Meta anunciada por Lula mira requerimentos parados há mais de 45 dias; Previdência diz que estoque caiu 29% em três meses, mas 528 mil casos ainda dependem de documentação dos segurados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que o INSS tem a meta de zerar até setembro a fila do INSS para concessão de benefícios. Segundo o Ministério da Previdência, o estoque atual é de 2,2 milhões de requerimentos, o menor patamar em 17 meses.

Meta do governo mira pedidos parados há mais de 45 dias
A promessa foi feita por Lula ao comentar a atuação da nova presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Ana Cristina Viana Silveira. Segundo o presidente, ela assumiu o compromisso de acabar, até setembro, com a fila de pessoas que aguardam benefício.
De acordo com o Ministério da Previdência, “zerar a fila” não significa impedir a entrada de novos pedidos. A meta é acabar com o estoque de requerimentos que estão há mais de 45 dias aguardando conclusão.
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O desafio é contínuo porque o INSS recebe, em média, 1,3 milhão de novos requerimentos todos os meses. O órgão é responsável pela concessão, manutenção e pagamento de benefícios previdenciários.
Fila do INSS caiu 29% em três meses, segundo a Previdência
O Ministério da Previdência informou que a fila chegou ao menor nível em 17 meses. Atualmente, o estoque é de 2,2 milhões de pedidos. Em fevereiro, eram 3,1 milhões, o que representa queda de 29% em três meses.
A pasta também destacou que parte dos processos não depende apenas da administração pública. Aproximadamente 528 mil casos têm pendências dos próprios segurados, como falta de documentação ou necessidade de complementar informações.
Esse volume representa mais de 20% da fila atual. Na prática, são pedidos que precisam de alguma ação dos beneficiários para avançar na análise.
Outro dado apontado pelo ministério é a redução no tempo médio de conclusão dos benefícios. Em fevereiro, a média era de 59 dias. Em março, caiu para 51 dias. Em abril, chegou a 40 dias.

Nova presidente assumiu com missão de acelerar análises
A troca no comando do INSS ocorreu em abril. Gilberto Waller deixou a presidência e foi substituído por Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão desde 2003 e graduada em direito.
Antes de assumir o INSS, Ana Cristina presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social por quase três anos. Segundo o governo, nesse período o instituto dobrou a capacidade de análise de recursos.
O Ministério da Previdência afirmou, em nota, que a nova presidente assume com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar processos internos. A escolha foi defendida pelo ministro Wolney Queiroz.
A pasta também informou que Ana Cristina tem visão do fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal, o que marca um novo momento focado na redução do tempo de espera e na qualidade do atendimento.
Troca ocorreu após desgaste com filas e crise no órgão
A mudança na presidência ocorreu em um momento de pressão sobre o INSS. As filas vinham sendo apontadas como uma das principais queixas dos beneficiários e geravam desgaste para a gestão federal.
Gilberto Waller havia sido nomeado presidente do instituto em 30 de abril do ano passado, em meio ao escândalo de fraudes na Previdência Social. Ele substituiu Alessandro Stefanutto, afastado e demitido em abril.
As investigações apontaram descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024. Segundo as apurações, os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Na época, cinco servidores da cúpula do órgão também foram afastados por decisão judicial e, posteriormente, detidos pela polícia. Stefanutto foi preso em novembro.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Ministério da Previdência Social, declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dados do material-base fornecido, com números e declarações preservados conforme o material consultado.

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