Estrutura instalada em Curitiba trata um volume diário difícil de visualizar, opera com tecnologia biológica em larga escala e integra saneamento, controle ambiental e aproveitamento energético de resíduos antes de devolver efluente tratado ao Rio Iguaçu.
A Estação de Tratamento de Esgoto Belém, em Curitiba, opera com capacidade para 2.520 litros de esgoto por segundo, o equivalente a cerca de 217,7 milhões de litros por dia, e atende aproximadamente 820 mil moradores de Curitiba e São José dos Pinhais, segundo a Sanepar.
Instalada na capital paranaense, a unidade recebe parte do esgoto gerado em residências, comércios e serviços antes que esse material passe por etapas físicas, químicas e biológicas de tratamento, em um processo voltado à redução da carga poluidora.
A estação é apontada pela companhia como uma das maiores do mundo a utilizar o processo de lodos ativados com aeração prolongada, tecnologia conhecida como sistema “carrossel”, aplicada para manter o esgoto em circulação durante a etapa biológica.
-
Produtor mineiro mantém fábrica de queijo de 48 anos no alto da Serra do Condado, usa água de mina encanada por 800 metros, guarda peças curadas por 2 anos e transforma pingo antigo em segredo premiado no interior de Minas Gerais
-
Inconformado em ver catadores tratados como invisíveis nas ruas, artista brasileiro passou a reformar e grafitar carroças, levar atendimento de saúde, psicologia e estética e transformar veículos de reciclagem em obras de arte ambulantes para devolver renda, segurança e dignidade
-
Pressionada por quase 10 mil pessoas dormindo ao relento no Condado de King, Seattle criou vila com 90 microcasas de 8,9 m², cama, energia, aquecimento, ar-condicionado, cozinha, chuveiros e lavanderia para tirar famílias das ruas com apoio de Microsoft e Starbucks
-
Recusada por donos de imóveis e sem loja fixa no começo, Maggie criou uma cafeteria onde dinheiro não decide quem come: em Raleigh, cliente paga preço cheio, paga US$ 3, troca 1 hora de voluntariado por refeição e ajuda o modelo que já serviu mais de 350 mil refeições
Nesse modelo, estruturas específicas mantêm a atividade de microrganismos responsáveis por consumir parte da matéria orgânica presente no material recebido, enquanto o controle operacional acompanha a eficiência do tratamento antes da devolução do efluente ao ambiente.
Como funciona o tratamento de esgoto na ETE Belém
Antes de alcançar a etapa biológica, o esgoto passa por fases de preparação que removem materiais capazes de prejudicar bombas, tubulações e tanques, como resíduos sólidos, areia, gordura e objetos descartados de forma inadequada na rede.

Essa primeira barreira atende à necessidade operacional do sistema, projetado para tratar esgoto doméstico, não lixo lançado em vasos sanitários, pias ou ralos, já que itens impróprios podem interferir no funcionamento dos equipamentos.
Quando materiais fora do padrão esperado entram na rede, a estação precisa lidar com uma carga adicional que pode comprometer etapas iniciais do processo e aumentar a demanda por separação, manutenção e controle em uma operação de grande vazão.
Depois da remoção inicial, o fluxo segue para o tratamento por lodos ativados, etapa em que a ação biológica tem papel central e depende de condições adequadas de oxigenação, circulação e contato com a matéria orgânica.
Por meio da aeração, o sistema fornece oxigênio para manter os microrganismos ativos, enquanto o movimento contínuo do esgoto favorece o contato entre a matéria orgânica e a biomassa responsável pela depuração do efluente.
O nome “carrossel” está ligado à configuração de circulação do material dentro dos tanques, que mantém o fluxo em movimento durante o processo e permite a aplicação da tecnologia de aeração prolongada em grande escala.
Diferentemente de uma filtragem apenas visual, essa etapa tem como objetivo reduzir poluentes dissolvidos e melhorar parâmetros de qualidade do efluente antes da devolução ao corpo hídrico, conforme o funcionamento informado pela companhia.
Rio Iguaçu recebe efluente tratado pela estação
O efluente tratado na ETE Belém segue para o Rio Iguaçu, um dos principais cursos d’água do Paraná, de acordo com a Sanepar, que atribui à estação a função de reduzir o impacto do esgoto urbano sobre o sistema hídrico.
A água que sai da unidade não é destinada ao consumo humano, mas retorna ao ambiente após passar por controle operacional e por etapas de remoção de poluentes, segundo a lógica do tratamento de esgoto adotada na estação.
Em uma região metropolitana, a operação ocorre fora da rotina visível da maior parte da população, embora esteja ligada ao destino do esgoto coletado em imóveis atendidos pela rede e ao lançamento de efluente tratado no rio.

Entre janeiro e outubro de 2025, a Sanepar informou que a ETE Belém tratou 40 milhões de metros cúbicos de esgoto, volume comparado pela companhia a 16 mil piscinas olímpicas, em balanço sobre a operação da unidade.
O dado dimensiona a escala de uma estrutura que funciona de forma contínua para receber o esgoto coletado na área atendida, submetê-lo a tratamento e impedir o lançamento direto desse material no corpo hídrico.
A demanda urbana absorvida pela estação também decorre da soma de centenas de milhares de ligações, já que um imóvel isolado gera volume limitado, mas a carga conjunta exige máquinas, tanques, operadores, laboratório e monitoramento permanente.
Lodo da ETE Belém vira biogás e energia
Além do efluente tratado, a operação da ETE Belém gera lodo, material concentrado que resulta do tratamento de esgoto e precisa receber destinação adequada, conforme regras e procedimentos aplicados à gestão desse tipo de resíduo.
Parte desse material é encaminhada para a Usina Sanepar de Bioenergia, onde pode ser transformada em biogás e convertida em energia elétrica por meio do aproveitamento da matéria orgânica presente no lodo.
A usina está localizada em São José dos Pinhais e processa lodo de esgoto com resíduos orgânicos de grandes geradores, de acordo com informações divulgadas pelo Governo do Paraná e pela Sanepar sobre a unidade.
Nesse processo, a decomposição controlada da matéria orgânica gera biogás, que pode ser usado na produção de eletricidade após passar por sistemas adequados de captação, tratamento e geração energética.
Em fevereiro de 2025, o Governo do Paraná informou que a unidade transformava diariamente 900 toneladas de lodo da ETE Belém e cerca de 50 toneladas de materiais orgânicos em biogás, depois convertido em energia elétrica.
A operação insere resíduos do saneamento em uma cadeia de aproveitamento técnico, com destinação voltada à geração de biogás, sem dispensar o controle ambiental necessário ao processamento do lodo e dos demais materiais orgânicos.
No caso da ETE Belém, a conexão entre tratamento de esgoto e bioenergia integra a rotina da estação a uma estratégia de gestão de resíduos que inclui destinação adequada e geração de energia a partir do biogás.
Laboratório monitora a qualidade do esgoto tratado
A estrutura da ETE Belém também abriga o Laboratório Regional de Esgoto, responsável por atender estações de tratamento de Curitiba e da Região Metropolitana, segundo a Sanepar, com análises voltadas ao acompanhamento operacional.
Em unidades desse porte, o controle de parâmetros é usado para acompanhar a eficiência do processo e a qualidade do efluente tratado, por meio de coleta de amostras, avaliação técnica e ajustes quando necessários.
Como a composição do esgoto pode variar ao longo do dia, a rotina de monitoramento ajuda a orientar a operação da estação e a verificar se as etapas de tratamento cumprem os parâmetros definidos para o sistema.
A atuação do laboratório mostra que o tratamento não depende apenas de tanques e equipamentos, mas também de análises técnicas realizadas durante a operação, especialmente em uma unidade com alta vazão e atendimento metropolitano.
A ampliação concluída em 2022 elevou a capacidade da ETE Belém de 1.500 litros por segundo para 2.520 litros por segundo, aumento de 70%, conforme informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
Com a obra, a unidade passou a ser tratada pelo Governo do Paraná e pela Sanepar como a maior estação de tratamento de esgoto do Estado, em razão da capacidade operacional instalada após a expansão.
Uso correto da rede influencia o saneamento em Curitiba
Mesmo com tecnologia e escala, a eficiência de uma estação como a ETE Belém começa antes da chegada do esgoto aos tanques, já que o descarte incorreto pode alterar o fluxo esperado pela rede coletora.
O lançamento de lixo, óleo, gordura e outros materiais na rede pode dificultar as etapas iniciais e aumentar a necessidade de manutenção, porque esses resíduos precisam ser removidos antes do avanço do tratamento.
A rede coletora foi planejada para transportar esgoto sanitário, não resíduos sólidos que deveriam seguir para coleta comum, reciclagem ou descarte específico, conforme a natureza de cada material descartado pelos imóveis.
Quando essa separação falha dentro das residências e demais estabelecimentos, o problema reaparece na operação da estação, onde materiais indevidos precisam ser retirados para reduzir riscos ao funcionamento do sistema.
Em Curitiba, o volume tratado pela ETE Belém indica a dimensão coletiva de ações cotidianas, uma vez que descargas, banhos, pias e ralos formam um fluxo contínuo que atravessa a cidade até chegar à estação.
A unidade combina vazão diária na casa de centenas de milhões de litros, tratamento biológico por lodos ativados e aproveitamento de resíduos para geração de biogás, conforme informações divulgadas pela Sanepar e pelo Governo do Paraná.


Seja o primeiro a reagir!