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A Chapada dos Veadeiros abriga mais de 200 nascentes que alimentam os rios São Francisco, Paraná e Paraguai, e agora o governo de Goiás discute afrouxar regras ambientais para permitir mineração de terras raras após um acordo de 15 anos firmado com os Estados Unidos

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 12/05/2026 às 15:47 Atualizado em 12/05/2026 às 15:49
A Coca-Cola declarou a investidores que a Argentina continua em hiperinflação e que seus lucros estão em risco, contradizendo o governo Milei. O mercado reagiu e as expectativas de desvalorização do peso voltaram a subir.
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Segundo informações do NSC, o governo de Goiás retomou discussões sobre mudanças nas regras ambientais da Chapada dos Veadeiros para viabilizar a mineração de terras raras na região, após um memorando de cooperação de 15 anos firmado com os Estados Unidos em março de 2026. A área abriga mais de 200 nascentes que alimentam as bacias dos rios São Francisco, Paraná e Paraguai, e especialistas alertam para os riscos hídricos da atividade mineral.

A Chapada dos Veadeiros é reconhecida internacionalmente como um dos santuários ecológicos mais importantes do Cerrado brasileiro, com cânions, cachoeiras, formações rochosas milenares e uma rede de nascentes que pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) classificam como parte da “caixa d’água do Brasil”. Agora, a possibilidade de mineração de terras raras nessa região voltou ao centro do debate após o governo de Goiás iniciar a revisão do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, o instrumento que regulamenta as atividades permitidas em uma das áreas mais sensíveis do bioma. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) realizou oficinas técnicas nos dias 8 e 9 de maio para discutir as alterações.

O que deu impulso a essa revisão foi um acordo internacional. Em março de 2026, o governador Ronaldo Caiado articulou com representantes dos Estados Unidos um memorando de cooperação voltado à exploração mineral em território goiano pelos próximos 15 anos. O objetivo declarado é ampliar a participação do Brasil na cadeia global de fornecimento de insumos para a fabricação de baterias, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia. O avanço ganhou ainda mais tração após a aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth, uma operação bilionária que reforçou o interesse internacional nas terras raras do interior de Goiás.

O que são terras raras e por que a Chapada dos Veadeiros está no mapa

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos tecnológicos, desde baterias de veículos elétricos até turbinas eólicas, smartphones e equipamentos militares. Apesar do nome, esses minerais não são exatamente raros na natureza, mas sua extração e processamento envolvem técnicas químicas complexas que podem gerar resíduos tóxicos e impactar recursos hídricos. A China domina mais de 60% da produção global, o que levou países como os Estados Unidos a buscar fontes alternativas em outras regiões do mundo.

O interior de Goiás possui depósitos significativos de terras raras, e a Chapada dos Veadeiros está dentro dessa zona de interesse mineral. A coincidência entre a localização dos depósitos e uma das áreas de proteção ambiental mais importantes do Cerrado é o que torna o debate tão complexo. Não se trata de escolher entre economia e meio ambiente em abstrato: a decisão envolve uma região específica com mais de 200 nascentes catalogadas, biodiversidade reconhecida pela UNESCO e relevância hídrica para três das maiores bacias hidrográficas do país.

Mais de 200 nascentes e a “caixa d’água do Brasil” em risco

cânions e cachoeiras da região atraem turistas e dependem da preservação do equilíbrio hídrico local (Foto: Pablo Melo, Pexels)

A APA de Pouso Alto, onde a revisão do plano de manejo está em discussão, abriga uma das maiores concentrações de nascentes do Brasil. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Chapada dos Veadeiros possui mais de 200 nascentes que participam do abastecimento das bacias dos rios São Francisco, Paraná e Paraguai. Esses três sistemas hídricos irrigam plantações, abastecem cidades e sustentam ecossistemas em diversos estados brasileiros. Qualquer alteração no equilíbrio hídrico da Chapada tem potencial de repercutir muito além das fronteiras de Goiás.

Pesquisadores classificam o Cerrado como a “caixa d’água do Brasil” justamente por essa capacidade de alimentar grandes rios e aquíferos estratégicos. Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) alerta que intervenções intensivas na região podem afetar o fluxo de água local e ampliar a pressão sobre áreas consideradas estratégicas para a conservação da biodiversidade no Centro-Oeste. A mineração de terras raras envolve processos químicos que utilizam ácidos e solventes para separar os elementos do minério, e a destinação desses resíduos em uma região de nascentes é o ponto que mais preocupa os especialistas.

O que a revisão do plano de manejo pode mudar

O Plano de Manejo da APA de Pouso Alto é o documento que define quais atividades são permitidas, restringidas ou proibidas dentro dos limites da área de proteção ambiental. A revisão em curso pela Semad pode alterar o zoneamento da APA e redefinir as regras para atividades de mineração, que atualmente encontram restrições significativas na região. Se as mudanças forem aprovadas, a exploração de terras raras poderia ser autorizada em áreas onde hoje não é permitida, abrindo caminho para a instalação de operações minerais dentro do perímetro da Chapada dos Veadeiros.

A Semad afirma que não existe autorização de lavra concedida na região da APA de Pouso Alto no momento. A secretaria sustenta que a revisão do plano busca avaliar limites técnicos, jurídicos e ambientais antes de qualquer decisão definitiva sobre a atividade mineral. As oficinas técnicas realizadas em Colinas do Sul são parte do processo de construção de uma nova versão do plano, que ainda passará por consultas públicas com moradores, entidades ambientais e representantes locais antes de ser formalizado.

O acordo com os Estados Unidos e a corrida global por minerais estratégicos

O memorando firmado entre o governo de Goiás e representantes dos Estados Unidos estabelece uma cooperação de 15 anos voltada à exploração mineral em território goiano. O acordo se insere em um contexto global onde potências ocidentais buscam reduzir sua dependência da China no fornecimento de terras raras, um grupo de minerais que se tornou estratégico para a transição energética, a indústria de defesa e o setor de tecnologia. Para os Estados Unidos, ter acesso a fontes confiáveis de terras raras fora da China é questão de segurança nacional.

A aquisição da mineradora Serra Verde pela americana USA Rare Earth concretizou esse interesse com uma operação bilionária que colocou as reservas goianas sob controle de uma empresa com sede nos Estados Unidos. Para o governo de Goiás, o acordo representa investimento, geração de empregos e inserção na cadeia global de tecnologia. Para ambientalistas e pesquisadores, representa um risco calculado que pode comprometer irreversivelmente o patrimônio hídrico e ecológico de uma região que levou milhões de anos para se formar.

Turismo, biodiversidade e o Cerrado que pode mudar

A Chapada dos Veadeiros não é apenas um repositório de água e minerais. A região se consolidou como um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, atraindo visitantes nacionais e internacionais para suas cachoeiras, trilhas, cânions e formações rochosas. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO, um reconhecimento que confere à região um status de proteção internacional. A mineração dentro da APA de Pouso Alto, mesmo fora dos limites do parque nacional, poderia afetar a imagem turística da Chapada e impactar a economia local que depende do ecoturismo.

A biodiversidade nativa do Cerrado presente na APA de Pouso Alto inclui espécies endêmicas de fauna e flora que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Alterações no equilíbrio hídrico, contaminação de nascentes ou desmatamento para infraestrutura de mineração poderiam comprometer habitats que sustentam essas espécies. O debate não opõe apenas mineração e meio ambiente: opõe também dois modelos econômicos diferentes para a região, um baseado na extração de recursos finitos e outro baseado na conservação de recursos renováveis como água, paisagem e biodiversidade.

Consultas públicas e o que vem pela frente

Após as oficinas técnicas de maio, o governo de Goiás deve abrir uma nova rodada de consultas públicas sobre as mudanças no Plano de Manejo da APA de Pouso Alto. A possível liberação de mineração na região ainda depende da conclusão dos estudos técnicos e da análise das contribuições apresentadas pelas comunidades afetadas. O processo é legalmente obrigatório e oferece à população local a oportunidade de se manifestar sobre mudanças que podem transformar permanentemente a paisagem e a economia da Chapada dos Veadeiros.

Você acha que a mineração de terras raras deveria ser permitida na Chapada dos Veadeiros? Conte nos comentários o que pensa sobre o equilíbrio entre exploração mineral e preservação ambiental, se o acordo com os Estados Unidos justifica os riscos para as nascentes e se existem alternativas que conciliem desenvolvimento econômico e proteção do Cerrado. Queremos ouvir a sua opinião sobre o futuro dessa região.

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Eduardo Dantas
Eduardo Dantas
15/05/2026 14:09

Só na cabeça de miolo mole de governador de Goias pra querer autorizar uma medida como essa, vão devastar o bioma e destruir a natureza por causa dos dólares americanos, de quanto será a propina em dinheiro vivo pra esse governador **** e seus asseclas? Kkkk

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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