operação e à manutenção do sistema. A inovação da Dongfang Electric está em ultrapassar o limite de 27 kV para atingir 35 kV, salto que um gerente da divisão de motores da empresa descreveu à mídia chinesa como “apenas 8 kV de diferença, mas com dificuldade técnica significativamente maior”, porque exige soluções avançadas de isolamento elétrico e dissipação de calor que a China conseguiu desenvolver e validar nos testes concluídos.

O que é um condensador síncrono e por que a China investe nessa tecnologia

A China ressuscitou o processo Fischer-Tropsch para fabricar plástico com carvão em vez de petróleo. A escala industrial já supera o consumo total dos EUA.

Apesar do nome que remete a componente eletrônico, um condensador síncrono é máquina rotativa de grande porte conectada à rede elétrica. Sua função não é gerar eletricidade, mas fornecer ou absorver potência reativa e ajudar a manter a estabilidade da tensão, funcionando como amortecedor que reage rapidamente quando a tensão cai ou sobe demais por causa de variações na geração ou no consumo. Além disso, como dispositivo rotativo, o condensador síncrono fornece inércia à rede, propriedade física que fortalece o sistema durante períodos críticos e que a China perde progressivamente à medida que substitui usinas termelétricas (que têm turbinas girando e gerando inércia natural) por painéis solares e aerogeradores (que não fornecem inércia da mesma forma).

A transição energética é frequentemente discutida como se bastasse instalar painéis solares e turbinas eólicas, mas a rede elétrica precisa estar preparada para absorver essa energia variável. Sem equipamentos de estabilização como o condensador síncrono, usinas termelétricas a carvão ou gás precisam continuar funcionando apenas para garantir estabilidade, mesmo quando há energia renovável suficiente para atender a demanda, paradoxo que a China enfrenta em escala maior do que qualquer outro país porque nenhuma nação instala tanta capacidade eólica e solar por ano quanto os chineses. O condensador síncrono de 35 kV testado pela Dongfang Electric ataca exatamente esse problema: fornece inércia, suporte de potência reativa e contribuição em curto-circuito sem gerar energia a partir de combustíveis fósseis.

Quais números o equipamento chinês apresenta em relação às soluções existentes

Os dados publicados pelo China Energy News sobre o condensador síncrono de 35 kV da Dongfang Electric são os que mais chamam atenção de engenheiros e analistas do setor elétrico. Ao eliminar o transformador elevador intermediário, uma única unidade do novo equipamento fornece a mesma capacidade de curto-circuito que dois condensadores distribuídos de potência equivalente, e a capacidade de carga dinâmica melhora em mais de 200%, segundo os números divulgados pela empresa e reportados pela publicação chinesa. Em termos de investimento, a redução é de aproximadamente 35% no custo inicial, com necessidade de 50% menos espaço físico para instalação, números que em projetos de larga escala representam economia significativa de capital e de terreno.

O consumo de energia própria do equipamento, ponto que a entidade europeia ENTSO-E destaca como limitação dos condensadores síncronos, também apresenta melhora na versão chinesa. O sistema consome apenas 45% da energia que a solução anterior exigia para fornecer o mesmo nível de suporte à rede, e os custos de operação e manutenção caem 50%, redução que se acumula ao longo dos anos de vida útil do equipamento e que torna a tecnologia mais competitiva frente a alternativas como eletrônica de potência avançada ou baterias controladas pela rede. A China posiciona o condensador síncrono de 35 kV como solução que equilibra desempenho técnico, custo e simplicidade operacional num momento em que o país precisa estabilizar redes que recebem volumes crescentes de energia intermitente.

Por que outros países também estão adotando condensadores síncronos

A China não está sozinha na aposta em condensadores síncronos para viabilizar a transição energética. Na Irlanda, a operadora EirGrid contrata condensadores síncronos como “serviços de inércia de baixo carbono” para operar com maior proporção de energias renováveis na rede e reduzir o número mínimo de geradores a combustíveis fósseis que precisam estar em funcionamento para garantir estabilidade, demonstração prática de que a tecnologia não é aposta teórica mas solução operacional que já funciona em redes reais. A experiência irlandesa é particularmente relevante porque a Irlanda tem uma das maiores proporções de energia eólica na sua matriz elétrica entre os países europeus e enfrenta desafios de estabilidade que antecedem em escala o que a China encontrará à medida que sua capacidade renovável continue crescendo.

Na Europa continental, a agência CINEA menciona a instalação de condensadores síncronos como parte da sincronização elétrica dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) com a rede continental europeia. A garantia de estabilidade de frequência e a adição de inércia em redes que antes dependiam da conexão com o sistema russo são objetivos que os condensadores síncronos atendem sem necessidade de manter geradores fósseis em operação, aplicação que ilustra como a tecnologia serve tanto para integrar renováveis quanto para fortalecer a independência energética de países que buscam se desvincular de fornecedores geopolíticos específicos. Para o consumidor comum, a conexão é direta: uma rede mais estável é base mais sólida para eletrificação de transportes, aquecimento doméstico e gestão dos picos de consumo que acontecem em ondas de calor ou frio intenso.

O que falta para o condensador síncrono chinês entrar em operação comercial

O teste de tipo concluído pela Dongfang Electric significa que a tecnologia superou barreira técnica, não que centenas de unidades serão instaladas imediatamente. Entre a aprovação nos testes e a operação comercial existe caminho que inclui projetos piloto em condições reais de rede, processos de compra com operadoras elétricas, cronogramas de fabricação e comissionamento, etapas que a China costuma percorrer com velocidade superior à de outros países porque seu sistema centralizado de planejamento energético permite decisões de investimento em escala que democracias de mercado demoram mais para coordenar. A questão prática será observar como o condensador síncrono de 35 kV se comporta em cenários específicos: estabilizar rede próxima a grandes centros de consumo é diferente de estabilizar rede com linhas longas de transmissão e parques renováveis dispersos, onde a tensão oscila mais.

O debate sobre qual tecnologia prevalecerá na estabilização de redes com alta penetração de renováveis permanece aberto. Condensadores síncronos competem com eletrônica de potência avançada (como STATCOM) e com baterias de armazenamento que também podem fornecer serviços ancilares à rede, e cada sistema elétrico escolherá combinação diferente conforme suas características geográficas, regulatórias e econômicas. O retorno dos condensadores síncronos ao centro das atenções, impulsionado pela China com o equipamento de 35 kV da Dongfang Electric, é sinal de que a estabilidade da rede se tornou um dos componentes mais importantes e menos discutidos da descarbonização global, problema que não aparece nas manchetes sobre painéis solares e turbinas eólicas mas que determinará se essas fontes conseguirão escalar sem comprometer a confiabilidade do fornecimento de energia que o mundo moderno exige.

E você, acha que a estabilidade da rede elétrica é o maior desafio da transição para energias renováveis? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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